Titanic (1997), James Cameron

por Leandro Caraça

Ninguém a não ser o próprio James Cameron acreditava na possibilidade de Titanic se tornar um sucesso. Mesmo assim ele colou uma gilete na mesa de montagem com os dizeres “no caso de tudo mais der errado.”. O que se viu no entanto foi o maior fenômeno nas bilheterias desde E.T. – O Extraterrestre, algo que apenas acontece uma vez em cada geração, ou quem sabe, até duas. A trama é conhecida por todos. Os detratores reclamam do romance meloso entre Leonardo Di Caprio e Kate Winslet e da longa duração da película. A verdade é que Titanic funciona muito bem como cinemão pipoca clássico e um dos melhores filmes-catástrofe de todos os tempos. Algo que faria Irwin Allen ficar preso na cadeira e que Rolland Emmerich nunca conseguiria fazer nem em 1000 anos. No aspecto técnico, é um assombro, uma união do melhor CGI disponível na época com um modelo em tamanho quase real do barco. Algo que apenas Cameron é capaz entre os diretores contemporâneos. Avatar pode até ultrapassar Titanic e assumir o posto de maior arrecadação da história, mas repetir aquela febre que avassalou o ano de 1997, é algo difícil mesmo para o atual Rei do Mundo.

Atualização Furiosa:

O Segredo do Abismo, por Ronald Perrone

O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991), James Cameron

por Leopoldo Tauffenbach

Este é um filme que eu perdi a conta de quantas vezes assisti, tanto no cinema quanto em vídeo e posteriormente em DVD. Sem dúvida, O Exterminador do Futuro 2 foi um daqueles filmes que fizeram parte do meu repertório adolescente e tornou-se referência. E acredito que, como eu, muita gente aguardou ansiosamente a estréia da continuação do clássico de 84 que prometia uma revolução em termos de ação e efeitos especiais.

A comparação com o primeiro Exterminador chega a ser injusta em diversos aspectos. Arnold Schwarzenegger, por exemplo, embolsou sozinho 15 milhões de dólares, mais que o dobro do orçamento do filme anterior. O orçamento histórico de mais de 100 milhões de dólares permitiu a Cameron incluir uma equipe técnica de peso. Para cuidar dos efeitos especiais, entra em cena a Industrial Light and Magic de George Lucas, e a maquiagem ficou novamente sob a responsabilidade do imbatível veterano Stan Winston. Diferente de seu antecessor, O Exterminador do Futuro 2 teve uma campanha de marketing muito mais agressiva, que incluía a o hit You Could Be Mine, da banda Guns ‘n’ Roses, o que o colocou entre os filmes mais aguardados da década (o clip da música trazia várias cenas da produção, mas no filme mesmo ela aparece de fundo ilustrando um passeio de moto de John Connor).

O exterminadores se encontram pela primeira vez e não perdem tempo em tentar exterminar um ao outro.

A história se passa 10 anos após o primeiro filme. Mais uma vez Schwarzenegger surge como um exterminador, mas reprogramado no futuro para proteger John Connor de outro exterminador, o modelo T-1000. Sarah Connor segue internada em um hospital psiquiátrico e não pode ajudar o filho, enquanto Skynet, o computador que iniciará a guerra aos humanos, está prestes a ser construído com os pedaços do exterminador destruído no filme anterior! Uma vez reunidos, Sarah, John e o exterminador não só devem fugir dos ataques implacáveis do T-1000 como devem tentar destruir Skynet, a fonte de todo o mal, salvando a humanidade de seu futuro sinistro.

Uma das cenas mais surpreendentes com o exterminador T-1000, onde ele entra em um helicóptero por um vão para depois reconstituir-se à sua forma anterior.

Cameron conseguiu a proeza de superar as expectativas com um roteiro inovador, que mesmo trazendo de volta a mesma dinâmica da história anterior, amplia a mitologia do filme e aprofunda os personagens. Mas a alma do filme é mesmo o exterminador T1000, interpretado pelo ator das orelhas biônicas, Robert Patrick. Constituído de “ligas de metal miméticas” ou algo semelhante a metal líquido, ele tem a habilidade de moldar seu corpo à sua vontade, adquirindo a aparência de outras pessoas, objetos e transformando seus membros em armas pontiagudas. Essa habilidade também o torna virtualmente invencível, uma vez que lhe garante a capacidade de regenerar possíveis ferimentos. Cada vez que T-1000 surge na tela é uma explosão de adrenalina. Cada uma das cenas protagonizadas por ele faz o espectador roer o toco da unha de tanta tensão. Cameron realmente conseguiu apresentar ao público um vilão nunca antes visto, algo para encher os olhos e provocar emoções, e a verdade é que ninguém estava preparado para um espetáculo tão grandioso. Ainda que Patrick não tenha o mesmo carisma de Schwarzenegger, seu personagem supera em sofisticação, frieza e maldade o velho T-800 de 1984. Realmente, a revolução prometida em ação e efeitos especiais efetivou-se.

Nosso futuro em boas mãos: A mãe terrorista, o filho delinquente e o robô que deve salvar os dois.

Mas existe um fato curioso nesta história toda. Enquanto revia os dois primeiros filmes da saga para escrever estas pobres linhas, tive a impressão de que O Exterminador do Futuro 2 ficou datado, ao contrário do primeiro, mesmo com aquele visual oitentista fadado ao ridículo (principalmente no quesito penteados). Parte disso deve-se à inserção de humor no roteiro, algo completamente ausente no primeiro filme, e à atuação de Robert Furlong. Seu trabalho funcionou para a época, mas vendo hoje, John Connor parece mais um garoto bobo do que o delinquente órfão destinado a liderar uma revolução como previa a história. Já Linda Hamilton funciona muito bem no seu papel, apesar de alguns excessos. E Schwarzenegger melhorou muito em termos de atuação desde 1984 – agora ele realmente sabe atuar –, e seu exterminador tornou-se um dos heróis de ação mais empolgantes de todos os tempos.

James Cameron mostra neste filme que sabe o que quer. Para esta cena resolveu explodir um edifício de verdade ao invés de um cenário.

Mesmo sem o clima claustrofóbico do primeiro filme, o retorno de Cameron e Schwarzenegger ao universo de O Exterminador do Futuro é histórico, e os problemas explicitados aqui não impedem que o filme seja revisto inúmeras vezes sem deixar um sorriso de satisfação no rosto do espectador.

O Segredo do Abismo (The Abyss, 1989), James Cameron

por Ronald Perrone

O quarto filme de James Cameron foi esta grandiosa ficção científica de orçamento estrondoso sobre um grupo de garimpeiros de petróleo subaquáticos contratados para procurar um submarino nuclear perdido. Acaba tendo um contato com seres extraterrestres engajados ecologicamente. No elenco um time de primeira com Ed Harris, Mary Elizabeth Mastrantonio, Michael Biehn colaborando com o diretor pela terceira vez, Todd Graff, John Bedford Lloyd, e vários outros.

Naquela altura, James Cameron já buscava maneiras de transcender os limites tecnológicos do cinema. As filmagens de O Segredo do Abismo, por exemplo, foram extremamente difíceis, grande parte debaixo d’água, com som direto, etc. Mas nada interferia no processo criativo do diretor em conduzir seu projeto e o resultado, tecnicamente, reforça o talento do sujeito em relação ao seu olhar visionário para com a tecnologia de efeitos especiais, computação gráfica, algo realmente impressionante para a época, um verdadeiro avanço.

Mas Cameron vai muito além de um exercício técnico, extraindo de cada situação a essência de diversos gêneros e subgêneros inseridos à narrativa (terror aquático, fantasia mística, aventura, ação, romance). O problema é que essa mistura toda não agradou o público da época. Talvez por uma falta de coerência, acabou indo mal nas bilheterias, injustamente, mesmo com várias sequências de suspense e ação bem eficazes. Alguns anos mais tarde, Cameron resolveu lançar sua “versão do diretor” com 27 minutos a mais que o original. O que já era bom ficou ainda melhor.