OS ASSASSINOS DO RAIO AZUL (Blue Sunshine, 1978)

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por Ronald Perrone

Já pensou se aquele inocente ácido que te deixou doidão em uma festa qualquer dez anos atrás tivesse uma bad trip retardatária e causasse efeitos colaterais hoje, sem mais nem menos, subitamente? Pois o diretor e roteirista Jeff Lieberman pensou. Foi assim que surgiu Os Assassinos do Raio Azul, o trabalho mais cultuado do homem e uma interessante reflexão sobre as consequências da geração libertária dos anos 60 em forma de conto psicodélico de horror.

Na história de Os Assassinos do Raio Azul, uma epidemia bizarra começa assolar os pobres moradores de Los Angeles. Pessoas comuns, vivendo suas vidas, começam a sofrer uma repentina perda de cabelo. Apenas o início de uma transformação que termina com o indivíduo agindo como um zumbi careca psicopata, que só segue o instinto de matar e matar. É o que acontece logo no início do filme, quando um grupo de amigos, nos seus trinta e poucos anos, festeja numa casa perto da floresta nos arredores de Los Angeles. Um dos convidados perde totalmente o cabelo, surta ferozmente e inicia a matança. Na fuga, vai parar debaixo de um caminhão.

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 A culpa de toda a tragédia acaba sobrecaindo no único sobrevivente, Jerry Zipkin (interpretado pelo futuro produtor e diretor de thillers eróticos, Zalman King), agora procurado pela polícial. Tentando compreender os fatos e precisando provar sua inocência, Zipkin inicia um trabalho de investigação. Além de descobrir que o bizarro acontecimento não foi um caso isolado, o sujeito encontra ligação entre ex-alunos da universidade de Stanford com uma droga alucinógena comercializada no local há dez anos, conhecida como Blue Sunshine. E não se trata de Viagra.

Conforme o filme avança e as investigações de Zipkin tem resultados, mais ex-alunos daquela época entram num frenesi zumbi psicótico causando o terror. A sequência em que o herói consegue salvar duas crianças de uma careca descontrolada empunhando uma faca é um dos momentos mais tensos do filme, que é todo muito bem conduzido por Lieberman intercalando instantes de thriller policial de investigação com situações de puro horror. Os dez minutos finais na discoteca e logo depois numa loja de conveniências é uma aula de tensão e atmosfera.

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Mas a grande sacada de Os Assassinos do Raio Azul é mesmo a sua premissa de incrível originalidade. Essa história de pessoas que se transformam em zumbis por conta de um delay do efeito de uma droga usada há dez anos é muito fascinante. Mas o que o Lieberman queria exatamente com esse material? Gosto de pensar na ideia de um filme inocente de terror com um baita conceito original. Porque se formos parar para analisar o discurso que o filme propõe corremos o risco de nos deparamos com uma mensagem moralista do tipo “Olha o que as drogas fizeram, foderam com a mente de uma geração”. Não seria a primeira vez. The Ring (1972), curta metragem que Lieberman realizou antes de Squirm (1976) é uma engajada propaganda anti-drogas.

De qualquer forma, Os Assassinos do Raio Azul não deixa de ser um clássico notável do horror setentista de baixo orçamento e que conseguiu com muita criatividade dar um autêntico significado para a expressão bad trip. Uma curiosidade para finalizar. Um jornal da época chegou a fazer matérias sobre uma suposta epidemia esquisita causada pelo consumo de LSD. A fonte: Os Assassinos do Raio Azul. Aparentemente, algum jornalista desavisado caiu na pegadinha dos letreiros finais e acreditou que se tratava de um material baseado numa história verídica.

Só isso já basta para se tornar fã de Os Assassinos do Raio Azul, não?

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3 thoughts on “OS ASSASSINOS DO RAIO AZUL (Blue Sunshine, 1978)

  1. Tirando as mortes e o lance “meio epidemia zumbi”, esse é o tipo de história que deixaria Philip K. Dick com um sorriso de orelha a orelha.

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