GUERRILHEIROS DO PACÍFICO (Back Door to Hell, 1964) Monte Hellman

por Ronald Perrone

Segunda produção filmada nas Filipinas, Guerrilheiros do Pacífico é o filme em que Monte Hellman começa a dar sinais de seu cinema existencialista, cujo foco principal é mais nos personagens do que na ação. É uma obra interessante que possui uma trama de guerra como pano de fundo, sobre três soldados americanos que se juntam a um grupo de guerrilheiros nas Filipinas com o objetivo de derrubar o centro de comunicação japonês na região montado durante a Segunda Guerra Mundial.

O trio americano é liderado pelo sensível Tenente Craig, vivido pelo cantor Jimmie Rogers, com tendências pacíficas e que logo no início demonstra fraqueza ao hesitar em apertar o gatilho contra um inimigo. Temos um jovem Jack Nicholson antes do estrelato (mais uma vez na função de roteirista e ator) no papel de um especialista em comunicação, com algumas observações filosóficas, mas sem o mesmo brilho demonstrado em Flight of Fury, realizado simultaneamente com Guerrilheiros do Pacífico. O terceiro é Jersey, vivido por John Hackett, o típico soldado casca grossa que possui grande peso dramático. Outro destaque fica por conta de Paco (Conrad Maga), o desconfiado e desumano líder do exército rebelde.

Apesar de toda atenção às figuras centrais, não faltam por aqui alguns momentos mais excitantes, como o trágico final. Mas a minha sequência preferida é a que ocorre pouco depois do encontro dos soldados com os rebeldes.  Após descobrirem a presença dos americanos, os japoneses capturam  e mantém todas as crianças de uma pequena cidade como refém até que os três soldados sejam assassinados. O que temos logo a seguir é uma impressionante sequência de batalha, com um realismo documental de encher os olhos. Hellman demonstra domínio de câmera e da gramática da ação como um autêntico veterano e não parece nem um pouco alguém em início de carreira que estava realizando dois filmes ao mesmo tempo e com orçamento apertadíssimo.

Ainda assim, Guerrilheiros do Pacífico não possui a força dos próximos trabalhos do diretor e não chega ao nível de outros exemplares do gênero do período, como alguns filmes do Fuller ou Aldrich. Apesar disso, em seus 80 minutos de duração, possui tempo de sobra para Hellman deixar sua assinatura e tornar certas obsessões reconhecíveis, demonstrando um precoce talento na direção. Além de começar a preparar o espectador com seus habituais desfechos pessimistas, abertos, inesperados e bruscos.

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