Quando os Brutos se Defrontam (Faccia a Faccia, 1967), Sergio Sollima

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A esta altura, é notório que um dos gêneros pelo qual Sergio Sollima ficou conhecido foi o faroeste italiano, formando a tríade dos “Sergio’s” junto com o Corbucci (Django, O Grande Silêncio, etc) e o Leone (que dispensa apresentações). Embora tenha dirigido apenas três exemplares, o talento de Sollima não fica atrás da capacidade de seus companheiros e por isso é fácil colocá-lo nesta posição. Seus westerns são de um nível tão elevado que, mesmo se tivesse realizado somente estes três filmes em toda a sua carreira, seu lugar entre os grandes mestres do cinema italiano estaria garantido.

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Quando os Brutos se Defrontam é, sem dúvida alguma, um de seus momentos mais inspirados. Possui trilha de Ennio Morricone e uma fotografia bastante sofisticada que ocupa todo o scope com riqueza de detalhes. O filme trata das transformações de personalidades utilizando os elementos mais simples da dualidade humana como o bem e o mal, o certo e o errado, etc. O fato é que existe o professor Brad Fletcher, interpretado pelo grande Gian Maria Volontè (o vilão de Por um Punhado de Dólares e Por uns Dólares a Mais), sujeito de um ótimo caráter que sofre de uma doença e procura paz em uma cidadezinha no período da guerra civil. Do outro lado temos o oposto, Solomon ‘Beauregard’ Bennet, encarnado pelo cubano Tomas Milian, um dos maiores astros do cinema italiano. Bennet é um perigoso Fora da Lei que seqüestra o professor em determinada situação.

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A brutalidade intrínseca na alma de Bennet gera uma certa admiração pelo bondoso professor. Gradativamente, Sergio Sollima vai trabalhando as mudanças, fruto da relação entre os dois, que já não é mais a de seqüestrador-refém. Uma certa seqüência chave, onde Fletcher salva a vida de Bennet e comete seu primeiro assassinato, dá início a uma série de reflexões, principalmente por parte do pistoleiro, que questiona a utilização da violência em seu modo de vida, enquanto o professor passa a ser afetado pela frieza e o gosto de sangue. É um tanto filosófico para o público acostumado apenas em ver o confronto entre o bem e o mal sem refletir sobre a natureza desses elementos, mas não deixa de ser um fator que enobrece este magnífico western spaghetti de Sergio Sollima.

5por Ronald Perrone

19 thoughts on “Quando os Brutos se Defrontam (Faccia a Faccia, 1967), Sergio Sollima

  1. texto do Rafael H. Quinsani:

    Do Dollari Rosso – Texto do Rafael H. Quinsani
    Faccia a Faccia (Itália)
    Face to Face (EUA)
    Direção: Sergio Sollima
    Com: Gian Maria Volonté, Tomas Milian, William Berger, Gianni Rizzo e Aldo Sambrell.

    Por Rafael Hansen Quinsani

    Depois de abordar o funcionamento das estruturas de poder e a influência que a fronteira exerce no comportamento humano, Sergio Sollima fez o que parecia impossível: foi mais longe e aprofundou estas questões no magnífico Face a Face (Faccia a Faccia – 1967). Sollima constrói uma análise sobre o homem e a história tendo como eixo a ação dos dois personagens centrais: Solomon ‘Beauregard’ Bennet (Tomas Milian) e o professor Brad Fletcher (Gian Maria Volonté).
    De maneira direta somos apresentados ao personagem de Gian Maria Volonté, o professor Brad Fletcher, que num tom melancólico profere sua última aula para seus alunos. A postura, seu tom de voz e as roupas demonstram a imponência do ambiente e os valores burgueses agregados ao elemento da educação. Brad Fletcher comunica que aquela é a sua última aula, pois precisará se tratar de uma enfermidade. Antes, não deixa de passar uma mensagem aos alunos: “- Cada homem escolherá sua parte na história”, mas em seguida Sollima insere um contraponto, pois o diretor da escola indaga a Brad Fletcher sua falta de ambição por seus interesses. Do cenário de Boston a ação se transpõe para o Texas e é inserida a abertura do filme para marcar esta diferença.
    Já sob o sol escaldante do Texas o desenrolar da história busca mostrar que o caráter de Brad Fletcher não se alterou. Quando ‘Beauregard’ é jogado no chão pelas autoridades da diligência o professor reclama da ausência dos direitos humanos. Ou seja, sua postura de humanista é ressaltada ante o cenário e os outros personagens do oeste. E é justamente com esses fatores que o professor irá se confrontar daqui para frente: como exemplo, temos sua inaptidão para atirar e a falta de sangue frio para retirar uma bala em ‘Beauregard’. O professor fica a margem da ação e diferencia-se do contexto do oeste que é claramente destacado quando o personagem de William Berger (Charlie Siringo, disfarçado de pistoleiro a serviço do governo) apresenta aquilo que caracteriza como “suas credenciais”: uma série de cartazes com anúncios de recompensa pela sua captura. Não deixa de ser curioso a denominação ao personagem de William Berger, um dos mais característicos dos Westerns americanos, se caracterizar como uma ironia por parte de Sollima. A passividade e “falta de ambição” do professor são acentuados quando este assiste pela janela de um prédio da cidade a ação realizada por ‘Beauregard’. Contudo, pelo seu caráter, além do papel de observador também está intrínseco a atitude de estudar o ambiente para dele tirar um julgamento adequado.
    Nesta seqüência Sollima insere a presença dos capitalistas e burgueses William (Gianni Rizzo) e Taylor que detêm o poder da localidade. Seus interesses influem no cotidiano e nas relações econômicas e de poder da cidade. Sua importância é acentuada na cena do confronto, ao qual Sollima narra a partir do vista dos dois, confortavelmente sentados no alto de um prédio. Suas fisionomias e reações descrevem o andamento do confronto. Uma ruptura é inserida quando o professor salva a vida de ‘Beauregard’, pois esta atitude pode ser caracterizada como um ritual de passagem, um estágio que marca uma transposição da fronteira de mundos diferentes que ironicamente se dá em Purgatory City. Deste ponto em diante não há mais como desligar-se do oeste e a sua inserção começará a se aprofundar.
    As transformações e o avanço da lei começam a se acentuar nesse contexto, apontado pela chegada de ‘Beauregard’ e Brad Fletcher a uma propriedade onde uma mulher diz que seu proprietário está juntando escravos e acrescenta: “- ou deveria dizer criados … as palavras não mudam nada”. O professor e ‘Beauregard’ seguem caminho até Puerta del Fuego uma comunidade de “renegados” no deserto. Este lugar marca o último estágio dos elementos sobreviventes do oeste, da resistência ao avanço do capitalismo e suas instituições. Estes fatores são declarados por um membro do grupo que exclama: “- ele (um bandoleiro) vive do passado, tem que dar um pouco de vida a ele. Tem muito trabalho por aqui. Todos aqui em Fuego são fantasmas. Caçadores de búfalo quando não há mais. Caubóis quando não há mais vacas. Garimpeiros quando não há mais ouro. A fronteira é seu único divertimento, nem conseguem aceitar o telégrafo. O trem é a única realidade”.

    O professor passa a se inserir cada vez mais envolvendo-se numa briga por ter “tomado” a força a mulher de outro (a bela Jolanda Modio) e planeja um assalto ao banco sem violência e tiroteio. O plano não funciona por que ‘Beauregard’ não reage quando uma criança descobre o assalto e avisa ao xerife. ‘Beauregard’ é preso e o professor passa a assumir o controle de Puerta del Fuego suprimindo a liberdade e instalando uma divisão de trabalho de forma autoritária. A reação da civilização não tarda e os cidadãos são conclamados a se unirem para enfrentar a barbárie que ameaça a todos. Após o massacre em Puerta del fuego, um sobrevivente exclama a ‘Beauregard’ “ – a lei veio me buscar….não houve testemunhas para o massacre”. Podemos traçar um paralelo com tantos outros acontecimentos da história que são esquecidos ou renegados conforme diversos interesses.

    A grande seqüência de Face a Face se dá quando o professor interroga um espião da comunidade. Brad Fletcher exalta: “- sempre olhei a vida como espectador antes de descobrir minha força interna …. uma alma violenta pode guiar cem ou cem mil. Esse é o ponto: separe os fora-da-lei dos assassinos seguidos pela multidão… isso chama-se história”. Na primeira cena do filme o professor destaca a possibilidade de escolha que é oferecida ao ser humano. Ao longo do filme diversas dualidades são oferecidas: Certo X Errado; Humano X Desumano; Civilização X Barbárie; Cidadãos X Bandidos, etc. Se o ser humano tem a possibilidade de escolha, de autonomia, portanto, logo suas ações e escolhas estão inseridas dentro de um processo histórico, que se constrói, que não é fixo e passível de mudança. Não é sem razão que Carlos Reichenbach caracteriza Face a Face como um Spaghetti dialético. Sollima constrói sua história através de uma argumentação gerada por oposições que se resolve não exatamente em uma unidade.
    Sollima mostra que o ‘civilizado’ pode ter o bárbaro dentro de si e vice e versa. Em alguns casos barbárie e civilização podem se equivaler. Idealizamos o civilizado como aquele que possui um comportamento elevado, que pertence ao um Estado ou uma sociedade mais evoluída em contraponto aos bárbaros cruéis e selvagens. Sollima mostra que os civilizados podem ser bárbaros quando massacram a cidade, matando mulheres e crianças e que os bárbaros podem ser civilizados quando uma mulher cede seu lugar no cavalo para salvar uma criança. Sollima também destaca que o ‘civilizado’ tem consciência dos seus atos mas não retira a possibilidade dos ‘bárbaros’ de adquiri-las ao longo do processo histórico. A diferença está na forma de agir de cada um deles.
    Sollima constrói sua obra-prima com uma narrativa marcada por panorâmicas e travellings que descrevem o cenário ao mesmo tempo em que os diálogos. Ao fim Siringo conclama a ‘Beauregard’ que se entregue em nome da lei, em pleno deserto… a lei, as instituições e os valores podem chegar a todos os lugares, até mesmo no interior do ser humano…

    Fonte:

    http://dollarirosso.blogspot.com/2007/01/face-face-1967.html

  2. bate papo – comentarios no blog viscera do Herax quando do lançamento do filme em dvd:

    ****

    16 Responses to “Mais spaghetti-westerns em DVD!”
    Osvaldo Neto Says:
    March 2nd, 2007 at 11:40 am
    FACE A FACE!! PQP!! Deus existe!!

    xmaniac Says:
    March 2nd, 2007 at 12:09 pm
    Deus existe se estiver em widescreen, do contrário eh melhor virar ateu.

    Osvaldo Neto Says:
    March 2nd, 2007 at 12:19 pm
    Sim! Me esqueci desse grande detalhe hehehe.

    Luiz Alexandre Says:
    March 2nd, 2007 at 9:55 pm
    Deus os Cria…Eu Os Mato? Nunca vi, mas só pelo nome fiquei interessado. Os faroestes italianos tem alguns dos melhores nomes da história, hehehe.

    xmaniac Says:
    March 3rd, 2007 at 11:08 am
    Com certeza Luiz! Um dos meus títulos preferidos eh: HOMENS MORTOS NÃO FAZEM SOMBRA!

    Rafael HQ Says:
    March 4th, 2007 at 12:50 am
    O simples fato de Face a Face sair em dvd corrige um grande defeito das nossas distribuidoras…pedir qualidade (e capas decentes) é outra história…comentávamos isso no DOLLARIROSSO a pouco tempo, que coisa!….mas já um pequeno passo…
    ….grande abraço, herax!

    RAFAEL HQ.

    ELTON Says:
    March 4th, 2007 at 8:43 am
    putz, espero há uns 5 anos por esse dvd do FACE … tenho fé sim de que esteja em WIDE

    esse DEUS … eu tb sempre quis ver, mas sem pressa

    Andre Says:
    March 4th, 2007 at 11:05 am
    Outro título que adoro é DEUS PERDOA… EU NÃO!

    Juliano Says:
    March 5th, 2007 at 1:15 am
    Na DVD World (http://dvdworld.com.br/dvdworld.hts?+NW58078+acha) diz que o disco é Widescreen & 16×9 Anamórfico.
    Por outro lado, a duração é de 92 minutos. A versão para ser baixada no emule tem 106…

    Daniel The Walrus Says:
    March 5th, 2007 at 2:15 am
    Eu ainda quero MEU NOME É NINGUÉM e TRINITY E SEUS COMPANHEIROS..

    E por favor, comprem a VIP desse mês. È uma das melhores edições em ANOS!

    Tem entrevista com DE NIRO, uma agenda hilária de acontecimentos no mundo junto com o tempo q o GUILHERME FONTES está para filmar CHATÔ- REI DO BRASIL, a lista dos goleiros mais complicados do BRASIL…Ah, sim. E tem a JAQUELINE PETCOVICH gostosna na capa. hahahha

    xmaniac Says:
    March 5th, 2007 at 10:40 am
    Juliano, estando em wide já respiro aliviado. Agora eh descobrir qual a diferenca entre a versao de 92 e a de 106. Eu ja assisti o DVD japones mas nao lembro o tempo de duracao.

    MEU NOME EH NINGUEM eh dvdteca basica. TRINITY E SEUS COMPANHEIROS nao curto, mas tambem tenho em DVD.

    ELTON Says:
    March 6th, 2007 at 5:09 am
    antes wide picotado do que completo em FULL

    alguém sabe se os minutos cortados são muito importantes ?

    ELTON Says:
    March 6th, 2007 at 5:12 am
    no YOU TBE tem o trailer do filme, em WIDE

    xmaniac Says:
    March 6th, 2007 at 10:57 am
    Elton, assino embaixo, mas assim que eu souber o que tem nos minutos cortados divulgo por aqui.

    Raphael Araujo Says:
    March 6th, 2007 at 4:06 pm
    Héraxxx faltou “Sartana é o seu nome” veja no link

    xmaniac Says:
    March 6th, 2007 at 5:15 pm
    Raphael, valeuzao pela dica, realmente nao estava sabendo! Depois criarei um topico sobre mais este lancamento.

    ***

    http://74.125.47.132/search?q=cache:RGdq2sUVwPEJ:xmaniac.net/viscera/%3Fp%3D148+face+a+face+viscera+blog&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

  3. millian

    Tomas Milian
    (Tomas Quintin Rodriguez)

    BIOGRAFIA E FILMOGRAFIA COMPLETA

    THE BOUNTY KILLER – LA MORTE TI SEGUE MA NON HA FRETTA

    ORO HONDO – SE SEI VIVO SPARA!

    LA RESA DEI CONTI

    FACCIA A FACCIA

    CORRI UOMO CORRI

    SENTENZA DI MORTE

    TEPEPA

    O’ CANGACEIRO

    VAMOS A MATAR COMPANEROS

    LA BANDA J&S CRONACA CRIMINALE NEL FAR WEST

    LA VITA A VOLTE E’ MOLTO DURA, VERO PROVVIDENZA?

    CI RISIAMO, VERO PROVVIDENZA?

    IL BIANCO, IL GIALLO, IL NERO

    I QUATTRO DELL’ APOCALISSE

    Fonte>
    http://www.spaghettiwestern.altervista.org/milian_home.htm

  4. FACCIA A FACCIA

    Anno: 1967
    Cast: Tomas Milian, Gian Maria Volontè, Carol Andrè, William Berger, Iolanda Modio, Gianni Rizzo.
    Durata: 102 min.
    Regia: Sergio Sollima

    Un professore colto e pacifico si trasferisce nel West, dove pensa che il sole può aiutarlo a guarire dalla sua tubercolosi. Qui viene preso in ostaggio dal fuorilegge Beauregard Bennet, daprima il professore tenta in tutti i modi di redimere il bandito, ma poi pian piano, affascinato dal tipo di vita avventurosa, decide di unirsi alla sua banda. Infine si trasformerà in un’uomo spietato ancor più del bandito, che si vedrà costretto a doverlo fermare con la forza.

    Ancora Sollima, ancora uno straordinario Tomas Milian, qui è nei panni del bandito Beauregard Bennet ultimo rimasto del “Branco selvaggio”, durante una sue evasione prende in ostaggio un pacifico insegnante (Gian Maria Volontè) quest’ultimo ben presto affascinato dalla vita del fuorilegge diviene ben presto più spietato e cinico di qualsiasi altro bandito. Ma la sua ascesa verrà interrotta dallo stesso Beauregard disgustato dal suo comportamento sempre più feroce. Altra perla del western di Sollima e altro straordinario personaggio dato vita da un Tomas Milian in splendida forma. Sollima questa volta analizza la complessità dell’animo e della mente umana, infatti il personaggio di Volontè ci fa vedere quanto letale possa essere una mente assetata di potere con in più un’intelligenza e una cultura. E quanto sia sottile la linea tra un criminale e un uomo apparentemente considerato normale, anzi in questo caso la criminalità del bandito Milian è anche più giustificata da quella di Volontè. Gran bel spaghetti western che si differenzia sopratutto in originalità oltre che nell’interpretazione e la regia, straordinaria fotografia, una pellicola da vedere e da avere.

    http://www.spaghettiwestern.altervista.org/faccia_faccia.htm

  5. simplismente fantástico, Volonté e Miliam estão perfeiotas, esse é o primeiro filme do Sollima que eu assisti, maravilhoso esse filme e com grandes dialogos, muito bom

  6. Texto do Rodrigo Carreiro:

    O mais célebre fanático por faroestes espaguete, Quentin Tarantino, não se cansa de louvar a boa qualidade dos cineastas italianos (e espanhóis) que surgiram no rastro do sucesso dos filmes estilizados de Sergio Leone, nos idos da década de 1960. “O Dia da Desforra” (La Resa dei Conti, Itália/Espanha, 1966) apenas confirma a opinião do diretor de “Pulp Fiction”. Realizado por Sergio Sollima, o filme foi o primeiro de uma série de três westerns do obscuro diretor, quase desconhecido internacionalmente, a alcançar fama. O longa destacou-se invasão de produções italianas, então feitas aos borbotões, graças ao equilíbrio entre as características mais marcantes do gênero e elementos narrativos originais, que garantem frescor ao resultado final.

    De fato, “O Dia da Desforra” é um dos poucos faroestes italianos que tenta investir, com sucesso, em uma veia mais autoral, sem se contentar em simplesmente repetir a receita clássica “cozinhada” por Leone. Sollima é mais generoso no uso de humor, e tem aspirações um pouco mais ambiciosas, no que se refere ao subtexto político. O uso de elementos cômicos dá leveza ao todo, ajudando a modular a tensão de uma perseguição que percorre quase toda a duração do filme, além de comentar e realçar certos aspectos políticos do enredo. Observe, por exemplo, a piada venenosa a respeito da quarta esposa do pastor mórmon cuja expedição os protagonista encontram, logo no início do segundo ato, e que se refere ao machismo latente daquele grupo religioso.

    O longa-metragem assume o caráter episódico de um road movie, tendo sido estruturado como uma série de esquetes em que protagonista e antagonista se encontram, a cada intervalo de 15 minutos, em um novo ambiente, povoado por grupos diferentes de personagens secundários. O herói é um arquétipo do faroeste espaguete: um caçador de recompensas (Lee Van Cleef) de mira infalível e coragem ilimitada. Ao contrário do misterioso personagem sem nome de Clint Eastwood nos filmes de Leone, porém, Jonathan Corbett tem um passado definido e um futuro promissor. Possui um código de ética rígido e tem até mesmo aspirações políticas.

    Durante uma festa patrocinada por um magnata (Walter Barnes), Corbett recebe a notícia de que Cuchillo Sanchez (Tomas Milian), um anônimo ladrão mexicano, acaba de fugir da cidade, após estuprar e matar uma garota de 12 anos. O pistoleiro logo se prontifica a realizar a caçada. Cuchillo de revela um bandido fácil de rastrear, mas bem difícil de capturar. Uma das grandes virtudes do longa-metragem é a relativa imprevisibilidade da narrativa, que inclui uma reviravolta no terceiro ato. A trilha sonora de Ennio Morricone também é muito boa, embora seja extremamente parecida (arranjos, escolha de instrumentos e até algumas frases musicais) com a inesquecível música de “Três Homens em Conflito”, o grande épico do estilo que Leone filmou alguns meses antes.

    Embora não seja tão estilista quanto o homônimo mais famoso, Sergio Sollima usa muito bem as paisagens esturricadas do deserto espanhol de Almeria. Ele filma os duelos de maneira bem parecida que Leone, intercalando planos fechados dos rostos dos pistoleiros com planos gerais em câmera baixa e profundidade de foco, quase sempre enquadrando um detalhe em primeiro plano (uma arma, uma mão, uma bota) e a cena propriamente dita ao fundo. A montagem, porém, é mais rápida e menos solene do que nos filmes de Leone. Aliada aos toques cômicos, esta característica contribui para dar uma dinâmica mais trivial e menos operística à produção.

    A química entre os dois atores principais também é muito boa. Van Cleef, sempre eficiente no estilo, nem precisa fazer muito esforço. Ele repete os cacoetes desenvolvidos para o já citado “Três Homens em Conflito”, utilizando até mesmo um cachimbo idêntico ao do outro filme para compor o personagem e injetar tensão às cenas de duelo. Tomas Milian rouba a cena construindo um Cuchillo como um esquivo ladrão de galinhas que prefere as facas aos revólveres (preferência que acaba gerando uma cena bem original, já perto do clímax). No todo, temos aqui um prato cheio para amantes do spaghetti western.

    O filme nunca foi lançado no Brasil em DVD, e é bem difícil de ser encontrado até mesmo nos Estados Unidos neste formato. Contudo, é possível achá-lo na Região 2 (Europa), em duas edições bem distintas. Uma delas, pobre, tem imagem de cores lavadas no formato widescreen letterboxed, com áudio em espanhol (Dolby Digital 2.0). A outra, também sem extras, tem imagem bem melhor (wide 2.35:1 anamórfica), também com áudio em dois canais (DD 2.0).

    – O Dia da Desforra (La Resa dei Conti, Itália/Espanha, 1966)
    Direção: Sergio Sollima
    Elenco: Lee Van Cleef, Tomas Milian, Luisa Rivelli, Fernando Sancho
    Duração: 105 minutos

    ***

    Fonte:

    http://www.cinereporter.com.br/dvd/dia-da-desforra-o/

  7. Comentarios no Viscera/Blog quando do lançamento em dvd do Face a Face:

    http://74.125.47.132/search?q=cache:RGdq2sUVwPEJ:xmaniac.net/viscera/%3Fp%3D148+viscera+blog+face+a+face&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

    ****

    16 Responses to “Mais spaghetti-westerns em DVD!”
    Osvaldo Neto Says:
    March 2nd, 2007 at 11:40 am
    FACE A FACE!! PQP!! Deus existe!!

    xmaniac Says:
    March 2nd, 2007 at 12:09 pm
    Deus existe se estiver em widescreen, do contrário eh melhor virar ateu.

    Osvaldo Neto Says:
    March 2nd, 2007 at 12:19 pm
    Sim! Me esqueci desse grande detalhe hehehe.

    Luiz Alexandre Says:
    March 2nd, 2007 at 9:55 pm
    Deus os Cria…Eu Os Mato? Nunca vi, mas só pelo nome fiquei interessado. Os faroestes italianos tem alguns dos melhores nomes da história, hehehe.

    xmaniac Says:
    March 3rd, 2007 at 11:08 am
    Com certeza Luiz! Um dos meus títulos preferidos eh: HOMENS MORTOS NÃO FAZEM SOMBRA!

    Rafael HQ Says:
    March 4th, 2007 at 12:50 am
    O simples fato de Face a Face sair em dvd corrige um grande defeito das nossas distribuidoras…pedir qualidade (e capas decentes) é outra história…comentávamos isso no DOLLARIROSSO a pouco tempo, que coisa!….mas já um pequeno passo…
    ….grande abraço, herax!

    RAFAEL HQ.

    ELTON Says:
    March 4th, 2007 at 8:43 am
    putz, espero há uns 5 anos por esse dvd do FACE … tenho fé sim de que esteja em WIDE

    esse DEUS … eu tb sempre quis ver, mas sem pressa

    Andre Says:
    March 4th, 2007 at 11:05 am
    Outro título que adoro é DEUS PERDOA… EU NÃO!

    Juliano Says:
    March 5th, 2007 at 1:15 am
    Na DVD World (http://dvdworld.com.br/dvdworld.hts?+NW58078+acha) diz que o disco é Widescreen & 16×9 Anamórfico.
    Por outro lado, a duração é de 92 minutos. A versão para ser baixada no emule tem 106…

    Daniel The Walrus Says:
    March 5th, 2007 at 2:15 am
    Eu ainda quero MEU NOME É NINGUÉM e TRINITY E SEUS COMPANHEIROS..

    E por favor, comprem a VIP desse mês. È uma das melhores edições em ANOS!

    Tem entrevista com DE NIRO, uma agenda hilária de acontecimentos no mundo junto com o tempo q o GUILHERME FONTES está para filmar CHATÔ- REI DO BRASIL, a lista dos goleiros mais complicados do BRASIL…Ah, sim. E tem a JAQUELINE PETCOVICH gostosna na capa. hahahha

    xmaniac Says:
    March 5th, 2007 at 10:40 am
    Juliano, estando em wide já respiro aliviado. Agora eh descobrir qual a diferenca entre a versao de 92 e a de 106. Eu ja assisti o DVD japones mas nao lembro o tempo de duracao.

    Daniel, valeu a dica da VIP desse mes. Vou comprar! A Jaqueline eh aquela loirinha que comandava um programa infantil?

    MEU NOME EH NINGUEM eh dvdteca basica. TRINITY E SEUS COMPANHEIROS nao curto, mas tambem tenho em DVD.

    ELTON Says:
    March 6th, 2007 at 5:09 am
    antes wide picotado do que completo em FULL

    alguém sabe se os minutos cortados são muito importantes ?

    ELTON Says:
    March 6th, 2007 at 5:12 am
    no YOU TBE tem o trailer do filme, em WIDE

    xmaniac Says:
    March 6th, 2007 at 10:57 am
    Elton, assino embaixo, mas assim que eu souber o que tem nos minutos cortados divulgo por aqui.

    Raphael Araujo Says:
    March 6th, 2007 at 4:06 pm
    Héraxxx faltou “Sartana é o seu nome” veja no link

    xmaniac Says:
    March 6th, 2007 at 5:15 pm
    Raphael, valeuzao pela dica, realmente nao estava sabendo! Depois criarei um topico sobre mais este lancamento.

  8. Este link acima é de quando do lançamento do filme anunciado no viscerablog do Herax, com os comentarios abaixo:

    FACE A FACE (Faccia a faccia), uma das obras-primas de Sergio Sollima, sai pela New Line com o nome que era o subtítulo da versão em VHS: QUANDO OS BRUTOS SE DEFRONTAM. Se estiver em widescreen, é pra comprar no ato!

  9. 14 dos 16 comentarios:

    16 Responses to “Mais spaghetti-westerns em DVD!”
    1. Osvaldo Neto Says:
    March 2nd, 2007 at 11:40 am
    FACE A FACE!! PQP!! Deus existe!!
    2. xmaniac Says:
    March 2nd, 2007 at 12:09 pm
    Deus existe se estiver em widescreen, do contrário eh melhor virar ateu.
    3. Osvaldo Neto Says:
    March 2nd, 2007 at 12:19 pm
    Sim! Me esqueci desse grande detalhe hehehe.
    4. Luiz Alexandre Says:
    March 2nd, 2007 at 9:55 pm
    Deus os Cria…Eu Os Mato? Nunca vi, mas só pelo nome fiquei interessado. Os faroestes italianos tem alguns dos melhores nomes da história, hehehe.
    5. xmaniac Says:
    March 3rd, 2007 at 11:08 am
    Com certeza Luiz! Um dos meus títulos preferidos eh: HOMENS MORTOS NÃO FAZEM SOMBRA!
    6. Rafael HQ Says:
    March 4th, 2007 at 12:50 am
    O simples fato de Face a Face sair em dvd corrige um grande defeito das nossas distribuidoras…pedir qualidade (e capas decentes) é outra história…comentávamos isso no DOLLARIROSSO a pouco tempo, que coisa!….mas já um pequeno passo…
    ….grande abraço, herax!
    RAFAEL HQ.
    7. ELTON Says:
    March 4th, 2007 at 8:43 am
    putz, espero há uns 5 anos por esse dvd do FACE … tenho fé sim de que esteja em WIDE
    esse DEUS … eu tb sempre quis ver, mas sem pressa
    8. Andre Says:
    March 4th, 2007 at 11:05 am
    Outro título que adoro é DEUS PERDOA… EU NÃO!
    9. Juliano Says:
    March 5th, 2007 at 1:15 am
    Na DVD World (http://dvdworld.com.br/dvdworld.hts?+NW58078+acha) diz que o disco é Widescreen & 16×9 Anamórfico.
    Por outro lado, a duração é de 92 minutos. A versão para ser baixada no emule tem 106…
    10. Daniel The Walrus Says:
    March 5th, 2007 at 2:15 am
    Eu ainda quero MEU NOME É NINGUÉM e TRINITY E SEUS COMPANHEIROS..
    E por favor, comprem a VIP desse mês. È uma das melhores edições em ANOS!
    Tem entrevista com DE NIRO, uma agenda hilária de acontecimentos no mundo junto com o tempo q o GUILHERME FONTES está para filmar CHATÔ- REI DO BRASIL, a lista dos goleiros mais complicados do BRASIL…Ah, sim. E tem a JAQUELINE PETCOVICH gostosna na capa. hahahha
    11. xmaniac Says:
    March 5th, 2007 at 10:40 am
    Juliano, estando em wide já respiro aliviado. Agora eh descobrir qual a diferenca entre a versao de 92 e a de 106. Eu ja assisti o DVD japones mas nao lembro o tempo de duracao.
    Daniel, valeu a dica da VIP desse mes. Vou comprar! A Jaqueline eh aquela loirinha que comandava um programa infantil?
    MEU NOME EH NINGUEM eh dvdteca basica. TRINITY E SEUS COMPANHEIROS nao curto, mas tambem tenho em DVD.
    12. ELTON Says:
    March 6th, 2007 at 5:09 am
    antes wide picotado do que completo em FULL
    alguém sabe se os minutos cortados são muito importantes ?
    13. ELTON Says:
    March 6th, 2007 at 5:12 am
    no YOU TBE tem o trailer do filme, em WIDE
    14. xmaniac Says:
    March 6th, 2007 at 10:57 am
    Elton, assino embaixo, mas assim que eu souber o que tem nos minutos cortados divulgo por aqui.

  10. Herax, o blog antigo não dá mais pra acessar normalmente?
    Aqueles toques todos, lançamentos, resenhas, fotos das beldades (e poem beldade nisso…), comentários sobre diretores de cinemas, atores, atrizes, etc, estão tudo e todos perdidos?

  11. Perrone, Caraça, Hex entre outros amigos no mesmo blog?

    Deixa eu adicionar esta porra assim que melhorar e fazer um post especial.
    Veja no blog do carlao o ultimo clipe que fiz de psychobilly bem du mal! Deixem opinioes no meu blog….

    Abraço amigos!

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