A METADE NEGRA (The Dark Half, 1993), George A. Romero

por Osvaldo Neto

A Metade Negra é um filme obrigatório aos interessados pela filmografia de George A. Romero, que não se resume a um punhado de excelentes filmes de zumbis. Trata-se de um mergulho na mente de um dos únicos autores que continuam imprimindo a sua marca dentro do cinema de terror.

O longa é conduzido com habilidade por Romero e tem apoio no excelente desempenho do subestimado Timothy Hutton em desafiador papel duplo. Hutton interpreta Thad Beaumont, um escritor com problemas de alcoolismo no passado, mas que hoje só tem olhos para a esposa (Amy Madigan) e seus dois filhos gêmeos, ainda bebês. Thad leva uma vida dupla como autor: ele assina suas novelas mais “sérias” usando o próprio nome, que são reconhecidos apenas pela crítica e intelectuais, mas os livros que garantem um melhor padrão de vida para a sua família são as violentas histórias sobre um assassino chamado Alexis Machine, assinadas com o pseudônimo George Stark.

Tudo está tranquilo até o dia em que um verme chamado Fred Clawson (Robert Joy, que trabalharia com Romero em Terra dos Mortos) aparece na universidade onde Beaumont ensina para chantageá-lo, pois ele teve acesso à informação de que o então autor intelectual também é responsável pela literatura popularesca assinada por Stark. Para não ceder às pressões do chantagista, o escritor decide “enterrar” Stark, revelando ao público que também é o autor dos livros de Alexis Machine. A partir deste momento, pessoas relacionadas com a carreira de Beaumont começam a ser assassinadas e para o desespero dele e de sua família, ele é o principal suspeito dos crimes pelo xerife Alan Pangborn (Michael Rooker), pois as suas digitais sempre são encontradas nas cenas dos crimes. Tudo passa a indicar que George Stark, a Metade Negra de Beaumont, ganhou vida. Uma adorável Julie Harris e Royal Dano em seu último filme completam o elenco em pequenos papéis.

Embora baseado no livro de Stephen King, A Metade Negra não deixa de ser um dos trabalhos mais pessoais de Romero. É fácil perceber o quanto Romero se identificou com o material, onde King faz referências ao período em que assinou seus romances como Richard Bachman, entre eles A Maldição do Cigano. Basta notarmos as semelhanças entre o cineasta e Thad Beaumont, que seria o Romero de Martin, O Exército do Extermínio e Cavaleiros de Aço, mais apreciado pela crítica e seus fãs, enquanto que Stark é o Romero favorito do público e fãs de horror em geral, o dos zumbis com a Trilogia dos Mortos, Terra, Diário e Ilha dos Mortos. Pena que A Metade Negra perca boa parte de seu fôlego rumo ao final, inclusive tomando rumos previsíveis, o que não o impede de continuar sendo mais que um simples filme do gênero.

Entre A Metade Negra e Bruiser, tivemos um hiato de sete anos sem filmes de Romero. Foi necessário que ele fizesse outro (grande!) filme de zumbi cinco anos depois para voltar a ser mais ativo, mesmo que isso signifique se repetir e não fazer algo realmente diferente nos últimos anos. O seu próximo trabalho inclusive é outro longa com zumbis anunciado recentemente, já que a refilmagem de Prelúdio para Matar, clássico de Dario Argento, com quem foi parceiro em Despertar dos Mortos e Dois Olhos Satânicos, foi para o brejo. Ao que tudo indica, a “metade negra” de Romero está tomando conta de sua cabeça.

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