Enigmas de um Crime (The Oxford Murders, 2008), Álex de la Iglesia

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Baseado numa obra do matemático e escritor argentino Guillermo Martinez, Enigmas de um Crime marca a volta de Álex de la Iglesia para uma produção falada em inglês. Temos aqui uma clássica trama de mistério e assassinato onde um estudante americano (Elijah Wood) e um ainda mais brilhante catedrático de Oxford (John Hurt) precisam esquecer a animosidade inicial e usar os seus intelectos para solucionar uma morte, que tudo indica será a primeira de uma série. Como pista, o criminoso deixou um bilhete com um símbolo matemático. Para antecipar os passos do assassino, a improvável dupla precisará decifrar qual será o próximo símbolo da sequencia. É um bom começo para um filme promissor. Pena que que o resultado final se mostre aquém do esperado. Mesmo o mais ferrenho fã de Alex de la Iglesia vai reconhecer que se trata de seu trabalho mais fraco.

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O roteiro escrito por ele e por seu colaborador de sempre, Jorge Guerricaechevarria, trilha o caminho dos contos de Agatha Christie e com a elegância que apenas os bons discípulos de Alfred Hitchcock são capazes. O principal problema aqui é mesmo a história original, que ao seu final não traz o impacto esperado. Iglesia como sempre, constrói quadros de grande apuro visual mas parece se perder na lógica e nos diálogos cerebrais dos protagonistas. O que falta é o exagero narrativo de um Argento ou De Palma, e sem isso, Enigmas de um Crime se torna só um suspense um pouco melhor do que as atuais produções americanas. Não é um filme sem qualidades. John Hurt está ótimo como sempre e Elijah Wood mostra que está deixando a Terra-Média para trás. E o diretor Alex Cox aparece como um matemático cuja sanidade foi consumida por uma equação indecifrável. Uma obra agradável de assistir, mas que fica abaixo da média do cineasta espanhol.

Leandro Caraça

Crime Ferpeito (Crimen Ferpecto, 2004), Álex de la Iglesia

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Além das características mais óbvias que foram apontadas no decorrer do mês, nas resenhas dos outros compañeros de blog, o cinema de Álex de la Iglesia parece ter, também, grande parte do seu pé de apoio nas referências aos filmes que definiram a sua formação cinéfila. Todos os seus trabalhos se desenvolvem a partir de homenagens, reverências e brincadeiras com os gêneros, estilos e fitas que devem ter feito a cabeça deste espanhol maluco no frescor da juventude, método semelhante ao de Tarantino. Portanto, é cinema dos mais sinceros e apaixonados, realizado por um cinéfilo com muita bagagem e talento suficiente para formar um estilo próprio.

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Crime Ferpeito é um bom exemplo disso. Ambientado no mundo dos negócios, dentro de uma loja de departamentos, somos apresentados a Rafael (Guillermo Toledo), um magnífico vendedor do setor feminino que utiliza todo seu poder de sedução para persuadir as clientes e transar com as funcionárias depois do expediente. Sua maior ambição é tornar-se gerente geral, mas por conta de alguns problemas, quem acaba promovido é o seu grande rival do setor masculino, Don Antonio Fraguas (Luis Varela).

Deprimido e desesperado, Rafael, acidentalmente, comete um assassinato dentro da loja e precisa esconder o corpo, não levantar suspeitas, manter a calma, etc, tudo para que seu crime, mesmo involuntário, seja perfeito. Mas acaba “ferpeito”. O único detalhe é que uma funcionária, Lourdes (Mónica Cervera), testemunhou toda a desgraça. Lourdes é aquela típica funcionária inimiga da beleza que ninguém nota e que deve existir em todos os locais de trabalho. Conselho de amigo: muito cuidado com esse tipo de gente! Quando ocorrem problemas como este, elas oferecem ajuda, mas depois transformam sua vida num verdadeiro inferno! Rafael que o diga…

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É a partir de toda esta situação que o nosso estimado diretor, Álex de la Iglesia, aproveita para prestar seus tributos cinematográficos: de Hitchcock, em Disque M para Matar (que na Espanha possui o título de El Crimen Perfecto), ao seu conterrâneo Luis Buñuel, em Ensaio de um Crime. Sem perder o estilo peculiar – com seu humor negro afiado, personagens marcantes, ácida crítica à sociedade – Iglesia apresenta um filme sóbrio nas extravagâncias visuais, tentando ao máximo construir um universo palpável, apesar das situações exacerbadas que divertem do início ao fim.

4

Ronald Perrone

800 Balas (2002), Álex de la Iglesia

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A mais bela homenagem ao Spaghetti Western já realizada pelo Cinema. Ao invés de tentar reproduzir as peculiares características clássicas do célebre gênero italiano (como os péssimos Rápida e mortal e A vida por um Dólar), Álex de la Iglesia optou por contar uma história atual e recheada de nostalgia em 800 Balas. Auxiliado por um excelente elenco, Iglesia conseguiu atingir uma dramaticidade até então ausente de sua obra, harmonizando perfeitamente este novo elemento com seu habitual humor negro.

O roteiro do próprio Iglesia, escrito em parceria com Jorge Guerricaechevarría, acompanha a decadente rotina de Julián (Sancho Gracia), um velho ex-dublê de cinema que trabalhou em dezenas de westerns e filmes de aventura. Atualmente, Julián comanda um show para turistas no estilo “Oeste Selvagem” em uma decrépita cidade cenográfica na Almeria (região da Espanha notória pelos Spaghetti Westerns). Seu dia a dia de bebedeiras com os companheiros de elenco é abalado com a chegada inesperada do seu neto Carlos (Luis Castro), que fugiu de casa. A surpresa leva Julian a encarar a parte sombria de seu passado: a morte do filho, também dublê, durante uma filmagem. Laura (Carmen Maura), sua ex-nora e uma poderosa empresária do ramo imobiliário, entra em conflito com Julián, armando uma vingança que levará os falsos caubóis a uma luta de verdade.

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800 Balas é o filme mais “leve” e acessível da carreira de Álex de la Iglesia. Não fossem algumas breves cenas de sexo e nudez (uma delas bastante polêmica) o filme passaria por uma gentil sessão de tarde. Mas isso não significa que o diretor espanhol tenha deixado para trás suas obsessões. Personagens bizarros, perdedores e outsiders permeiam toda a narrativa. O humor negro também marca forte presença, embora sem os momentos grotescos de suas obras anteriores.

Sancho Gracia, que atuou em vários westerns italianos (como Per il gusto di uccidere e Se sei vivo, spara!), está espetacular em cena. Seu personagem tragicômico conquista o espectador facilmente. Uma cena se destaca entre os momentos hilários da história por conta da sua “coincidência” com a vida real: aquela em que Julián conta para um amigo como transou com a atriz Rachel Welch no set de 100 Rifles (1968). Sancho Gracia realmente atuou em 100 Rifles, com Rachel Welch!

Os fãs do western macarrônico irão se deleitar com as inúmeras referências ao gênero, neste emocionante tributo. Os cenários da Almeria são uma atração a parte, e praticamente imploram pela volta do western às suas paisagens desérticas. 800 Balas está disponível em DVD no Brasil.

4

Cesar Almeida

Muertos de Risa (1999), Álex de la Iglesia

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Único longa do Álex de la Iglesia inédito no Brasil, Muertos de Risa não é uma comédia light como pode aparentar pelo nome ou pelos cartazes. Na realidade segue o estilo das outras obras do cineasta, com um humor negro corrosivo, por vezes dramático e até violento. Quem gostou de A Comunidade e Crime Ferpeito provavelmente curtirá este também. Basicamente ele narra a trajetória tragicômica de uma famosa dupla de comediantes, Nino & Bruno, que por conta de alguns incidentes acabam se tornando inimigos mortais, mas sem abandonar a lucrativa parceria. Com o tempo a rivalidade entre os dois ganha contornos cada vez mais delirantes e doentios. Quem interpreta é Santiago Segura, um dos atores prediletos do Iglesia e criador/protagonista da popular trilogia cômico-policial Torrente, e El Gran Wyoming, um conhecido humorista espanhol. A história se desenrola entre os anos 70/80, quando a Espanha passava pelo fim da ditadura do General Franco e pelo golpe militar que lhe sucedeu. Tudo é mostrado com grande ironia, e dentro da visão anárquica característica de Álex de la Iglesia.

4

Heráclito Maia

Perdita Durango (1997), Álex de la Iglesia

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Após o sucesso de seus dois longas iniciais, Álex de la Iglesia estava pronto para deixar de ser um nome cultuado e se firmar enfim como um dos principais cineastas da nova geração espanhola. Nesta co-produção internacional – e sua primeira falada em inglês – ele abraçou a obra do escritor Barry Gifford, que já havia sido levado às telas anos antes por David Lynch em Coração Selvagem. Ambientado no mesmo universo mas cronologicamente anterior, Perdita Durango não traz o surrealismo perverso do criador de Twin Peaks. No lugar aparece a irreverência e o humor negro típicos de Iglesia. Se em Coração Selvagem, a personagem de Perdita ganhou as formas de Isabella Rosselini, aqui é Rosie Pérez (no melhor papel de toda sua carreira) quem dá vida a uma andarilha violenta e amoral. Pior do que ela apenas Romeo Dolorosa, um perigoso psicopata com real fixação pelo clássico Vera Cruz de Robert Aldrich. Ocupando o seu tempo ocioso com assaltos a banco e rituais satânicos para turista ver (com direito a desmembramentos de cadáver), Dolorosa encontra a sua cara metade em Perdita Durango. Vivido por Javier Bardem, que já era um sex symbol graças as colaborações com o diretor catalão Bigas Luna, o criminoso é de longe a figura mais carismática de todo o filme.

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As situações grotescas mostradas por Álex de la Iglesia resultaram em vários minutos de cortes impostos. E como prova de que a mente dos censores não possui muita lógica, até mesmo a bela conclusão que homenageia Vera Cruz acabou podada da maioria das versões internacionais. Felizmente aquela que chegou aos cinemas brasileiros estava completa. Nada mais óbvio o filme ser enquadrado na caretíssima década de noventa. Além dos já citados rituais de magia negra, temos fortes sequências de sexo e violência, adolescentes torturados, pedofilia infantil e contrabando de fetos com propósitos cosméticos. Todos esses momentos brutais acabam sendo contrabalanceados com o toque pessoal do diretor e o talento do elenco escalado. Temos as participações mais do que especiais de Santiago Segura, do diretor Alex Cox, do lendário Screamin’ Jay Hawkins, e de James Gandolfini (antes de estourar com a Família Soprano) que aparece como o dedicado agente Dumas. Os acidentes que sofre durante o filme acabam por compará-lo com o azarado Coiote dos desenhos do Papa-Léguas. Apesar de construir uma filmografia de respeito com o passar dos anos, foram poucas as vezes em que Álex de la Iglesia conseguiu repetir a excelência alcançada em Perdita Durango. Em tempos em que o termo cult perdeu boa parte do seu significado, esta obra resgata todo o valor e encanto daquelas maravilhas cinematográficas que não podem ser diminuídas com o suposto bom gosto de quem se acha apto para julgá-las.

4,5

Leandro Caraça

O Dia da Besta (El Día de la Bestia, 1995), Álex de la Iglesia

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E se alguém descobrisse uma maneira de enganar o próprio diabo e assim evitar o apocalipse sobre a Terra? Foi exatamente o que aconteceu ao padre Angel. De posse de informações cruciais, ele sai determinado a encontrar o demônio e impedir o nascimento do Anti-Cristo. E é partindo dessa estranha premissa que Álex de La Iglesia nos apresenta uma das comédias mais engraçadas e inteligentes dos últimos tempos: El Dia de La Bestia.

Alex Ângulo interpreta o padre, catedrático de teologia e especialista no Apocalipse de São João. Sua dedicação aos estudos levou-o a decifrar a exata data e local de nascimento do Anti-Cristo: dia de Natal em plena Madri. Tudo o que falta é descobrir onde, no meio do caos de Madri, nascerá o rebento de Satanás. Para isso, Angel crê ser necessário aproximar-se do diabo para descobrir tal informação. Mas sendo um homem de Deus, não será tão fácil assim, e ele conclui que a única maneira efetiva de estabelecer contato é tornando-se um pecador. Angel passa a roubar, blasfemar e prejudicar o próximo, até que chega em uma loja de discos de heavy metal, o melhor lugar para encontrar músicas que forneçam pistas sobre o paradeiro do demônio. Lá conhece o balconista José Maria (Santiago Segura), que logo se afeiçoa ao padre por seu aparente “bom gosto” musical.

Padre Angel (à direita) procura um disc de heavy metal que possa ter algum sinal do demônio, enquanto José María (no fundo) toca bateria imaginária ao som da banda Satannica.

Padre Angel (à direita) procura um disco de heavy metal que possa ter algum sinal do demônio, enquanto José María (no fundo) toca bateria imaginária ao som da banda Satannica.

Mesmo experimentando pecar e ouvir músicas “demoníacas”, nada do demônio aparecer para Angel. É aí que ele vai atrás do Professor Cavan (Armando De Razza), um ocultista charlatão que possui um programa televisivo de nível duvidoso, e que Angel acredita ter o conhecimento para evocar o diabo. Mas enquanto Angel corre em busca da informação vital, a hora do nascimento do Anti-Cristo aproxima-se cada vez mais.

O Professor Cavan apresenta seu programa de ocultismo.

O Professor Cavan apresenta seu programa de ocultismo.

Álex de La Iglesia coloca Angel e José María em uma empreitada quixotesca. Enquanto Angel possui uma determinação inabalável que o leva a cometer atos hediondos em prol de seu objetivo, José Maria guarda uma lealdade cega e explosiva, sem hesitar em descer o cacete em qualquer um que se coloque no caminho do padre. O árido terreno de La Mancha é substituído pelo caos de Madri do século XX, com todos os obstáculos e inimigos que uma metrópole contemporânea pode produzir. E é aí mesmo que Iglesia aproveita para desfiar uma crítica social, ao inserir uma trama paralela envolvendo um grupo extremista intitulado “Limpia Madrid”, especializado em espancar e atear fogo em mendigos.

José María, Cavan e Angel fazem um ritual improvisado para chamar ao demônio.

José María, Cavan e Angel fazem um ritual improvisado para chamar ao demônio.

Mas não só os personagens principais são cuidadosamente elaborados. É perceptível o cuidado em estruturar muito bem todos eles, até os menores coadjuvantes. A mãe de José Maria, por exemplo, é apresentada como uma mulher neurótica por causa da violência urbana, mas sedenta de vingar-se com sangue do primeiro marginal que tentar alguma coisa contra ela ou sua pensão. Há ainda a namorada burra de Cavan, uma típica “loira-burra” que está com Cavan só pelo status, e o avô de José Maria, que sem abrir a boca nas poucas cenas que aparece, é de longe um dos personagens mais memoráveis do filme.

De um modo geral, o roteiro de El Dia de La Bestia traz influências que remetem diretamente ao cinema de Almodóvar (como já era possível notar em Ação Mutante), sendo a mais perceptível a sua verborragia afiada. Pela verborragia, excesso de gírias e piadas regionais, o filme ganha outro sabor para os espectadores familiarizados com a língua e os costumes espanhóis. Não que perca a graça aos não iniciados, mas a experiência será muito mais divertida para aqueles capazes de perceber os pequenos chistes cotidianos espalhados nos diálogos da obra.

El Día de La Bestia talvez seja o maior êxito criativo de Álex de La Iglesia. Uma comédia de ação satânica (como nos anuncia o próprio pôster do filme) extremamente criativa e muito bem estruturada, sempre engraçada a cada vez que se assiste.

Em tempo, duas curiosidades:
1- Os espanhóis, de maneira geral, são muito divididos quando se trata de modernizações arquitetônicas ou intervenções urbanísticas. Há aqueles que são a favor, mas também existem os que abominam tais projetos com todas as forças. Vale ter esta informação em mente ao assistir o filme.
2- E em uma cena onde o Professor Cavan vai exorcizar uma criança possuída é possível ver um pôster da Xuxa na cabeceira da cama do infante demonizado. Tirem suas próprias conclusões.

Cavan visita uma criança possuída pelo demônio com a imagem da Rainha dos Baixinhos na perede. Mera coincidência?

Cavan visita uma criança possuída pelo demônio com a imagem da Rainha dos Baixinhos na perede. Mera coincidência?

5

Leopoldo Tauffenbach

AÇÃO MUTANTE (Acción Mutante, 1993), Álex de la Iglesia

Acción mutante - Capa 2

Bizarro, hilariante e inesperado! Estamos no ano de 2012, onde um grupo terrorista chamado “Ação Mutante” barbariza a sociedade. Este grupo é formado por seres deformados, deficientes e mutantes. Eles lutam contra o domínio dos ricos e bonitos. Seus atos vão desde seqüestros a assassinatos em massa. Após seu líder ser solto depois de cumprir pena, é escolhida a nova vítima, filha de um magnata das indústrias alimentícias, a mesma é raptada no dia de seu casamento e levada ao planeta Astúrias, onde deverá ser trocada pelo resgate.

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Com este enredo Álex de la Iglesias dirige seu primeiro longa-metragem, que é uma mistura de ficção, ação, horror e comédia. Tudo esta na dose certa, mas posso dizer que não é um filme para todos, pois a carga de crítica social e o humor negro são apresentados de forma nada leve e nem delicada, tudo é jogado na tela com muita violência e exageros.

O filme pode ser dividido em três partes, a primeira com os ataques do grupo terrorista até chegar ao seqüestro. A segunda se passa no interior da nave a caminho do planeta Astúrias. E a terceira e final já no planeta a espera do resgate. Todas elas possuem suas particularidades e o ritmo do filme nunca cai, sempre trabalhando muito bem a parte cômica com acontecimentos bizarros e inesperados. Existe uma situação que me lembrou as histórias do Garth Ennis, não irei comentar para não estragar aos felizardos que tiverem interesse em assistir esta maravilhosa película.

Ação Mutante não pode ser visto como um filme de ficção, e sim como uma comédia de humor negro recheada de criticas sociais e de ritmo acelerado. Uma das coisas que deixa o filme ainda mais divertido são os efeitos especiais crus e toscos, nos remetendo à mesma atmosfera de Bad Taste e Body Melt.

4

Otávio Pereira

Mirindas Asesinas (1991, curta), Álex de la Iglesia

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Este foi o primeiro trabalho cinematográfico de Álex de la Iglesia e também o início de uma produtiva parceria com o roteirista Jorge Guerricaechevarría, que trabalharia posteriormente com o diretor em todos seus filmes.

Trata-se de um curta metragem que possui aproximadamente uns 10 minutos, onde já vemos as principais características da dupla e também o potencial a ser explorado por Álex de la Iglesia e suas futuras produções.

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O enredo se baseia e um estranho que chega a um bar e pede uma mirinda, ao ser cobrado pelo refrigerante, enlouquece e desperta o serial killer que vive dentro dele.

Tudo é bem simples, a fotografia é em preto e branco e lembra os filmes de horror dos anos 60. Temos uma boa mescla de suspense, humor negro e muita insanidade. Álex de la Iglesia faz um ótimo trabalho com os ângulos de câmeras, edição e trilha sonora.

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Mirindas Asesinas é uma verdadeira mistura de horror, comédia e suspense, tudo muito selvagem e debochado. Como estréia cinematográfica é um ótimo trabalho, mesmo sendo bem cru. Vale a pena conferir.

4

Otávio Pereira

O DIA DA FÚRIA ESPECIAL ÁLEX DE LA IGLESIA

still-of-Álex-de-la-iglesia-in-the-oxford-murders-(2008)FILMES:

LAS BRUJAS DE ZUGARRAMURDI (2013)
LA CHISPA DE LA VIDA (2011)
BALADA TRISTE DE TROMPETA (2010)
ENIGMA DE UM CRIME (The Oxford Murders, 2008)
PRESENÇA DO MAL (Películas para no Dormir: La habitación del Niño, 2006)
CRIME FERPEITO (Crimen Ferpecto, 2004)
800 BALAS (2002)
A COMUNIDADE (La Comunidad, 2000)
MUERTOS DE RISA (1999)
PERDITA DURANGO (1997)
O DIA DA BESTA (El Día de la Bestia, 1995)
AÇÃO MUTANTE (Acción Mutante, 1993)
MIRINDAS ASESINAS (curta, 1991)

Bravos Guerreiros (Rough Riders, 1997), John Milius

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por Leandro Caraça

John Milius tentou, sem sucesso, que seu roteiro para King Conan ganhasse sinal verde para ser realizado. Entretanto, a reeleição de Arnold Schwarzenneger para o posto de governador da Califórnia colocou um ponto final em suas pretensões. Sem dirigir um filme há 12 anos, é bem provável que Bravos Guerreiros, uma produção do canal TNT, seja mesmo o testamento fílmico desse polêmico e sempre interessante cineasta.

Desta vez ele volta a atenção para um conflito que encerrou o século XIX e definiu a conduta americana até hoje. A guerra entre EUA e Espanha marcou o início das intervenções militares por parte dos ianques. Serviu ainda para unir o país, ainda sentindo as marcas da Guerra Civil, e erguer a moral de toda a nação. Tom Berenger, naquele que possa ser o grande papel de sua carreira, é o Coronel Theodore Roosevelt que antes mesmo de se tornar um dos mais famosos presidentes americanos da história, já era conhecido pela sua personalidade forte. Brian Keith que havia interpretado Roosevelt em O Vento e o Leão, faz aqui a parte do presidente William McKinley. Outros nomes presentes são de Brad Johnson, Sam Elliott, Geoffrey Lewis, Gary Busey, R. Lee Ermey e George Hamilton como o magnata da imprensa William Randolph Hearst – “Você arranja as imagens e eu arranjo a guerra.”.

John Milius não tem medo de ser feliz e constrói o cenário perfeito para mostrar a glória dos Rough Riders, o regimento de recrutas voluntários (brancos, negros, índios, mexicanos) que foi essencial na campanha em território cubano. Com o fim do conflito, o Império Espanhol entrou em declínio irreversível e os Estados Unidos anexaram os antigos territórios, sendo que Porto Rico e Guantánamo continuam em seu poder até os os dias atuais. Passado mais de uma década após Bravos Guerreiros, Milius ainda se mantém ativo em Hollywood (foi produtor e consultor do seriado Roma) e esperemos que o restante de sua história ainda seja contada no futuro.