O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), James Cameron

por Leopoldo Tauffenbach

A História do cinema prova que nem sempre a análise dos fatos gera um resultado previsível. Se assim fosse, o único resultado possível da combinação de baixo orçamento, ficção científica, diretor inexperiente e ator inexpressivo seria o fracasso total. Apesar de possuir todos esses requisitos, O Exterminador do Futuro conseguiu o seu lugar nos anais do cinema de ficção.

A clássica cena do "I'll be back": a não-interpretação é a alma do negócio.

A idéia é tão simples que chega a ser irritante. Em um futuro dominado por máquinas, os humanos formam uma resistência para acabar de vez com a tirania metálica. Sentindo a derrota se aproximar, as máquinas mandam um robô exterminador ao passado para assassinar a mãe do futuro líder da resistência, John Connor, e assim alterar as vantagens futuras. Mas a resistência descobre o plano das máquinas e envia um soldado ao passado para proteger a mãe de Connor antes que o exterminador a alcance.

Até então James Cameron era um diretor sem muita experiência. Antes de Exterminador, dirigira somente dois filmes. Mas um fator determinante para o seu sucesso é a sua sagacidade. Cameron é uma daquelas pessoas extremamente inteligentes e criativas, a quem meia palavra basta. Sua participação nos filmes Galáxia do Terror e Mercenários das Galáxias ensinou tudo o que ele queria saber sobre o cinema de ficção científica e o milagre da multiplicação orçamentária – afinal, estamos falando de duas produções de Roger Corman –, enquanto Xenogenesis e Piranhas II o ensaiaram para a difícil arte da direção.

Michael Biehn e Linda Hamilton como Reese, o homem protetor do futuro, e Sarah Connor, a mãe daquele que salvará o futuro. Adivinhe quem é o pai?

Já Arnold Schwarzenegger não era o que poderíamos bem chamar de “ator” até aquele momento. Suas incursões anteriores eram imitações do próprio personagem “Mister Universo”. E quando Arnold inventava de interpretar, o resultado não era lá essas coisas, como em Cactus Jack, o Vilão. A sabedoria de Cameron, e consequentemente o êxito de Schwarzenegger, residiu em explorar aquilo que ele não era: um ator. Seu trabalho era não interpretar, ser uma criatura dura movida por seu impressionante físico. Era disso que se tratava um exterminador. Aliás, John Millius já tinha entendido isso quando fez Conan, o Bárbaro, e Richard Fleischer resolveu ignorar o mesmo fato com Conan, o Destruidor, tentando dar ao musculoso austríaco mais responsabilidade cênica do que ele poderia aguentar. Como resultado, temos uma obra de arte em Conan, o Bárbaro e um filmeco esquecível em Conan, o Destruidor.

O exterminador mostra sua verdadeira face e a excelencia das equipes de maquiagem e efeitos especiais. Enquanto isso a platéia vai ao delírio.

Não à toa, é possível enxergar alguns traços estilísticos da escola de Corman em Exterminador. Mas James Cameron foi além, e imprimiu um ar sujo e fatalista ao filme. A direção de arte de George Costello – que não fez nada muito notável antes e depois de Exterminador – e a neurótica trilha sonora de Brad Fiedel foram essenciais na construção do clima do filme. E nem vamos falar dos efeitos especiais e de maquiagem do filme, esta deixada a cargo do mestre Stan Winston. O que temos em O Exterminador do Futuro é cinema de ficção da mais alta qualidade, e o mais importante aqui é a história magistralmente contada por Cameron. Prova disso é que passados 25 anos desde seu lançamento, continua impávido em sua posição, enquanto outros filmes são lançados com alarde para logo depois serem condenados a camadas de poeira em uma prateleira baixa nas locadoras.

4 thoughts on “O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), James Cameron

  1. Realmente, O Exterminador do Futuro é um dos filmes que mudou o cinema de ficção científica para sempre. Na minha opinião, Exterminador mostra a união perfeita e certeira entre um roteiro excelente e um diretor talentoso!

  2. James Cameron dormindo no carro durante as filmagens, sem dinheiro, é prova de que o cinema quando feito com suor atinge seu objetivo. E é muito foda, Arnold melhor como vilão do que como herói.

  3. Que “I´ll be back” que nada! Minha frase favorita desse filme é “Sarah…Connor” BANG!

    Ótimo filme, adoro a perseguição no estacionamento.

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