O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991), James Cameron

por Leopoldo Tauffenbach

Este é um filme que eu perdi a conta de quantas vezes assisti, tanto no cinema quanto em vídeo e posteriormente em DVD. Sem dúvida, O Exterminador do Futuro 2 foi um daqueles filmes que fizeram parte do meu repertório adolescente e tornou-se referência. E acredito que, como eu, muita gente aguardou ansiosamente a estréia da continuação do clássico de 84 que prometia uma revolução em termos de ação e efeitos especiais.

A comparação com o primeiro Exterminador chega a ser injusta em diversos aspectos. Arnold Schwarzenegger, por exemplo, embolsou sozinho 15 milhões de dólares, mais que o dobro do orçamento do filme anterior. O orçamento histórico de mais de 100 milhões de dólares permitiu a Cameron incluir uma equipe técnica de peso. Para cuidar dos efeitos especiais, entra em cena a Industrial Light and Magic de George Lucas, e a maquiagem ficou novamente sob a responsabilidade do imbatível veterano Stan Winston. Diferente de seu antecessor, O Exterminador do Futuro 2 teve uma campanha de marketing muito mais agressiva, que incluía a o hit You Could Be Mine, da banda Guns ‘n’ Roses, o que o colocou entre os filmes mais aguardados da década (o clip da música trazia várias cenas da produção, mas no filme mesmo ela aparece de fundo ilustrando um passeio de moto de John Connor).

O exterminadores se encontram pela primeira vez e não perdem tempo em tentar exterminar um ao outro.

A história se passa 10 anos após o primeiro filme. Mais uma vez Schwarzenegger surge como um exterminador, mas reprogramado no futuro para proteger John Connor de outro exterminador, o modelo T-1000. Sarah Connor segue internada em um hospital psiquiátrico e não pode ajudar o filho, enquanto Skynet, o computador que iniciará a guerra aos humanos, está prestes a ser construído com os pedaços do exterminador destruído no filme anterior! Uma vez reunidos, Sarah, John e o exterminador não só devem fugir dos ataques implacáveis do T-1000 como devem tentar destruir Skynet, a fonte de todo o mal, salvando a humanidade de seu futuro sinistro.

Uma das cenas mais surpreendentes com o exterminador T-1000, onde ele entra em um helicóptero por um vão para depois reconstituir-se à sua forma anterior.

Cameron conseguiu a proeza de superar as expectativas com um roteiro inovador, que mesmo trazendo de volta a mesma dinâmica da história anterior, amplia a mitologia do filme e aprofunda os personagens. Mas a alma do filme é mesmo o exterminador T1000, interpretado pelo ator das orelhas biônicas, Robert Patrick. Constituído de “ligas de metal miméticas” ou algo semelhante a metal líquido, ele tem a habilidade de moldar seu corpo à sua vontade, adquirindo a aparência de outras pessoas, objetos e transformando seus membros em armas pontiagudas. Essa habilidade também o torna virtualmente invencível, uma vez que lhe garante a capacidade de regenerar possíveis ferimentos. Cada vez que T-1000 surge na tela é uma explosão de adrenalina. Cada uma das cenas protagonizadas por ele faz o espectador roer o toco da unha de tanta tensão. Cameron realmente conseguiu apresentar ao público um vilão nunca antes visto, algo para encher os olhos e provocar emoções, e a verdade é que ninguém estava preparado para um espetáculo tão grandioso. Ainda que Patrick não tenha o mesmo carisma de Schwarzenegger, seu personagem supera em sofisticação, frieza e maldade o velho T-800 de 1984. Realmente, a revolução prometida em ação e efeitos especiais efetivou-se.

Nosso futuro em boas mãos: A mãe terrorista, o filho delinquente e o robô que deve salvar os dois.

Mas existe um fato curioso nesta história toda. Enquanto revia os dois primeiros filmes da saga para escrever estas pobres linhas, tive a impressão de que O Exterminador do Futuro 2 ficou datado, ao contrário do primeiro, mesmo com aquele visual oitentista fadado ao ridículo (principalmente no quesito penteados). Parte disso deve-se à inserção de humor no roteiro, algo completamente ausente no primeiro filme, e à atuação de Robert Furlong. Seu trabalho funcionou para a época, mas vendo hoje, John Connor parece mais um garoto bobo do que o delinquente órfão destinado a liderar uma revolução como previa a história. Já Linda Hamilton funciona muito bem no seu papel, apesar de alguns excessos. E Schwarzenegger melhorou muito em termos de atuação desde 1984 – agora ele realmente sabe atuar –, e seu exterminador tornou-se um dos heróis de ação mais empolgantes de todos os tempos.

James Cameron mostra neste filme que sabe o que quer. Para esta cena resolveu explodir um edifício de verdade ao invés de um cenário.

Mesmo sem o clima claustrofóbico do primeiro filme, o retorno de Cameron e Schwarzenegger ao universo de O Exterminador do Futuro é histórico, e os problemas explicitados aqui não impedem que o filme seja revisto inúmeras vezes sem deixar um sorriso de satisfação no rosto do espectador.

10 thoughts on “O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, 1991), James Cameron

  1. Putz! O T3 é uma boa idéia com péssimas decisões tomadas na hora de executar. E aquela vilã é uma das coisas mais babacas e insuportáveis que eu já vi na vida.
    T2 é como eu disse: se não fossem as piadinhas que quebram o clima, seria não só o melhor filme de Cameron como arriscaria entrar para o Top 5 dos melhores Sci-Fi da história!

  2. Olha, sobre esta questão do John Connor não ser no presente o que se esperava dele no futuro, o filme força mesmo algumas situações que o deixam mais parecido com um nerd revoltado, na verdade o garoto do coro comparado aos crackers de hoje, que um futuro líder militar.
    Mas, sobre esta opinião, que nem é minha, mas achei interessante, vejo apenas o seguinte: nem mesmo o T4 conseguiu um John Connor grandioso como se mitificou no primeiro filme.
    Ou seja, aquele John Connor que se falava no primeiro filme nunca existiu…

  3. Acho T2 bem mais angustiante, eletrizante, poderoso e épico que o primeiro filme, apesar de gostar dele tb. Se tem algum filme que não se data de jeito nenhum, esse é justamente T2. Tanto no quesito efeitos visuais quanto abordagem e até mesmo o humor. Matrix já se datou até, e T2 continua firme e forte. John Connor de T2 é um garoto esperto, que sabe se virar sozinho, cheira encrenca de longe, anda de moto, é malandro, e sabe roubar carros e caixas eletrônicos. Não diria exatamente q é um garoto bobo, mas mesmo tendo características de um futuro líder, ele não deixa de ser um típico adolescente dos anos 90, ué. É claro que ele é imaturo. Ainda mais depois de acreditar que tudo que sua mãe lhe ensinou e disse, era mentira e q ela era maluca.

    Connor bundão pra mim é do terceiro filme e daquela série enfadonha da Warner.

  4. hermes o John Connor no futuro foi visto no inicio do segundo filme na sequencia da batalha.Nessa cena ele mostra o rosto cheio de cicatrizes e observa a batalha.

  5. Aquele john connor que comanda a resistência no futuro na cena da guerra no inicio de T2 é o Connor que kyle Reese retratava no primeiro filme.

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