Santa Sangre (1989), Alejandro Jodorowsky

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por Ronald Perrone

Quando o produtor Cláudio Argento propôs a Jodorowsky que ele fizesse um filme remetendo aos gialli, numa trama onde um assassino mataria um monte de mulheres, o diretor de El topo viu uma grande oportunidade surgir à sua frente para retornar ao cinema depois de quase nove anos sem filmar. Mais por falta de incentivo financeiro, porque Jodorowsky é, certamente, um poço sem fundo de idéias brilhantes.

Acabou dirigindo Santa Sangre, que não é exatamente o que o irmão de Dario Argento imaginava, mas é uma dessas obras assombrosas, que só poderia ter saído da mente de seu criador. Imaginem um Federico Fellini na sua fase mais maluca nos anos setenta, mas em versão esteticamente e conceitualmente hardcore. É mais ou menos o que esperar de Santa Sangre. Só que a tarefa de descrever os filmes de Jodorowsky nunca é das mais simples e alguns detalhes sempre se perdem pelo caminho. Eles precisam ser vistos e revistos, vislumbrados, admirados, sentidos, refletidos…

santa-sangre-originalSanta Sangre, por exemplo, conta a história de Fenix, filho do atirador de facas de um circo e da malabarista-fanática-religiosa (cujos braços são decepados pelo marido após flagrá-lo com uma mulher completamente tatuada). Após assistir a uma série de situações absurdas e traumatizantes, Fenix, que é interpretado por Adan Jodorowsky – filho do diretor – acaba catatônico num hospício onde passa longos anos. Depois de se “recuperar”, já adulto (agora sob a pele de Axel Jodorowsky, outro filho do diretor), ele se reúne com a sua mãe, formando uma parceria artística bizarra em apresentações que deixariam Joseph Beuys orgulhoso.

santa-sangre3Claro que Santa Sangre não é só isso e a própria trama vai muito além do que esta simplória sinopse que atrevi-me a descrever. Embora seja um dos trabalhos mais acessíveis e coerentes do diretor, é inegável a inventividade e originalidade que Jodorowsky narra seu filme, sem falar nos simbolismos, nas metáforas e no surrealismo, características habituais do diretor, que estão em evidência durante a narrativa. E não falta também a galeria de figuras estranhas pontuando o filme, como por exemplo uma imensa lutadora de Luta-Livre, uma mímica surda e muda por quem Fenix é apaixonado, anões, elefantes, o mundo circense em todo seu esplendor, muito bem envolvidos à ação.

santa10_originalSanta Sangre é essencialmente visual, e são poucos os filmes que transcendem sobre o nosso cérebro com suas imagens transformando em verdadeiras experiências sensoriais. E Jodorowsky é um artista com esta capacidade, há pelo menos mais duas obras primas (El Topo e Holy Mountain) em que ele consegue este mesmo efeito hipnótico sobre o espectador. Por isso é um diretor tão único, tão verdadeiro, tão sem espaço no cinema que é feito atualmente…

5 cleef

Tusk (1980), Alejandro Jodorowsky

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É o primeiro dos dois corpos estranhos na curta filmografia de Alejandro Jodorowski. Depois de perder vários anos trabalhando na adaptação da obra de Frank Herbert, o artista multímidia apareceu com essa produção francesa a respeito de uma jovem, filha de um colonizador inglês, e um elefante que nascem exatamente no mesmo momento. Com o passar do tempo, a moça descobre a existência de uma espécie de ligação mental entre eles. ‘A fable panique‘ é o que promete o filme. Mas Tusk nada tem a ver com o Movimento Pânico, e sim com uma antiga aventura saída direta dos estúdios da Disney, pelo menos da época em que o vírus do politicamente correto não havia ainda se espalhado pelo mundo. Seria algo errado dizer que trata-se de uma obra sem valor, mas a verdade é que não é bem dirigida, e na maior parte do tempo não funciona. Alguns símbolos comuns ao cineasta estão presentes : multidões desfilando, místicos, artista de rua, citações ao cinema mudo e pelo visto, Jodorowski também adora elefantes. Existem ótimos achados como a trilha sonora prog-psicodélica e a maioria das cenas com os paquidermes. Por outro lado temos o humor sem graça e o elenco humano na sua maioria desinteressante – os vilões idiotas ou o mocinho sem carisma feito por Christopher Mitchum. Salvam-se Anton Drifing e Cyrielle Clair. Raramente mencionado por Jodorowski em entrevistas, o próprio saiu em defesa de Tusk, dizendo que se fosse possível remontá-lo ele ficaria melhor. Mas isso não é algo que deva acontecer ainda nessa era.

2,5
Leandro Caraça

Duna, Alejandro Jodorowsky

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De alguma maneira difícil de explicar, e isto só poderia ter acontecido mesmo nos anos setenta, o bruxo Alejandro Jodorowsky foi escalado pela 20th Century Fox para adaptar a grandiosa novela de ficção científica de Frank Herbert . Se antes, David Lean havia mostrado interesse no material, com o diretor de El Topo foram quatro anos de preparação e milhões de dólares gastos para uma visão que seria pouco fiel ao livro, de acordo com o próprio cineasta. Para o filme estavam confirmados Orson Welles, David Carradine e o surrealista Salvador Dali como um imperador louco que usaria uma privada de trono. Os cenários seriam de H.G. Giger, os efeitos a cargo de Dan O’Bannon (após Jodo e Douglas Trumbull terem quebrado o pau) e a música teria composições inéditas de Pink Floyd, Tangerine Dream e do Magma. Com o fim dessa sandice cinematográfica, Bannon e Giger foram se juntar a Ridley Scott (que por pouco não aceitou substituir Jodorowsky) em Alien – O 8º Passageiro. Depois, Duna chegaria as telas numa controversa versão produzida por Dino de Laurentis e conduzida por David Lynch. Vale lembrar ainda que diversos cenários e figurinos do abortado projeto foram reutilizados por George Lucas em Star Wars, assim como muitos técnicos que mais tarde viriam a fazer parte da Industrial Light & Magic.

Leandro Caraça,

originalmente escrito para o seu blog, Viver e Morrer no Cinema.

A Montanha Sagrada (The Holy Mountain, 1973), Alejandro Jodorowsky

montanha_poster_2Não é fácil digerir o cinema de Alejandro Jodorowsky. Menos ainda talvez seja escrever qualquer coisa a respeito de seus filmes. E a situação pode ficar ainda mais complicada quando tratamos de A Montanha Sagrada.

Pode-se dizer que o filme representa o auge da confluência criativa entre Jodorowsky, o cineasta e Jodorowsky, o mago. Nunca antes um filme fora tão bem sucedido ao capturar a poderosa essência imagética dos símbolos místico e religiosos. E vale notar aqui que religioso não tem nada a ver com crenças institucionalizadas, mas com o aspecto humano que lida com tudo o que é misterioso, invisível e sobrenatural.

A fantástica sequência de abertura de A Montanha Sagrada, anunciando seu complexo devir.

A fantástica sequência de abertura de A Montanha Sagrada, anunciando seu complexo devir.

Não por acaso Jodorowsky inicia o filme deixando claro que a religião, quando instituição, é um produto humano, criado à revelia de valores verdadeiramente míticos e universais. Vemos animais esfolados e crucificados levados e adorados por uma procissão. Enquanto isso, um circo de animais realiza uma apresentação que conta a história da derrota dos astecas “pagãos”, representados por lagartos, pelos espanhóis católicos, personificados por sapos obesos. Independentemente do que dizem os livros de história, ambos os lados perdem nesta insanidade circense, brutalizados por uma grande explosão que transforma sapos e lagartos em uma massa de carne moída e chamuscada indistinguível.

O protagonista desta história surge como um homem qualquer. Ou alguém tão comum que preserva uma ignorância quase infantil, ainda imaculada. Vivendo em meio ao caos de uma grande metrópole, ele chega a uma torre onde habita um mago. Lá ele passa por uma série de situações e rituais transformadores, que o prepararão para sua verdadeira missão: alcançar a lendária Montanha Sagrada.

O personagem principal em um rito de trasformação interior.

O personagem principal em um rito de trasformação interior.

Desde o início do filme, fica evidente todo o conhecimento de Jodorowsky sobre o oculto, eternizado em película em imagens memoráveis. Símbolos e rituais alquímicos, maçônicos, astrológicos, egípcios e até mesmo o repertório imagético e simbólico do tarô se integram para dar base à narrativa. Mas o que inicialmente poderia parecer um balaio de gatos oriundo de alguma mente hippie adepta da Era de Aquário revela, na verdade, toda a precisão de Jodorowsky em encontrar denominadores comuns aos mais diversos aspectos das manifestações humanas e divinas, incluindo até certos fundamentos da psicanálise e da psicologia Jungiana.

Os companheiros de viagem reunidos antes de partir rumo à montanha Sagrada. Cada um possui uma representação astrológica que os aproxima aos arquétipos jungianos.

Os companheiros de viagem reunidos antes de partir rumo à montanha Sagrada. Cada um possui uma representação astrológica que os aproxima aos arquétipos jungianos.

Para os não familiarizados com o cinema de Jodorowsky e os imaginários místicos apresentados no filme, A Montanha Sagrada pode ser um filme completamente ininteligível. Mas a verdade é que tal conhecimento prévio é completamente desnecessário se o espectador simplesmente deixar-se levar pela viagem proposta pelo diretor. Este é um filme capaz de estabelecer uma linha de comunicação direta com o inconsciente. Qualquer tentativa de racionalizar seu conteúdo em busca de “entendimento” pode resultar frustrante, principalmente se considerarmos o final, de uma simplicidade revoltante para nós, criaturas excessivamente racionalizadas e acostumadas a receber respostas para todas as nossas questões.

A Montanha Sagrada não quer responder nada. Pode ser a saga do herói de Joseph Campbell, o processo de individuação de Jung ou a história do cachorrinho Samba. Não importa qual dessas alternativas se adequariam mais à proposta do filme. A real intenção de Jodorowsky é propor que nós voltemos a nos encantar mais com as perguntas do que com as respostas. E por isso mesmo, A Montanha Sagrada não se basta em ser só um filme. É uma verdadeira experiência de vida.

5

Leopoldo Tauffenbach

El Topo (1970), Alejandro Jodorowsky

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El Topo é um tipo de toupeira que habita o subsolo e tende a cavar em busca do sol, mas ao chegar à superfície e encará-lo acaba ficando cego. Esta explicação é obtida nos primeiros minutos do filme, e veremos ao decorrer da película essa situação acontecer algumas vezes.

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Uma tentativa de sinopse seria: El Topo é um pistoleiro errante que abandona seu filho de sete anos para empreender uma jornada pelo deserto, onde vivem quatro grandes mestres da pistola. Após localizá-los e enfrentá-los em insólitos duelos, ele é baleado gravemente por uma misteriosa mulher. Socorrido por uma legião de defeituosos físicos que vivem à margem da sociedade, é levado para dentro de uma caverna onde é tratado como um Deus, até despertar de seu torpor. Junto com uma anã decide mendigar numa cidade, fazendo shows de mímica para levantar dinheiro e cavar um túnel que permita os habitantes paralíticos da caverna saírem de lá com maior facilidade. Porém, novos obstáculos cruzarão o caminho do ex-pistoleiro, desde moradores indignados com a liberdade dos excluídos, até seu filho, já adulto, que anseia encontrá-lo para matá-lo…

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Alejandro Jodorowsky surpreende em todos os aspectos. Aqui ele assina como escritor, diretor, compositor e ator principal, presenteando-nos com imagens fortes, visualmente poderosas e repletas de simbolismo.

Ao mesmo tempo em que é um filme difícil de analisar, é possível pensar em muitas coisas, pois ele fica aberto a interpretações. Trabalhando com alegorias surrealistas, o espectador é atraído por uma sucessão de imagens desconcertantes que relatam desde o amor, traição, compaixão, trapaça, violação, sacrifício, liberdade, fé, procriação, morte, ressurreição e fanatismo. A violência é retratada de forma crua e direta, há muitas críticas às religiões e à sociedade, tudo de modo estilizado, poético e místico.

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Uma curiosidade interessante é que o cinema de Jodorowsky é feito da forma mais real e artesanal possível, utilizando animais mortos, pessoas deformadas, seu próprio filho, um inventivo uso de melancia nas cenas gore, etc.

El Topo é uma obra-prima que deve ser assistida, mas não uma única vez e sim várias, pois com certeza cresce a cada revisão. É um filme poderoso, uma experiência intensa, cheia de simbolismo, selvagem, bizarro, e que lhe deixa pensando por dias. Jodorowsky abre mão de toda e qualquer convenção para se expressar artística e intelectualmente com 100% de liberdade. O resultado é um dos filmes mais interessantes, controversos e originais de todos os tempos, e que dificilmente deixará um espectador indiferente.

5Otávio Pereira e Heráclito Maia

A Comunidade (La Comunidad, 2000), Álex de la Iglesia

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Um bom cozinheiro deve saber dosar os ingredientes de uma receita para que ela não desande. Poucos seriam capazes de servir uma iguaria fina como A Comunidade que mistura porções de Hitchcock e Polanski, sempre temperando com generosas doses de humor negro. Sem endurecer ou perder a ternura, Álex de la Iglesia conseguiu o seu maior sucesso de público e de crítica na Espanha, além de sagrar-se o grande vencedor do Prêmio Goya de 2000. Em meio a tantos acertos, o maior deles é sem dúvida, a presença da veterana Carmen Maura como a imobiliária gaiata que acaba colocando as mãos na fortuna de um morador recluso de um velho prédio. A parte chata é que todos os moradores do lugar estão loucos para pegar o que acreditam também pertencer a eles, custe o que custar. Por um acaso eu disse todos ? Porque no meio de tanta gente gananciosa surgirá um cavaleiro jedi para auxiliar Carmen Maura. Será que Álex de la Iglesia criou esse personagem como vingança da provável decepção com A Ameaça Fantasma de George Lucas ? Sempre tive essa impressão. Brincadeiras à parte, A Comunidade é outra bola dentro do espanhol.

4Leandro Caraça

Fando y Lis (1968), Alejandro Jodorowsky

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por Ronald Perrone

O diretor chileno Alejandro Jodorowsky levou mais de dez anos para se aventurar no cinema novamente depois de ter realizado apenas o curta La Cravate em 1957. Durante esse hiato, se juntou aos surrealistas Fernando Arrabal e Roland Topor, fundando, em 1962, o Movimento Panique. Homenageando o deus Pan, suas atividades eram apresentações teatrais performáticas e vanguardistas ao vivo pelas ruas parisienses. Foi justamente a partir de uma peça de Arrabal que Jodorowsky resolveu fazer seu primeiro longa metragem: Fando y Lis.

Basicamente, a trama narra a jornada de Fando e sua amada, a paralítica Lis, em busca da mítica Tar, uma espécie de paraíso, a última cidade que sobrou na terra após uma guerra nuclear apocalíptica. Mas o argumento serve apenas como pretexto para que o diretor experimente e expresse seus delírios surrealistas, de forma contundente e visceral, diferente da leveza de La Cravate. Fando y Lis pode ser resumido como uma fábula estruturada a partir de sucessões de “gags” surrealistas, com um atmosfera de sonho, bem ao estilo de Buñuel e Dalí no final dos anos 20 e inicio dos 30, com O Cão Andaluz e A Idade do Ouro.

Para quem curte este tipo de experimentação, Fando y Lis pode ser um ótimo deslumbre; pra quem não vai muito com a cara do estilo, pode se tornar um programa enfadonho (a reação do público revoltado, um tanto exagerada, fez com que o carro de Jodorowsky fosse apedrejado quando saiu da primeira apresentação do filme, espero que ninguém atire alguma coisa em seus aparelhos de TV). O fato é que é impossível ficar indiferente diante de alguns momentos pictóricos impressionantes, algo que Jodorowsky viria a amadurecer muito ainda e teria grande força em seu filme seguinte, El Topo. Assim como La Cravate, Fando y Lis vale muito como curiosidade e preparação para suas verdadeiras obras primas: o já citado El Topo, The Holy Mountain e Santa Sangre.

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Presença do Mal (Películas para no Dormir: La habitación del Niño, 2006, TV), Álex de la Iglesia

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Películas para no Dormir foi uma série criada em 2006 na Espanha e é composta por seis filmes, são eles: La habitación del niño, Para entrar a vivir, Adivina quién soy, La culpa, Regreso a Moira e Cuento de navidad. Álex de la Iglesia fez sua contribuição com a película La habitación del niño, mais uma vez trabalhando em parceria com seu amigo e escritor Jorge Guerricaechevarría.

O enredo soa bem básico, um casal vivido por Juan (Javier Gutiérrez) e Sonia (Leonor Watling), mais seu filho ainda bebê, se mudam para uma nova casa. Já nos primeiros dias na casa, começam a ver que existe algo de estranho no ambiente, pessoas que aparecem e desaparecem sem deixar rastros. Poderia ser mais um filme de casa mal assombrada, mas há explicação que vai muito além disso.

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Alguns acharão à explicação estapafúrdia e até meio enrolada, outros irão citar as várias pontas da história que ficaram sem conclusão ou foram citadas de forma demasiada, mas para o que foi feito La habitación del niño funciona perfeitamente, é um horror com bons toques de suspense e mistério. E em muitas cenas consegue deixar o telespectador tenso e me rendeu dois bons sustos.

Álex de la Iglesia trabalha mais sério neste filme, mesmo assim consegue inserir algumas pitadas de seu bom e costumeiro humor negro, além das críticas sociais. Técnicamente o filme é muito bem feito, e os dois atores principais estão de parabéns por suas atuações.

Neste filme temos uma nova roupagem para o sobrenatural, e no final tudo se mistura, o medo de não conseguir proteger sua família, a obsessão de achar uma solução, a loucura e insanidade do que acha ser verdade ou não. No final o personagem Juan esta parecendo com Jack Nicholson no filme O Iluminado. Para mim é mais um dos grandes trabalhos de Álex de la Iglesia.

4Otávio Pereira

La Cravate (1957, curta), Alejandro Jodorowsky

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O chileno Alejandro Jodorowsky é um sujeito multifuncional: artista plástico, escritor (de teatro, livros, quadrinhos), ator, mímico, especialista em tarô, psicoterapeuta e, nos momentos de folga, diretor e roteirista de cinema. Seu trabalho inicial com a sétima arte rendeu este curta metragem de 20 minutos de duração.

Durante 50 anos, La Cravate ficou desaparecido e só foi encontra do em 2007, num velho sótão na Alemanha! Baseado numa estória de Thomas Mann, o filme narra o conflito de um jovem, interpretado pelo próprio diretor, que deseja conquistar uma moça e compra no mercado de cabeças uma flor roxa para presenteá-la. Ignorado pela amada, percebe que o problema está no detalhe que fica acima de seu pescoço, então decide voltar ao mercado para trocar sua cabeça por uma que agrade a donzela.

Filmado em cenários teatrais na França e sem diálogos, La Cravate é inspirado na arte da pantomima e no movimento surrealista, mas mesmo que este último elemento acompanhe toda a carreira do diretor, o curta destoa completamente de seus filmes seguintes, muito mais carregados de simbolismos e bastante viscerais. Vale como uma agradável curiosidade.

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Ronald Perrone