SQUIRM (1976)

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por Leopoldo Tauffenbach

A função de todo filme de horror é provocar sensações desagradáveis na plateia. Medo, aflição, angústia, tensão, ansiedade, repulsa, asco… O que explica a regra da presença de seres repugnantes – fossem imaginários ou reais – nas produções. Todo castelo ou mansão assombrada de respeito – fosse nos filmes góticos italianos ou nas produções da Hammer – havia de ter aranhas, cobras ou escorpiões habitando o local. A paranoia da guerra nuclear e a fantasia de locais ainda inexplorados elevaram criaturas minúsculas a dimensões gigantescas.

De lá até os anos 70 muitos invertebrados foram explorados em produções de horror, como as sempre favoritas aranhas, passando por formigas, escorpiões e louva-a-deus, sem esquecer as baratas com flatulência incendiária de Praga Infernal, de 1975. E quando se pensava que tudo havia sido explorado, eis que surge Squirm, primeiro longa-metragem de Jeff Lieberman, que consegue o fantástico feito de criar um filme tenso e eficiente a partir de uma premissa totalmente improvável: uma invasão de minhocas carnívoras.

Mick e Geri, o casal mais carismático e ruivo que já se viu, suspeita que algo está errado por trás dos desaparecimentos da cidade.

Mick e Geri, o casal mais carismático e ruivo que já se viu, suspeita que algo está errado por trás dos desaparecimentos da cidade.

Há de se reconhecer que é uma tarefa complicada convencer o espectador que minhocas podem representar uma ameaça real. Mas Lieberman apela para clássicos e eficientes clichês: após uma tempestade que danifica as linhas de tensão, as minhocas são afetadas por violentíssimas descargas elétricas e surgem em quantidade suficiente para lotar um estádio. De início, os anelídeos malditos atacam sorrateiramente, comendo poucas vítimas que não chegam a receber muita atenção da população. Mas o jovem e esperto casal Mick e Geri percebe que algo estranho está acontecendo na cidade e tentará desvendar o mistério, no melhor estilo Scooby Doo.

O filme demora a chegar ao que realmente interessa e chega a ser desinteressante em alguns momentos, mas quando finalmente os vermes aparecem, Lieberman não faz feio e consegue criar cenas memoráveis e asquerosas, mesclando milhares de minhocas falsas e closes de vermes verdadeiros que possuem presas afiadas. Para compensar a lentidão das criaturas, o roteiro as coloca surgindo de lugares pouco prováveis, dando a entender que elas tiveram todo tempo do mundo para se acumular lá. E funciona. Quando elas surgem, surgem de uma vez e aos montes, sem deixar a menor chance de defesa a suas vítimas.

Os vermes malditos fazem mais uma vítima.

Os vermes malditos fazem mais uma vítima.

Ao final, Squirm é um filme irregular, repleto de clichês, mas dirigido com competência e amparado por uma história minimamente original. Os furos de roteiro e situações absolutamente desnecessárias acabam sendo compensados pelas boas cenas de tensão, os ótimos efeitos especiais e os personagens carismáticos, mesmo que excessivamente cômicos em determinados momentos. Nada mal para um longa de estreia com um tema tão arriscado, e que poderia facilmente ter desmoralizado toda a produção, mas acabou abrindo as portas de seu diretor para que logo em seguida realizasse não só o melhor filme de sua carreira, mas também um dos maiores clássicos do horror contemporâneo: Os Assassinos do Raio Azul (Blue Sunshine).

Os protagonistas de Squirm: minhocas com presas. E elas estão famintas!

Os protagonistas de Squirm: minhocas com presas. E elas estão famintas!

Em tempo, os vermes que aparecem em close são reais. Trata-se de um tipo de verme do gênero Glycera, popularmente chamados de bloodworms e muito usados pelos norte-americanos como isca viva em pesca. Esses vermes são criados em cativeiro, exatamente como é mostrado no filme.

E ainda vale lembrar que James Cameron, em início de carreira, já se utilizou da eletricidade contra vermes no filme Galáxia do Terror (1981), em uma tentativa de fazer com que as criaturas apresentassem mais vivacidade diante das câmeras.

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