DIA DOS MORTOS (Day of the Dead, 1985), George A. Romero

por Davi de Oliveira Pinheiro

Dia dos Mortos está dois passos à esquerda da porta da locadora. A caixa da fita VHS chama sempre a atenção quando entro. Tenho menos de dez anos; alugar filmes é ritual diário entre eu e meu pai. Dia dos Mortos é território aparentemente proibido, já que nunca se discute e sempre que me aproximo sou levado a crer que não devemos assistir. Vi Creepshow, Cavaleiros de Aço, Martin e Instinto Fatal. Por que o medo de assistir a Dia dos Mortos?

O filme se torna mito e na adolescência me desaponta. Considero o pior filme da trilogia. Revisito anos depois, sob a influência de Isidoro B. Guggiana, futuro produtor, e se torna meu Romero favorito, ao lado do melhor vampiro da História do cinema, Martin. No entanto, mantém-se o questionamento: o que fascina na infância, repugna na adolescência e agora desafia a compreensão?

Já advoguei em favor das mensagens políticas nos filmes de Romero, porém considero os filmes de mortos-vivos do mestre do gênero pueris na expressão de eventos sociais. Todos caem numa superficialidade adolescente. Comunicam idéias acerca dos fatos, mas não transcendem uma discussão política entre indivíduos bem intencionados, sem conhecimento de causa.

É a perfeição técnica dos efeitos que me atraí ao filme? Sim. Gosto muito da maquiagem e, com certeza, é um dos grandes motivos que retornam os fãs aos momentos de carnificina. A qualidade, até hoje insuperável, inspira artistas a criarem suas próprias versões das criaturas concebidas por Tom Savini.

A resposta ao meu fascínio se encontra numa singela noção de ritmo e atuações competentes. Romero, diretor que se entrega ao desleixo na dramaturgia e beira o amador em muitos de seus filmes, constrói tensão e desenvolve, com a clareza dos bons contadores de história, relacionamentos vívidos, mesmo que caricaturais.

Minha vida atual, profissional e artística deve muito ao reencontro instigado por Isidoro. Porto dos Mortos surge, em 2004, sob a égide da paixão por este Dia dos Mortos. O desejo de seguir os passos do mestre – e evitar copiá-lo – inicia uma experiência pessoal que, até hoje, sete anos após a fagulha inicial, faz parte do meu dia-a-dia.

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