Revenger’s Tragedy (2002), Alex Cox

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por Luiz Alexandre

Amigos, gostaria de começar este texto contando-lhes uma pequena história. Até hoje, no momento em que escrevo meu primeiro texto para o Dia da Fúria, jamais vi um filme de Alex Cox. Até hoje a tarde, não vi nem ao mesmo Repo Man. Sendo mais sincero ainda, até o dia em que fui convidado a participar e Leandro Caraça me deu as opções que restavam na filmografia do diretor só escolhi este por adorar o título. Corri atrás do filme no Cinemaggedon, arrumei umas legendas em inglês e, finalmente, assisti a essa película. Eis que me “desvirgino” no cinema de Alex Cox e, confesso, estou confuso e com uma sensação estranha, como que um tanto impressionado e decepcionado com o que acabei de ver. Mais ou menos como no coito. Enfim, vou prosseguir.

Revenger’s Tragedy, de 2002, é a adaptação de uma tragédia inglesa publicada em 1607 por um autor ainda não confirmado, mas possivelmente de Thomas Middleton. Mas em vez da corte italiana do século XV o que temos é a Liverpool de um futuro caótico onde um cruel duque (Derek Jacobi) e seus filhos inescrupulosos (Eddie Izzard, Justin Salinger, Paul Reynolds, Marc Warren e Fraser Ayres) é quem dominam. Em uma cidade repleta de violência e miséria surge Vindice (Christopher Eccleston), um homem que busca vingança pelo cruel assassinato de sua mulher anos antes pelo próprio Duque. Para tal ele conta com a ajuda de seus irmãos Carlo (Andrew Scofield) e Castiza (Carla Henry), objeto de desejo de um dos filhos do Duque.

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O filme, apesar do clima urbano apocalíptico e futurista, é todo falado em inglês elizabetano, como se feito num teatro da época em que o livro foi escrito, o que tornou as citadas legendas quase inúteis em certos momentos, mas que confere um charme especial à trama. Apesar do clima exagerado das roupas e dos diálogos, como se fosse o resultado de uma noite de amor entre Franco Zefirelli e John Carpenter durante um show do David Bowie, o filme possui as famosas pancadas do diretor nas figuras de poder. Todos os “nobres” mostrados no filme têm uma moral que está abaixo da de um pedófilo, esfaqueando-se pelas costas eternamente. O personagem central volta toda a sua ira contra os excessos da “corte”, tanto de status quanto sexuais, utilizando os despudores dos tiranos contra si mesmos para alcançar sua vendeta.

Longe de ser um grande filme, achei que o diretor poderia ter dado um olhar ainda mais grave na relação dos irmãos, a “nobreza” do filme é por demais caricata e imbecil. Contudo, vale pela maneira como ele desmonta a figura dos ídolos políticos, satiriza as convenções entre aqueles que dominam e denuncia até mesmo a cobiça do pobre, na figura da mãe cega de Vindice, além da trilha sonora do Chumbawamba, banda irlandesa declaradamente anarquista. Três cabeças do Lee Van Cleef!

3 cleef

2 thoughts on “Revenger’s Tragedy (2002), Alex Cox

    • Ah, obrigado, Osvaldo. Mas você ia gostar do meu trabalho final de faculdade, fiz crítica até do Blow Up!

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