DIÁRIO DOS MORTOS (Diary of the Dead, 2007), George A. Romero

por Caio de Freitas Paes

É triste admitir, mas os tempos passam, e nem sempre nossa obra mantém sua qualidade e constância. Tendo isso em vista, Diário dos Mortos, de 2007, não está nem aos pés das grandes obras do mestre zumbi George A. Romero. A trama mostra um apocalipse zumbi visto pelo prisma de nossa sociedade altamente tecnológica e globalizada, mostrando um grupo munido de câmeras, notebooks, celulares e afins buscando a sobrevivência. No entanto, Romero tenta mostrar os acontecimentos de forma documental, como se víssemos apenas o que os jovens estudantes de cinema tivessem captado através de suas lentes. Há alguns elementos comuns à grande obra de Romero, como o questionamento sobre valores éticos em meio ao caos provocado pela praga zumbi; esta indagação é personificada no pretenso cineasta Jason [Joshua Close], que escolhe renunciar seus vínculos com a humanidade em prol de seu filme (a obra se chama “Death of Death”), pois acredita que no final não haverá nada que valha sua sobrevivência – nem mesmo sua namorada, Debra [Michelle Morgan].

No fim das contas Romero erra a mão, pois o formato mockumentary é bem chato, e seus personagens não possuem força e carisma suficiente para atrair o espectador, que acaba não se importando com as discussões propostas pelo renomado diretor – vide o personagem amish, completamente mal trabalhado. Por mais que haja a crítica à sociedade que se importa mais com um vídeo sobre zumbis do que com seus amigos mais próximos – como pode ser bem observado no momento em que o curta de Jason obtém 72 mil visitas em poucos minutos -, Romero se perde durante o longa. A atuação do elenco prejudica bastante a obra, repleta de efeitos especiais desnecessários – explicados somente pelo status quo de Romero, que resolveu gastar dinheiro da produção em efeitos computadorizados ao invés de um trabalho de maquiagem mais eficiente. Diário dos Mortos vale apenas para os fãs mais ardorosos de Romero, daqueles que amam qualquer coisa que um artista lance, independentemente de sua qualidade.

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