A MORTE NÃO MANDA RECADO (The Ballad of Cable Hogue, 1970), Sam Peckinpah

por Ronald Perrone

Muita gente subestima o poder de A Morte Não Manda Recado. Mas é preciso levar em consideração que a grande maioria daqueles que iniciam sua peregrinação ao cinema de Peckinpah costumam assistir primeiro aos viscerais Meu Ódio Será sua Herança, Alfredo Garcia, Sob o Domínio do Medo, etc, e acha que o sujeito vai expressar a brutalidade do ser humano em todos os seus filmes. Quando chega a hora de acompanhar a aventura do personagem Cable Hogue, vivido magnificamente por Jason Robards, depara-se com algo inesperado, um western de sensibilidade espantosa que deixa o espectador completamente sem chão, desacreditado que aquilo havia saído da mesma mente que injetou a violência sanguinolenta no cinema mainstream americano.

A princípio, a trama parece caminhar para o costumeiro do gênero, inclusive o mote principal é a vingança, quando o personagem do título original é abandonado em pleno deserto por dois ex-companheiros e vaga sem água, comida, transporte, armas,  jurando vingança. Mas a jornada de Cable Hogue encerra quando ele encontra uma fonte de água e faz dali o seu lar. É neste ponto também que o filme toma direções completamente opostas às espectativas do público, que aguarda ansiosamente por situações de ação, com aquelas decupagens geniais que só o Peckinpah sabia fazer. No entanto, o filme se transforma num drama cômico com uma dose de romance, até bem bobinho, o qual oferece, ao mesmo tempo, um dos mais belos estudos humanos do cinema americano! Até mesmo o desejo de vingança, que motiva o personagem durante toda a projeção, é solucionada de maneira frustrante para quem ainda esperava o Bloody Sam de Os Implacáveis entrar em ação. Acontece que até mesmo um poeta da violência tem seus dias sentimentais. Calhou de ser na concepção deste aqui. Não é a toa que o próprio diretor considerava A Morte não Manda Recado o seu trabalho favorito.

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7 thoughts on “A MORTE NÃO MANDA RECADO (The Ballad of Cable Hogue, 1970), Sam Peckinpah

  1. Putz, o pessoal deve ter ficado muito puto com esse filme, então, hehehe. Aliás, estive pensando há algum tempo, são realmente poucos os diretores que fazem ação (embora o filme, pelo teu texto, não vá nessa direção) que sabem lidar com o drama e, acima de tudo, serem autores dentro do gênero. Quem legal que uma figura como o Peckinpah tenha aparecido.

  2. Sim, realmente são poucos… os primeiros que aparecem em mente agora, além do próprio Peckinpah, é John Flynn, John Woo e William Friedkin. Quem mais?

  3. Só vi, confesso, dois de seus filmes, mas acho que o To entraria nessa lista, não? Considero o Chang Cheh um autor também. Mas acho que são poucos mesmo.

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