Il Corsaro Nero (1976), Sergio Sollima

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Durante a fase de ouro do cinema popular italiano, Il corsaro nero pode ser considerado a despedida de Sollima da tela grande. Depois ele realizaria a série Sandokan para a TV e só voltaria a fazer cinema em 1989 (Passi d’amore) e em 1994 (Berlin’ 39). Infelizmente ambos os filmes não foram obtidos pela equipe do blog, assim como o spy Agente 3S3, massacro al sole. Ficamos devendo resenhas dos três para uma próxima oportunidade…

Protagonizado pelo indiano Kabir Bedi (que também estrelou a série Sandokan), Il corsaro nero é um obra de aventura envolvendo piratas italianos em conflito com a nobreza espanhola. Mas por se tratar de um filme de Sergio Sollima, pode-se esperar ação da melhor qualidade (destaque para os combates de esgrima, muito bem feitos) e algumas sequências memoráveis, como o massacre dos índios, que chega a lembrar Cannibal Holocaust, e a sentença de morte de Honorata (a linda Carole André), que interpreta a filha do vilão Van Gould (Mel Ferrer).

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Com as duas cenas acima citadas, além de várias outras, Sollima aproveita para subverter o que poderia ser um simples e ingênuo filme de aventura como qualquer outro, injetando fortes doses de ambigüidade (os heróis são os piratas, capazes de atos bem malvados) e de crítica política ao expansionismo europeu. Pode não ser uma obra-prima, mas sem dúvida é um filme que se assiste com grande prazer.

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Heráclito Maia

O Cérebro do Mal (Il diavolo nel cervello, 1972), Sergio Sollima

diavolonelcerAo reencontrar Sandra, uma antiga namorada, Oscar a descobre num estado de completa amnésia e isolada do contato com o mundo externo. Logo nota que tal condição é conseqüência do trauma causado pela visão de seu filho segurando uma arma junto ao corpo de seu pai estirado ao chão, o que leva todos a crer que a criança o teria assassinado. Disposto a ajudar Sandra – e insatisfeito com as evidências disponíveis -, Oscar decide investigar o caso com a ajuda de um psiquiatra.

Primeira – e infelizmente única – incursão de Sollima na então rentável produção dos thrillers italianos da época, O Cérebro do Mal em nenhum momento procurar recriar clichês ou fórmulas comuns ao gênero. Do contrário, Sollima prefere investir em uma atmosfera de contínua tensão psicológica, que provavelmente irá decepcionar os que esperam um giallo mais “tradicional”.

Inexplicavelmente inédito em VHS ou DVD, o filme sobrevive atualmente apenas graças a registros da TV italiana que circulam entre os colecionadores, que nem de longe fazem jus a esta complexa obra do maestro italiano. A trilha de Ennio Morricone, como de costume, é fantástica.

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Rogério Ferraz

Os Raptores em Ação (Revolver, 1973), Sergio Sollima

06_Algum espectador poderia até reclamar da falta de sequências de ação, longos tiroteios e perseguições de carro em alta velocidade pelas ruas estreitas de uma cidade europeia qualquer; eu entenderia, afinal, estamos falando de um euro crime setentista, subgênero cujo quesito “ação” é praticamente obrigatório.

Não foi o meu caso. Não senti falta alguma destes detalhes enquanto assistia Os Raptores em Ação – primeira incursão do diretor Sergio Sollima ao cinema policial – principalmente quando temos um Oliver Reed inspiradíssimo num desempenho tenso, expressivo, encarnando Vito Cipriani, um ex-policial que tem a esposa seqüestrada e faz de tudo para consegui-la de volta. A exigência dos seqüestradores é que Cipriani ajude na fuga de Milo, um prisioneiro que se encontra encarcerado na mesma prisão que o protagonista administra atualmente. Mas para garantir que tudo aconteça dentro dos conformes, Cipriani sequestra Milo e aí a coisa toda fica ainda mais intrigante.

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O italiano Fabio Testi – outro ótimo ator que trabalhou com diversos diretores consagrados na época como Lucio Fulci, Enzo G. Castellari e Andrzej Zulawski – interpreta Milo e contribui com uma atuação do mesmo nível de Reed. E ver esses dois monstros em pleno auge de suas carreiras já valeria o ingresso ainda mais num filme que concentra-se muito mais nos conflitos internos dos personagens do que na própria ação extravasada.

E Os Raptores em Ação pode não conter as tais cenas elaboradas de ação, mas a trama e seus desdobramentos caminham num ritmo tão frenético que compensa a ausência de cenas mais movimentadas, e a trilha de Morricone contribui bastante (a canção que abre o filme é uma obra-prima). Claro que não deixa de ter uns tiros aqui e ali pra saciar o espectador mais urgente, mas até nestas sequências Sollima dá um tom mais realista, sem o sensacionalismo habitual dos polizieschi (mas que funcionam perfeitamente quando existe esta pretensão). Um filmaço, sem dúvida!

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Ronald Perrone

CIDADE VIOLENTA (Città violenta, 1970), Sergio Sollima

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por Leandro Caraça

Ainda que seu rosto de granito fosse bem conhecido do público americano em geral, foi no Velho Continente onde Charles Bronson atingiu primeiro o status de grande astro. O emblemático ano de 1968 marca o começo do período europeu do ator, como também foi quando se casou com a inglesa Jill Ireland, que a partir de então passaria a contracenar ao lado do maridão em diversos filmes. Mais tarde, Bronson tornou-se o primeiro ator a receber um milhão de dólares por filme e no auge da fama na metade da década de setenta, perdia em popularidade nos EUA apenas para o trio Barbra Streisend, Robert Redford e Al Pacino. Em sua passagem pela Europa trabalhou em algumas das películas mais interessantes da carreira e a produção que melhor soube usar a imagem do casal Bronson-Ireland foi Cidade Violenta (Città Violenta) de Sergio Sollima.

Realizado num período anterior a febre dos polizieschi (os filmes policiais italianos), trata-se na verdade de um filme noir com ambientação moderna e alguns de seus símbolos mais famosos. Com o sucesso mundial de O Poderoso Chefão de Coppola, acabou sendo depois relançado na América como The Family, numa tentativa de ligar a máfia com a organização criminosa vista no filme de Sollima. Escrito pelo diretor em parceria com a consagrada Lina Wertimuller (e depois retrabalhado por outros roteiristas), a trama apresenta Bronson como Jeff, o matador de aluguel com uma nada saudável crise de consciência, ao menos não para essa profissão em específico. Disposto a deixar o seu passado de mortes para trás, ele viaja com sua garota Vanessa (Ireland) para um paraíso da América Central sem imaginar que está sendo espionado. Após uma eletrizante perseguição de carros e uma inesperada traição, Jeff consegue sobreviver ao atentado embora seja obrigado a ver o Sol nascer quadrado depois disso. Solto da prisão, retorna para Nova Orleans em busca daqueles que o enganaram.

Mas não demorará para perceber que uma vez dentro do esquema, não há como escapar. É o que lhe informa Weber (Telly Savallas), o líder da organização que atento aos novos tempos, pretende dar um ar mais legítimo aos seus negócios. Jeff está irredutível, mas Weber não aceita um não como resposta. O fato de Vanessa ser agora esposa do chefão só complica as coisa ainda mais. Sollima faz grande uso das locações de Nova Orleans e elabora ótimas sequências de suspense e ação que compensam a trama previsível. Em três grandes momentos, prefere o silêncio casado com as imagens (nos 10 minutos iniciais, na corrida de automobilismo e no atentado no elevador panorâmico) e os resultados não poderiam ser menos do que incríveis. A versão restaurada vista no DVD traz cenas inédias que ajudam a definir melhor o perfil psicológico do personagem de Bronson, além da sua complicada relação com Vanessa. Ah sim, Jill Ireland utiliza de uma dublê nas cenas de nudez. Afinal de contas ela é a mulher do Sr. Buchinsky.

Corre Homem Corre (Corri Uomo Corri, 1968), Sergio Sollima

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O terceiro e último western de Sollima não é tão bom quanto os outros dois, mas ainda assim é de alto nível. O jornalista e crítico de cinema Marco Giusti tem uma frase que resume a obra com perfeição: “O filme funciona mais nos seus pequenos momentos que no quadro geral” (Dizionario del Western All’Italiana, Ed. Oscar Mondadori). Sem a produção do poderoso Alberto Grimaldi, parece que nem tudo saiu como o Sollima queria. O cubano Tomas Milian retoma o célebre personagem Cuchillo Sanchez de O Dia da Desforra em mais uma performance memorável. Embora os westerns antecessores de Sollima também possuam forte conotação política, é em Corre Homem Corre que ele se aproxima totalmente dos Zapata Westerns (ou Tortilla Western, como dizem os italianos), com uma corrida em busca de um tesouro que, de uma forma ou de outra, está destinado a Revolução Mexicana (como visto em outros exemplares desse sub-gênero). Donald O’Brien interpreta um dos sujeitos interessados na fortuna, única e exclusivamente por interesses pessoais, mas acaba se transformando em prol da Revolução. Igualmente interessante os personagens da também cubana Chelo Alonso, que vive uma mulher apaixonada por Cuchillo; Linda Veras, supostamente uma fanática religiosa do “Exército da Salvação”; José Torres, como um idealista e poeta que transmite um pouco de consciência política a Cuchillo; e John Ireland, estranhamente convincente no papel do líder revolucionário Santillana. A música de Ennio Morricone e Bruno Nicolai contribui bastante o clima de “proletariado terceiro-mundista vs tiranos opressores”, com destaque para a bela canção “Espanto en el corazon” cantada por Tomas Milian numa das versões (em outras quem canta é Peter Boom). Um filme menor entre os westerns de Sollima, porém grande se comparado a centenas de exemplares do gênero dirigidos por nomes de menor expressão.

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por Heráclito Maia & Otávio Pereira

Quando os Brutos se Defrontam (Faccia a Faccia, 1967), Sergio Sollima

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A esta altura, é notório que um dos gêneros pelo qual Sergio Sollima ficou conhecido foi o faroeste italiano, formando a tríade dos “Sergio’s” junto com o Corbucci (Django, O Grande Silêncio, etc) e o Leone (que dispensa apresentações). Embora tenha dirigido apenas três exemplares, o talento de Sollima não fica atrás da capacidade de seus companheiros e por isso é fácil colocá-lo nesta posição. Seus westerns são de um nível tão elevado que, mesmo se tivesse realizado somente estes três filmes em toda a sua carreira, seu lugar entre os grandes mestres do cinema italiano estaria garantido.

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Quando os Brutos se Defrontam é, sem dúvida alguma, um de seus momentos mais inspirados. Possui trilha de Ennio Morricone e uma fotografia bastante sofisticada que ocupa todo o scope com riqueza de detalhes. O filme trata das transformações de personalidades utilizando os elementos mais simples da dualidade humana como o bem e o mal, o certo e o errado, etc. O fato é que existe o professor Brad Fletcher, interpretado pelo grande Gian Maria Volontè (o vilão de Por um Punhado de Dólares e Por uns Dólares a Mais), sujeito de um ótimo caráter que sofre de uma doença e procura paz em uma cidadezinha no período da guerra civil. Do outro lado temos o oposto, Solomon ‘Beauregard’ Bennet, encarnado pelo cubano Tomas Milian, um dos maiores astros do cinema italiano. Bennet é um perigoso Fora da Lei que seqüestra o professor em determinada situação.

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A brutalidade intrínseca na alma de Bennet gera uma certa admiração pelo bondoso professor. Gradativamente, Sergio Sollima vai trabalhando as mudanças, fruto da relação entre os dois, que já não é mais a de seqüestrador-refém. Uma certa seqüência chave, onde Fletcher salva a vida de Bennet e comete seu primeiro assassinato, dá início a uma série de reflexões, principalmente por parte do pistoleiro, que questiona a utilização da violência em seu modo de vida, enquanto o professor passa a ser afetado pela frieza e o gosto de sangue. É um tanto filosófico para o público acostumado apenas em ver o confronto entre o bem e o mal sem refletir sobre a natureza desses elementos, mas não deixa de ser um fator que enobrece este magnífico western spaghetti de Sergio Sollima.

5por Ronald Perrone

O Dia da Desforra (La Resa dei Conti, 1967), Sergio Sollima

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A primeira vez que eu vi um filme do Sergio Sollima foi no saudoso tempo das VHS. Era Quando os Brutos se Defrontam (67) numa cópia em VHS dublada e com fullscreen assassino da Reserva Especial. Mesmo assistindo essa cópia péssima, fiquei impressionado com a gradual mudança de comportamento sofrida pelo personagem do excelente Gian Maria Volonté. Deve continuar sendo um filmaço, um dia eu o verei de novo.

Na busca por filmes do diretor, acabei conferindo O Dia Da Desforra. A trama principal do filme tem início quando Jonathan Corbett (Lee Van Cleef, num de seus melhores papéis) topa de imediato perseguir um exímio atirador de facas mexicano Cuchillo Sanchez (Tomas Milian, maravilhoso), quando passa a saber numa típica festa da alta sociedade local patrocinada por Brockston (Walter Barnes) que o sujeito é acusado de violentar e matar uma menina de 12 anos. Cuchillo não se demonstra nada difícil de ser encontrado, só que ele sempre arranja uma maneira de fugir por causa da sua invejável esperteza, enquanto o pistoleiro continua tentando botar as mãos nele.

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Corbett é um dos papéis que justificam por completo a predileção de Van Cleef em continuar trabalhando na Itália ao invés dos Estados Unidos, nesse grande e prolífico tempo do cinema italiano que foi a explosão dos Spaghetti Westerns. Mas cá entre nós, o filme pertence a Tomas Milian. Difícil imaginar outro ator daquela época compondo melhor esse ótimo e ambíguo personagem. O sujeito é tão carismático e palhaço que o espectador fica indeciso se torce para ele ser pego ou não, mesmo sendo acusado de um crime tão hediondo.

Além de ser um programaço para qualquer fã, que irá reconhecer faces familiares dos velhos tempos do bangue-bangue italiano (Gerard Herter, Fernando Sancho, Nello Pazzafini, Benito Stefanelli e Lorenzo Robledo), O Dia Da Desforra também possui uma grande e válida crítica aos valores sociais daquela época que é feita sem prejudicar o entretenimento. Os vários momentos antológicos como a rápida estadia de Cuchillo na fazenda de uma viúva cobiçada pelos seus capangas, a “picada” da cobra e os duelos finais conseguem ficar ainda mais memoráveis por terem a marcante trilha do genial Ennio Morricone, que faz uso de Pour Elise, composta por Beethoven, num deles. Não se deve deixar de assistí-lo em widescreen, porque a condução de Sergio Sollima é bem auxiliada pela fotografia de Carlo Carlini, com belíssimos ângulos e enquadramentos. O Dia Da Desforra é um clássico que merece ser mais conhecido e tenho certeza de que ele apenas irá melhorar com uma revisão por causa da riqueza dos seus detalhes. Só não leva nota 10, porque poderia acabar uns minutinhos mais tarde, hehe.

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PS: O título nacional do filme inspirou Heráclito Maia a nomear o seu antigo blog, o Blog da Desforra. Agradecimentos especiais a ele e Otávio Pereira, que me deram uma forcinha para conseguir o filme.

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por Osvaldo Neto (texto publicado originalmente em seu blog,

adaptado para O Dia da Fúria)

Requiem per un Agente Segreto (1967), Sergio Sollima

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O cinema popular italiano trabalhava a todo vapor nas décadas de 60 e 70, com seus estúdios despejando filmes de todos os gêneros possíveis. Os produtores não podiam descobrir um novo filão que o trabalhavam a exaustão. Com as obras de espionagem não foi diferente, ainda mais depois do sucesso de 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), de Terence Young.

Filmes deste gênero começaram a ser produzidos em grande escala na Europa, e por possuírem características próprias, acabaram recebendo o apelido de eurospy movies. E assim como nos pepla e westerns all’italiana, muitos atores americanos estrelavam nos papéis principais. Sergio Sollima também deu sua contribuição para o gênero com três obras: Agente 3S3: Passaporto per L’inferno (1965), Agente 3S3, Massacro al Sole (1966) e Requiem per un Agente Segreto (1967), todos com trilha sonora de Piero Umiliani.

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Requiem per un Agente Segreto é um thriller obscuro, cuja trama envolve uma perigosa quadrilha homicida, comandada por um ex-criminoso nazista que atua em Marrocos. Não tendo sucesso em sua missão, que resultou em dois espiões mortos, o FBI junta forças com uma organização norueguesa para tentar desmantelar a organização. O chefe de inteligência americano, cansado de trabalhar com espiões certinhos, contrata o free-lancer John “Bingo” Merrill (Stewart Granger), um sujeito que não possui escrúpulos. Para ele o que importa é concluir a missão, não se preocupando com os meios para isso. Diferente do agente norueguês, chamado Erick Olafsson (Giulio Bosetti), que acaba desaprovando os métodos utilizados por seu novo parceiro.

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O filme possui bonitas locações, cenas contendo boas doses de suspense, pequenas e certeiras tiradas cômicas, diálogos nas horas certas e belas mulheres. Estas, utilizadas como objetos; podemos ver um certo toque de misoginia, mas tudo tem um porque. Elas estão lá para mostrar um pouco mais do caráter de nosso herói.

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O mestre Sergio Sollima consegue colocar sua identidade no filme, trabalhando com dois protagonistas que possuem virtudes diferentes, mas acabam se respeitando e aprendendo um com o outro. Mas a principal marca é fugir do estereótipo correto e perfeito dos espiões da época. John “Bingo” Merrill está mais para um mercenário, uma pessoa corrupta que não trabalha por um ideal coletivo. Então o filme acaba trabalhando com um tema moral sobre o ser humano, que só pensa em dinheiro e no seu bem estar. Isso já fica bem claro na cena em que Bingo é contratado.

Requiem per un Agente Segreto pode não ser uma obra-prima como La resa dei conti e Faccia a faccia, mas merece ser assistido por apresentar uma visão diferente do mundo da espionagem, além de conter muitas cenas que influenciaram filmes posteriores.

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por Otávio Pereira

Alta Espionagem (Agente 3S3: Passaporto per l’inferno, 1965), Sergio Sollima

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Com uma carreira já estabelecida como escritor e roteirista, onde explorou predominantemente o prolífico ciclo dos pepla italianos, Sergio Sollima assumiu a cadeira de diretor em 1965 para ajudar a cunhar um novo filão que os italianos explorariam até a última gota por pelo menos dois anos: os filmes de espionagem (mais popularmente conhecidos como eurospy) e seus agentes com codinomes cujas intermináveis combinações de números e letras sempre remetiam ao famoso colega a serviço da Coroa Britânica.

Agente 3S3: Passaporto per l’inferno possui todas as idiossincrasias do gênero – as locações cosmopolitas, a (então parcial) nudez gratuita de belas mulheres, armas inusitadas e, é claro, uma trama repleta de intrigas internacionais – apimentados pela considerável dose de cinismo que distinguia às produções italianas das demais.

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O enredo de Agente 3S3: Passaporto per l’inferno tem início quando a CIA, após ter uma de suas agentes assassinadas em circunstâncias misteriosas, decide, com o aval soviético, enviar seu principal homem à Áustria para investigar o paradeiro de Henry Dvorak, um ex-espião durante a Segunda Guerra, e que os americanos acreditam ser o cérebro de uma organização responsável pelo crime. A perigosa missão fica a cargo de Walter Ross (impecavelmente interpretado por Giorgio Ardisson), o agente 3S3, que deverá localizar e se envolver com a filha de Dvorak, e, assim, descobrir os reais motivos do grupo criminoso.

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Um pecado o fato de que que a cópia utilizada para a resenha tenha sido o VHS holandês, que embora aparentemente sem cortes, seja enormemente prejudicada por um pan&scan em tela cheia que destrói as composições originalmente elaboradas por Sollima, e uma qualidade de imagem que nem de longe faz jus ao trabalho de fotografia do genial Carlo Carlini. Tecnicidades à parte, Agente 3S3: Passaporto per l’inferno é diversão pura e um dos clássicos do gênero, além de prova irrefutável do talento de Sollima, que seria mais tarde mundialmente reconhecido.

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Uma curiosidade: Dois anos após seu lançamento, Agente 3S3: Passaporto per l’inferno ganhou uma refilmagem dirigida por Takumi Furukawa (lançada pelos estúdios Shaw Brothers com o título Hei ying), que recria com uma fidelidade praticamente “cena a cena” o filme de Sollima.

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por Rogério Ferraz

O DIA DA FÚRIA ESPECIAL SERGIO SOLLIMA

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FILMOGRAFIA (LONGAS):

BERLIN ’39 – SEXO, PODER E TRAIÇÃO, aka Berlino ’39 (1994)
SOLO PER DIRTI ADDIO
(1992) (TV);  Inédito no Brasil
PASSI D’AMORE
(1989); Inédito no Brasil
UOMO CONTRO UOMO
(1987) (TV);  Inédito no Brasil
SANDOKAN, O TIGRE DA MALÁSIA, aka La tigre è ancora viva: Sandokan alla riscossa
(1977) (TV)
IL CORSARO NERO
(1976); Inédito no Brasil
OS RAPTORES EM AÇÃO, aka Revolver 
(1973)
O CÉREBRO DO MAL, aka Il diavolo nel cervello
(1972)
CIDADE VIOLENTA, aka Città violenta
(1970)
CORRE HOMEM CORRE, aka Corri uomo corri
(1968)
QUANDO OS BRUTOS SE DEFRONTAM, aka Faccia a faccia
(1967)
O DIA DA DESFORRA, aka La Resa dei Conti
(1967)
REQUIEM PER UN AGENTE SEGRETO
(1966); Inédito no Brasil
AGENTE ESPECIAL 3S3, aka Agente 3S3: Massacro al sole
(1966)
ALTA ESPIONAGEMm, aka Agente 3S3: Passaporto per l’inferno
(1965)
Amores Eróticos
, aka L’amore difficile (1962) (Segmento “Le donne”)