UM GOLPE MUITO LOUCO (The Brink’s Job, 1978), William Friedkin

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por Ronald Perrone

Após o fracasso comercial de O Comboio do Medo, a reputação de Friedkin não estava tão abalada quanto se imagina. Pelo menos é o que ele conta em sua autobiografia. Algumas reuniões aconteceram na época com um produtor e um jovem roteirista que queriam ele para dirigir uma obra grandiosa, de temas relevantes, guerra do Vietnã, e que teria Al Pacino como protagonista. O tipo de material que Friedkin não estava interessado no momento e que antes de Apocalypse Now e O Franco Atirador não era certeza de que renderia público.

Acabou não rolando, o filme só foi acontecer uma década depois e quem  dirigiu foi o tal jovem roteirista, Oliver Stone, e o filme, Nascido em 4 de Julho. Friedkin não queria se arriscar em seu próximo projeto e acabou escolhendo Um Golpe Muito Louco (título nacional horrível de filme de Sessão da Tarde), que lhe foi oferecido por Dino De Laurentiis. Uma produção discreta, sem grandes pretensões, cuja história girava em torno do roubo de uma empresa de transporte de dinheiro que de fato acontecera nos anos 50. Na época o grande chefão do FBI J. Edgar Hoover chamou a ação dos ladrões de “o crime do século”, mas o filme não passa mesmo de uma leve comédia sem muita inspiração narrativa.

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Vale muito pelo elenco que conseguiram reunir por aqui: Peter Falk, Peter Boyle, Paul Sorvino, Gena Rowlands e um Warren Oates em estado de graça! Há uma cena em que este último realiza um monólogo de arrepiar. Dá a impressão de que os editores não conseguiram fazer o habitual plano e contraplano e deixaram lá a imagem do ator falando e falando… Desses momentos fascinantes que comprovam porque Oates foi um dos grandes.

Talvez o ponto alto de Um Golpe Muito Louco em termos de direção seja a tal sequência do roubo, que demonstra a habilidade de Friedkin em trabalhar os nervos do espectador com uma carga de tensão elevada ao limite. Um fato interessante é que a sequência foi toda filmada exatamente no local onde o verdadeiro roubo aconteceu trinta anos antes. Aliás, para não dizer que o filme é tão discreto assim, o trabalho de reconstrução de época é um primor. Mas não adiantou muito, Um Golpe Muito Louco foi o segundo fracasso comercial de Friedkin seguido. E é uma pena, pois apesar de não estar no nível de um Operação França ou O Comboio do Medo, não deixa de ser um filme simpático.

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