OS IMPLACÁVEIS (The Getaway, 1972), Sam Peckinpah

por Caio de Freitas

Depois de ousar e perturbar as platéias com Sob o Domínio do Medo, de 1971, Sam Peckinpah fez seus dois próximos filmes de modo mais comedido. Os Implacáveis, de 1972, é um bom e simples exemplo de filme de “assalto-e-fuga” bem feito, sem grandes invenções, calcado no “feijão-com-arroz” do gênero. Claro que há os toques de Bloody Sam na obra, como violência estilizada e tiroteios em câmera lenta, o que dá aquele algo mais ao filme.

Na trama, “Doc” McCoy [o nosso eterno Steve McQueen] é um ladrão de bancos que estava preso por quatro anos e meio até que se cansa e decide sair da cadeia. Pra isso, ele entra em contato com sua mulher, Carol [a belezinha Ali MacGraw], para que ela lhe arranje um meio de sair da prisão. Então, McCoy ganha sua liberdade para trabalhar para Beynon [Ben Johnson], e assaltar o cofre de um banco. A partir daí começa um jogo de trapaças e perseguições, onde ninguém confia em ninguém, que segue até El Paso, local onde acontece o clímax do filme.

Os Implacáveis não tem grande ousadia em seu roteiro, que mostra de maneira bem linear este jogo de trapaças. O filme segue em um ritmo agradável, crescente a partir do assalto do banco. Depois que as coisas começam a dar errado, Peckinpah mostra o casal McCoy tendo que lidar com as diversas situações que surgem após o malfadado roubo. Não há grande complexidade dos personagens, como em outros filmes do diretor, mas a evolução da trama é muito competente.

Há alguns pontos do filme a se destacar, como a participação de Al Lettieri [o Solozzo de O Poderoso Chefão] como Rudy, assaltante que tenta dar o golpe em Doc e acaba perseguindo-o durante o filme. Nesta perseguição, ele faz refém um casal, donos de uma clínica veterinária. A trajetória do casal beira o tragicômico: obrigados a levar Rudy até o México, a esposa flerta com o bandido, e o marido tem que observar a situação toda calado. Além disso, Steve McQueen é muito eficiente no papel de Doc McCoy, mostrando aquela postura que o espectador espera de um ladrão de bancos fodão.

No geral, Os Implacáveis é um filme eficiente. Não revoluciona o gênero (e nem pretende), mas traz elementos que funcionam bem neste estilo de filme, como várias perseguições de carro, acidentes, tiros e fugas. Há os toques de Peckinpah, esteticamente falando, como as cenas em câmera lenta e sequências com cortes rápidos, afim de criar um clímax. Se pensarmos em Peckinpah, é óbvio que o filme não é das melhores obras; mas se pensarmos em filmes de “assalto-e-fuga”, Os Implacáveis é uma boa diversão.

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10 thoughts on “OS IMPLACÁVEIS (The Getaway, 1972), Sam Peckinpah

    • Concordo. E o pior é que não para por aí… as cenas espetaculares de ação já coloca o filme entre os meus favoritos do Bloody Sam.

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