Atualização Furiosa

O Exterminador do Futuro (1984), James Cameron; por Leopoldo Tauffenbach

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Aliens – O Resgate (Aliens, 1986), James Cameron

por Ronald Perrone

James Cameron é fã de carteirinha de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott, e precisou colocar em prova sua capacidade e talento, que não eram claros naquele período, para ter seu nome escrito na cadeira de diretor desta continuação. Ainda estamos em 1980, passado apenas um ano do lançamento do original, os produtores já começam a viabilizar a idéia de uma sequência. O problema maior é encontrar um script que justificasse mais um filme.

Os produtores David Giler e Walter Hill chegaram ao pobre Cameron através do roteiro de O Exterminador do Futuro (que ainda não havia sido realizado) e resolveram marcar um encontro para trocar idéias. Lá pelas tantas, depois de algumas doses de whisky, comentaram o desejo de realizar a continuação de Alien e Cameron se interessou subitamente. Após vários roteiros recusados, James Cameron, que mal havia dirigido Piranhas 2 e trabalhou apenas na parte técnica de algumas produções de ficção, conseguiu colocar na mesa dos executivos uma estória que finalmente chamou-lhes a atenção. O roteiro ainda não estava pronto (e muita coisa foi mudada junto com outras pessoas), mas já era meio caminho andado; a base desse script eram idéias que o diretor estava desenvolvendo para um filme chamado Mother.

No entanto, era um risco colocar nas mãos de James Cameron a direção de um filme que exigia muito investimento, muita estrutura, muita coisa que aquele sujeitinho ainda não havia trabalhado. Ninguém podia assegurar se ele era realmente capaz de administrar todo o aparato que seria colocado em suas mãos. A prova de fogo foi o filme que Cameron estava realizando, ainda em fase de pré-produção. Se conseguisse ser bem sucedido, teria o emprego na continuação de Alien. Mas todos nós sabemos que O Exterminador do Futuro foi um sucesso, então…

Aliens recebeu este título (e não Alien 2) porque em 1980, um italiano chamado Ciro Ippolito produziu, escreveu e dirigiu uma “sequência picareta” de Alien chamado Alien 2, com a trama se passando na terra. Mas Aliens é um nome que se encaixa perfeitamente ao filme de Cameron, pois uma das principais diferenças do original é que desta vez Ripley (Sigourney Weaver) terá de enfrentar um exército de aliens ao invés de um único como no primeiro filme.

Sendo assim, o diretor de Avatar tomou um caminho diferente ao de Ridley Scott. O primeiro filme da série era um exercício de claustrofobia, atmosférico ao extremo e trabalha muito bem o suspense. Sem dúvidas é um dos filmes contemporâneos mais eficazes nesse sentido. Já o filme de James Cameron segue uma proposta que impõe um ritmo mais frenético à narrativa, com bastante ação, tiroteios, explosões, correrias, muita carnificina, etc (Cameron estava trabalhando também no roteiro de Rambo 2 antes de começar este aqui, talvez estivesse muito focado nesses elementos…). O mais impressionante disso é que o respeito de Cameron pelo original é fundamental para balancear o tom entre os dois filmes. Aliens possui atmosfera suficiente para permanecer ao lado de Alien e possui ação de tirar o fôlego suficiente para garantir a proposta de Cameron.

A trama de Aliens se passa 57 anos após os acontecimentos do primeiro filme. Ripley desperta do seu sono criogênico depois de ter sua nave encontrada pela companhia pela qual trabalhava; toma conhecimento de que toda sua família morreu; mal se recupera e já é persuadida para retornar ao planeta alienígena numa missão para averiguar a situação dos colonos que habitam o planeta, já que a comunicação com eles fora interrompida. Ela se faz de difícil, etc, mas acaba aceitando e desta vez terá ajuda de um grupo de fuzileiros navais carregando um grande poder de fogo.

O que se segue a partir daí é suspense intenso da melhor qualidade com altas doses de ação em cenários de ficção científica e atmosfera dark muito bem elaborados, inspirados nas artes de H. R. Giger e intensificados pela ótima trilha sonora de James Horner; a contagem de corpos é altíssima, muitos fuzileiros matando aliens, sendo mortos também pra dar uma balanceada, embora o número de aliens seja bem maior, até chegar a um ponto em que Sigourney Weaver questiona James Cameron sobre o filme estar muito violento, ter muitas armas, e essas baboseiras, mas a resposta do diretor já demonstrava um sujeito que não se deixa levar por frescuras de ator: “então vamos fazer uma cena que um Alien lhe ataca e você tenta bater um papinho com ele”, algo nesse sentido…

Além de Weaver, que recebeu uma indicação ao Oscar pela sua atuação, o restante do elenco merece uma atenção à parte. Temos Michael Biehn voltando a trabalhar com o diretor, Lance Henriksen fazendo um andróide para o desespero de Ripley (quem não se lembra de Ian Holm no primeiro filme?), Bill Paxton como alívio cômico involuntário, Paul Reiser, William Hope, Jenette Goldstein e outras feras que compõem um excelente time. E é curioso como grande parte deles são subestimados atualmente.

A versão que revi e recomendo fortemente é a estendida, na qual James Cameron realiza um estudo humano muito interessante com a personagem de Sigourney Weaver e ajuda bastante na compreensão de seus atos, no instinto materno com o qual ela acolhe e protege a garotinha, única sobrevivente dos colonos, enxergando a oportunidade de ter uma família novamente. O confronto final entre Ripley e a alien rainha toma proporções épicas visto dessa forma. A protagonista tentando proteger sua “filha” e a criatura também com um instinto de proteção pelos seus ovos.

Get away from her, you bitch!

Sobre a rainha e seu aspecto visual impressionante, vale destacar os incríveis efeitos especiais da equipe comandada pelo genial Stan Winston. É um troço realmente assustador! Não só ela, mas todos os aliens aparentam bem mais flexibilidade, agilidade e realismo em relação ao alien solitário do primeiro filme, embora o conceito de Giger ainda permaneça intacto. É a prova de que o talento manual de um verdadeiro gênio dos efeitos especiais sempre vai superar o resultado de um CGI.

Aliens é um filme inovador nos quesitos técnicos, afirmativa que pode ser reaproveitada em qualquer texto sobre os filmes dirigido pelo Cameron. Todas as suas obras seguintes revolucionaram o cinemão americano comercial de alguma maneira, seja nos efeitos especiais, no uso do som ou até mesmo na forma como trabalha suas narrativas, transformando seus trabalhos em experiências únicas para o público. Este aqui não foge à regra. É um espetáculo em todos os sentidos.

O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), James Cameron

por Leopoldo Tauffenbach

A História do cinema prova que nem sempre a análise dos fatos gera um resultado previsível. Se assim fosse, o único resultado possível da combinação de baixo orçamento, ficção científica, diretor inexperiente e ator inexpressivo seria o fracasso total. Apesar de possuir todos esses requisitos, O Exterminador do Futuro conseguiu o seu lugar nos anais do cinema de ficção.

A clássica cena do "I'll be back": a não-interpretação é a alma do negócio.

A idéia é tão simples que chega a ser irritante. Em um futuro dominado por máquinas, os humanos formam uma resistência para acabar de vez com a tirania metálica. Sentindo a derrota se aproximar, as máquinas mandam um robô exterminador ao passado para assassinar a mãe do futuro líder da resistência, John Connor, e assim alterar as vantagens futuras. Mas a resistência descobre o plano das máquinas e envia um soldado ao passado para proteger a mãe de Connor antes que o exterminador a alcance.

Até então James Cameron era um diretor sem muita experiência. Antes de Exterminador, dirigira somente dois filmes. Mas um fator determinante para o seu sucesso é a sua sagacidade. Cameron é uma daquelas pessoas extremamente inteligentes e criativas, a quem meia palavra basta. Sua participação nos filmes Galáxia do Terror e Mercenários das Galáxias ensinou tudo o que ele queria saber sobre o cinema de ficção científica e o milagre da multiplicação orçamentária – afinal, estamos falando de duas produções de Roger Corman –, enquanto Xenogenesis e Piranhas II o ensaiaram para a difícil arte da direção.

Michael Biehn e Linda Hamilton como Reese, o homem protetor do futuro, e Sarah Connor, a mãe daquele que salvará o futuro. Adivinhe quem é o pai?

Já Arnold Schwarzenegger não era o que poderíamos bem chamar de “ator” até aquele momento. Suas incursões anteriores eram imitações do próprio personagem “Mister Universo”. E quando Arnold inventava de interpretar, o resultado não era lá essas coisas, como em Cactus Jack, o Vilão. A sabedoria de Cameron, e consequentemente o êxito de Schwarzenegger, residiu em explorar aquilo que ele não era: um ator. Seu trabalho era não interpretar, ser uma criatura dura movida por seu impressionante físico. Era disso que se tratava um exterminador. Aliás, John Millius já tinha entendido isso quando fez Conan, o Bárbaro, e Richard Fleischer resolveu ignorar o mesmo fato com Conan, o Destruidor, tentando dar ao musculoso austríaco mais responsabilidade cênica do que ele poderia aguentar. Como resultado, temos uma obra de arte em Conan, o Bárbaro e um filmeco esquecível em Conan, o Destruidor.

O exterminador mostra sua verdadeira face e a excelencia das equipes de maquiagem e efeitos especiais. Enquanto isso a platéia vai ao delírio.

Não à toa, é possível enxergar alguns traços estilísticos da escola de Corman em Exterminador. Mas James Cameron foi além, e imprimiu um ar sujo e fatalista ao filme. A direção de arte de George Costello – que não fez nada muito notável antes e depois de Exterminador – e a neurótica trilha sonora de Brad Fiedel foram essenciais na construção do clima do filme. E nem vamos falar dos efeitos especiais e de maquiagem do filme, esta deixada a cargo do mestre Stan Winston. O que temos em O Exterminador do Futuro é cinema de ficção da mais alta qualidade, e o mais importante aqui é a história magistralmente contada por Cameron. Prova disso é que passados 25 anos desde seu lançamento, continua impávido em sua posição, enquanto outros filmes são lançados com alarde para logo depois serem condenados a camadas de poeira em uma prateleira baixa nas locadoras.

Xenogenesis (1978), James Cameron

por Leandro Caraça

O sucesso de Star Wars fez o jovem James Cameron abandonar o seu emprego de caminhoneiro para tentar a sorte no cinema. Realizado em 1978, o curta Xenogenesis é um preview do que Cameron faria ao longo das próximas décadas. Com doze minutos de duração, somos apresentados a história através de uma série de pinturas. Numa delas, o protagonista Raj aparece com um braço mecânico igual a Arnold Schwarzenneger em O Exterminador do Futuro. Ele e sua companheira Laurie estão explorando o universo à procura de um planeta que possa abrigar um novo ciclo de vida humana. Eles encontram uma nave abandonada onde um robô muito parecido com uma das máquinas da Skynet irá perseguir Raj (interpretado por William Asher Jr., amigo de Cameron e co-roteirista dos dois Terminator). A cena a seguir, com Laurie a bordo de um robô de forma aracnídea e lutando contra o outro autômato, ressusrgiu anos mais tarde em Aliens – O Resgate e O Segredo do Abismo. Por falta de fundos, James Cameron foi obrigado a deixar a trama sem uma conclusão. Mas foi suficiente para chamar a atenção de Roger Corman. Depois, Cameron trabalhou em algumas produções do gênero: Mercenários da Galáxia (efeitos especiais e direção de arte), Andróide (consultor de design), Fuga de Nova Iorque (fotografia de efeitos) e Galáxia do Terror (diretor de produção e assistente de direção). Roger Corman lhe ofereceu a chance comandar Piranha 2 – Assassinas Voadoras. Não demorou muito para que o produtor Ovidio G. Assonitis, insatisfeito com o progresso das filmagens, demitisse Cameron. Assonitis assumiu o projeto e comandou o corte final. Do material filmado por Cameron sobrou muito pouco. Durante o pouco tempo em que esteve com a equipe, caiu vítima de uma forte febre. Foi nessa noite em que ele teve um estranho pesadelo, onde era perseguido por um esqueleto metálico coberto de chamas.

O DIA DA FÚRIA ESPECIAL JAMES CAMERON

tumblr_n77qjbv5qn1rovfcgo6_1280-1024x772FILMOGRAFIA

XENOGENESIS (1978)
Piranha 2 – Assassinas Voadoras, aka Piranha Part Two: The Spawning (1981) – Cameron recebeu o crédito pela direção do filme, mas muito pouco de suas filmagens foi realmente aproveitado. O diretor oficial seria Ovidio G. Assonitis.
O EXTERMINADOR DO FUTURO, aka The Terminator (1984)
ALIENS, O RESGATE, aka Aliens (1986)
O SEGREDO DO ABISMO, aka The Abyss (1989)
O EXTERMINADOR DO FUTURO 2: O JULGAMENTO FINAL, aka Terminator 2: Judgment Day (1991)
TRUE LIES (1994)
TITANIC (1997)
AVATAR (2009)

Red Cliff 2 (2009), John Woo

Por Otávio Pereira

Red Cliff Pt. 2 possui o mesmo padrão de qualidade visual do primeiro. Aqui o foco principal é a guerra em si, deixando o lado político para segundo plano. Woo mostra não apenas as batalhas, mas também o comportamento dos guerreiros, num olhar atento aos personagens antes e após cada combate. Possui ainda muitos jogos de estratégia e inteligência de guerra, porém fiquei decepcionado com o desfecho por alguns motivos, são eles:

1 – Em vários momentos o filme deixou de ser sério, incluindo situações cômicas que não funcionam.

2 – Novamente foi utilizado o clichê de inserir um personagem feminino como se fosse masculino. Esse personagem é um espião que passa dias infiltrado na tropa inimiga sem ninguém notar a diferença, acho isso um absurdo.

3 – As cenas de batalha se tornam repetitivas e similares as do primeiro filme, não apresentando novidades.

4 – Até então, o filme não trazia nenhum momento fora do normal como personagens voando no estilo O Tigre e o Dragão ou Herói, mas em um momento particular do final a batalha se torna exagerada, destoando do clima restante.

Como podem ver não são grandes e nem tantos motivos, mas a expectativa criada pela primeira parte não foi correspondida e Red Cliff Pt. 2 deixou a desejar. Continua sendo um bom filme, e pra quem viu a primeira parte torna-se mais do que obrigatório para que se conheça a conclusão da história.

A Batalha dos 3 Reinos ( Red Cliff, 2008), John Woo

Por Otávio Pereira

Depois do insucesso de seus últimos filmes em Hollywood, John Woo retorna a China, mais precisamente à China feudal de suas primeiras obras, de forma grandiosa e poética, retratando os eventos históricos acontecidos no período dos Três Reis. Temos um excelente elenco composto por Tony Leung, Takeshi Kaneshiro, Fengyi Zhang, Shido Nakamura e muitos outros.

Todos os elementos trabalhados em outras obras de John Woo estão presentes, desde a amizade e respeito, coragem e heroísmo, covardia e traição e seus famosos pombos brancos, que aqui possuem um papel importante na história (e não meramente ilustrativos ou simbólicos como de costume).

Red Cliff possui uma beleza fora do comum, sua narrativa cadenciada, as belas paisagens, os figurinos e a direção de arte são de tirar o chapéu. Tudo acompanhado por uma ótima trilha sonora e excelentes atuações. As cenas de batalhas formam um espetáculo à parte, tudo muito bem editado e grandioso, deixando vários épicos para trás. O uso da tecnologia de CGI foi utilizado de forma eficaz e não exagerada, não permitindo artificialismo nas batalhas.

A história possui inúmeros personagens, mas os mesmos são apresentados de forma gradativa de acordo com sua importância; todos possuem características fortes, mas não estereotipadas.

Para alguns o filme pode se tornar cansativo, por mesclar cenas de batalhas com as de intriga política, mas para mim tudo está bem equilibrado, e sua narrativa e exposição dos fatos estão em perfeita sincronia. O único motivo, em minha opinião, de Red Cliff não levar nota máxima é o de não ter um final, acabando abruptamente deixando-nos a ver navios esperando a continuação, que pelas expectativas criadas pela obra deveria ser igual ou superior. Se Woo estendesse o filme e chegasse ao final sem precisar de uma segunda parte seria uma obra-prima.

Códigos de Guerra (Windtakers, 2002), John Woo

por Leandro Caraça

Deveria ter sido o filme que restauraria o nome de John Woo para seus antigos fãs e a sua definitica consagração nos EUA. Uma aventura de guerra à moda antiga, os costumeiros temas de honra e lealdade e a volta de Nicolas Cage e Christian Slater. Tudo mudou durante a pré-produção com os ataques terroristas de 11 de setembro. De repente, filmes de guerra perderam a predileção do público e Códigos de Guerra foi tratado como um elefante branco pelo próprio estúdio que o produzia. Mais tarde quando a opinião pública americana pedia sedenta por uma intervenção militar no Iraque, o filme de Woo havia naufragado nas bilheterias. É uma pena, pois se trata do melhor roteiro que o chinês pegou nas mãos desde que aportou nos EUA. Cage e Slater são dois oficiais americanos durante a Segunda Guerra que precisam, de qualquer forma, proteger dois soldados de origem navajo que transmitem códigos militares em sua língua nativa. Proteger também siginifica matar aos dois subalternos antes que eles sejam capturados pelos inimigos japoneses, que desta foram teriam a chave para decodificar as mensagens. Muitos reclamaram do tom racista (I’m here to kill japs !) e das imagens de arquivo em P&B enxertadas na narrativa, coisa muito comum nos velhos filmes do gênero. Não foram capazes de enxergar o tom humanitário que John Woo vai ao pouco acrescentando aos personagens mais detestáveis, como o protagonista interpretado por Cage em um dos seus melhores papéis na década. As situações chegam a lembrar clássicos do calibre de O Inferno é Para os Heróis de Don Siegel e A Cruz de Ferro de Sam Peckinpah, mas sem alcançar a nível deles. O filme pode não ter ajudado a mudar a triste situação de John Woo em Hollywood, mas serviu para nos lembrar do grande diretor que pode ser quando tem a oportunidade. As ótimas cenas de ação e o belo final, citando John Ford, apenas comprovam isso.

Missão: Impossível 2 (Mission: Impossible 2, 2000), John Woo

por Leandro Caraça

John Woo já estava totalmente assimilado por Hollywood quando Missão: Impossível 2 estreou. Também nesta altura, a versão cinematográfica do antigo seriado televisivo havia se transformado numa mera desculpa para o astro Tom Cruise ficar se exibindo para suas fãs. Depois de matar e sujar o nome do velho protagonista (Jim Phelps), o ator/produtor jogou às favas o antigo esquema da série e fez do longa quase que um show particular, estrelado pelo seu enorme ego. Escrito pela dupla Ronald D. Moore e Brannon Braga – responsáveis em parte pelo declínio da franquia Star Trek – e roteirizado por Robert Towne, o filme tenta parecer mais inteligente do que ele realmente é. O que salva o Missão: Impossível 2 é a direção dinâmica de Woo e a providencial ajuda do montador Stuart Baird, que foi chamado às pressas na edição final. Se por um lado chega a irritar o desperdício de atores e personagens (Sir Anthony Hopkins é apenas um chamariz e Thandie Newton deve ser a ladra mais incompetente que já existiu), a mão segura do diretor garante a dose necessária de adrenalina. Os tiroteiros, as piruetas e as lutas são todas encenadas de forma impecável e claro, há espaço para Woo citar diversas obras de Hitchcock, além do clássico musical Amor, Sublime Amor de Robert Wise. Missão: Impossível 2 pode não ter a inteligência e sofisticação do anterior assinado por Brian de Palma. Contudo, não é impessoal e com cara de produto de TV como se mostrou o posterior de J.J. Abrams. Longe de ser a melhor coisa que o John Woo fez em solo americano, esse veículo para Tom Cruise é perfeito para se desperdiçar duas horas comendo pipoca e contando o número de cenas em slow motion.


Missão Impossível 2