A ESTAÇÃO DA BRUXA (Hungry Wives, 1972), George A. Romero

por Leandro Caraça

Joan Mitchell é uma dona-de-casa suburbana desiludida com sua atual situação, incapaz de criar um elo de comunicação com a filha, e frequentemente maltratada e abusada pelo marido. Sem falar dos pesadelos cada vez mais constantes com um homem misterioso invadindo sua casa que a estão deixando ainda pior. Os seus únicos momentos de relaxamento são as reuniões com as vizinhas de vida igualmente nada interessante. Pois é numa dessas sessões de fofocas acaba sabendo de uma moradora das redondezas que é praticamente de wicca (bruxaria). George Romero foge de qualquer clichê possível neste filme, apresentando um filme de bruxa quase que sem a presença de nenhuma bruxa. Igual ao que faria com O Exército do Extermínio (um filme de zumbi sem o sinal de um zumbi sequer) e Martin (um filme de vampiro sem nenhum vampiro verdadeiro). A nova forma de encarar o mundo que Joan vai aos poucos absorvendo, lhe trará a força necessária para recuperar a confiança que havia perdido em si mesma, incluindo nisso um caso com o amigo de sua filha (Raymond Laine de There’s Always Vanilla).

Longe de ser um filme de horror, Hungry Wives mostra o cuidado de Romero em trabalhar com diálogos e situações cotidianas perfeitamente verossímeis. A sua narrativa adulta até sugere um paralelo com autores do porte de Robert Altman e John Cassavetes. Por outro lado, o diretor não abre mão de criar alguns momentos aterrorizantes que são apresentados nos sonhos cada vez mais sinistros da protagonista. É uma pena que o próprio Romero considere esta daqui uma das obra menos querida de sua filmografia, só perdendo para There’s Always Vanilla. Com toda a humildade que lhe é sempre atribuída, ele acredita que o filme é deficiente tecnicamente. Confessa que teve alguns problemas de produção (uma constante em sua carreira) e acredita que seus primeiros filmes se valiam de uma montagem bem empregada para compensar qualquer eventual falha na sua narrativa. A verdade é que Hungry Wives pode até sofrer de um final meio abrupto mas nunca deixa de ser fascinante. Ainda mais levando em conta que a versão original tinha 130 minutos, e que depois ganhou dois novos cortes, um de 104 minutos e outro de 89 minutos que foi lançado comercialmente nos EUA. No Reino Unido o filme recebeu o sugestivo título de Jack’s Wife. Na década de 80, ao chegar nas videolocadoras foi rebatizado como Season of the Witch – para tentar capitalizar em cima da canção de Donovan que toca no filme). No Brasil chegou a sair em raríssimas cópias piratas legendadas com o nome de A Estação da Bruxa.

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2 thoughts on “A ESTAÇÃO DA BRUXA (Hungry Wives, 1972), George A. Romero

  1. Então a única versão possível de ser encontrada com maior proximidade com o corte original é o de 104 minutos?

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