GOOD TIMES (1967) William Friedkin

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por Leandro Caraça

A estreia de William Friedkin em longa metragem não poderia ser mais atípica. Seguindo na trilha aberta por Richard Lester e os Beatles em Os Reis do Iê-Iê-Iê (1964) e Help! (1965), o casal de astros Sonny Bono e Cher interpretam a si mesmos na comédia musical Good Times. Após ver um dos documentários que Friedkin havia feito para o canal ABC, Bono decidiu que este jovem, mas experiente rapaz seria o diretor do filme. De fato, William Friedkin passara a década de 1960 trabalhando em documentários e shows para televisão, tendo filmado milhares de programas ao vivo durante oito anos consecutivos.

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A dupla Sonny e Cher não deixou um legado importante para a música pop, e William Friedkin em sua recente autobiografia, foi extremamente generoso ao chamar Sonny Bono de gênio musical. Compositor razoável e com uma voz horrível, ele tinha a figura de Cher para balancear as coisas, e o resultado realmente conseguiu atrair o público menos chegado ao rock e a psicodelia regentes. Comparado a viagem lisérgica dos Beatles em Magical Mistery Tour (Bernard Knowles / The Beatles 1967) e dos Monkees em Os Monkees Estão de Volta (Head de Bob Rafelson), realizado um ano mais tarde, o filme de Sonny e Cher não passa de uma diversão ligeira para a família. No elenco, além de George Sanders no papel de Mordicus, um poderoso produtor de cinema, há as pontas de Mickey Dolenz dos Monkees e Edy Williams (futura estrela e esposa de Russ Meyer).

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Além de Bob Rafelson e Richard Lester, outros cineastas talentosos em começo de carreira também dirigiram astros pop, como John Boorman com Catch Us If You Can (1965), veículo para o Dave Clark Five. Em Good Times, Friedkin faz bom uso da movimentação da câmera, e deve ter sentido certo alívio longe dos limites da televisão pela primeira vez. Se o humor mostrado no filme não chega a ser muito melhor do que as aventuras da turma da praia da AIP, o diretor tem a chance de parodiar os gêneros do faroeste e do policial noir durante os devaneios de Sonny Bono no decorrer do filme. Por outro lado, somos obrigados a encarar o protagonista vestido de Tarzan também. A simpatia do casal ajuda bastante, assim como os números musicais (embora as canções variem muito de qualidade), com Friedkin vez ou outra brincando com uma linguagem visual que mais tarde daria origem ao estilo MTV.

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