A MÁSCARA DO TERROR, aka Vingança sem Rosto (Bruiser, 2000), George A. Romero

por Leandro Caraça

George Romero apresentou Bruiser – Vingança Sem Rosto após um hiato de seis anos sem dirigir um único longa-metragem. Nesse espaço de tempo acumulou vários projetos abortados ou que foram parar nas mãos de cineastas menos qualificados. Alguns fãs se perguntavam da possibilidade de Romero se aposentar enquanto que os mais radicais queriam apenas que o diretor fizesse um último filme de zumbis.

Financiado em parte por produtoras do Canadá e França e realizado ao custo total de apenas cinco milhões de dólares, Bruiser teve uma recepção fria e acabou sendo lançado direto em vídeo nos EUA. Depois de certo tempo sem um filme novo de Romero os impacientes fãs estavam ávidos por altas doses de violência, humor negro e crítica social por parte do veterano cineasta. Acontece que o filme trazia tudo isso, mas agora de uma maneira um pouco mais sutil e relaxada. Típico de uma pessoa prestes a entrar em sua sexta década de vida.

Com muita ironia, Romero conta a história do executivo de uma revista fashion (Jason Flemyng) que certo dia acorda sem o seu rosto. Ou melhor dizendo, com uma máscara branca e sem face no lugar da cara. A razão disso pode ter vindo do fato dele constantemente ser traído e passado para trás por aqueles em quem confia. No decorrer do filme ele não só buscará vingança como também a consolidação de sua própria identidade, uma vez que esta parece ter sido totalmente consumida. Os atores do filme estão muito bem. Jason Flemyng esbanja simpatia como o patético protagonista e Peter Stormare está deliciosamente exagerado como o dono da revista, que aliás se chama Bruiser. O elenco de apoio ainda conta com o sempre carismático Tom Atkins, que antes já havia trabalhado com Romero em Creepshow – Show de Horrores e Dois Olhos Satânicos. Isso sem falar da participação mais do que especial da banda punk Misfits, presentes em carne, osso e decibéis na parte final.

Desde os tempos de Creepshow que George Romero não dirigia um filme tão descompromissado assim, apesar do sempre presente tom de crítica. Pena que seja a obra menos coesa do cineasta e no epílogo acabe perdendo um pouco da sua força. Realmente às vezes se parece mais com um episódio alongado de alguma antologia de terror e poderia ter um melhor rendimento se fosse realizado nesse formato. Isso não justifica as pedras atiradas pelos fãs mais xiitas. Bruiser serviu para mostrar que Romero ainda estava atuando por aí não comum um zumbi em decomposição, mas sim como o autor que ele sempre foi. Mesmo ganhando dinheiro elaborando roteiros de filmes que nunca chegaram sequer a acontecer e tendo ficado tanto tempo longe do público, ele provou que nunca havia perdido a sua identidade.

Por causa disso, Bruiser é um dos filmes mais pessoais de George Romero. E um dos seus favoritos.

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