UMA TACADA DA PESADA (Deal of the Century, 1983), William Friedkin

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por Ronald Perrone

Uma comédia sem graça nenhuma ou uma sátira de humor negro pouco compreendida? O próprio William Friedkin evitou falar de Uma Tacada da Pesada em sua autobiografia, lançada neste ano de 2013. Vai ver não lhe veio nada interessante para falar. Ou talvez fosse tão insignificante para o diretor que achou que não valeria a pena. O fato é que senti a mesma coisa em relação a obra: um filme desinteressante, insignificante. Trata-se de um dos trabalhos mais fracos do Friedkin e talvez seja por isso que eu, também, não tenha muito a dizer.

Mas, respondendo a pergunta do início, prefiro colocar a segunda opção. Uma Tacada da Pesada é uma sátira sobre o comércio de armamento no pós-Vietnã e, por fazer graça de um assunto sério e relevante, o humor é mais reflexivo do que apenas feito para gerar risadas. Neste caso, o título nacional e até mesmo a arte dos cartazes tentam passar uma imagem errada do que é visto na tela. O filme não é essa comédia de Sessão da Tarde, estilo Férias Frustradas, que aparenta ser. No entanto, o fato de Friedkin trabalhar um tipo de humor no qual não é preciso dar gargalhadas não retira a ideia de que é necessário, de alguma maneira, ser engraçado. E aqui não é. Por isso a pergunta do início do texto é pertinente, pois dizer que Uma Tacada da Pesada é uma comédia sem graça também é válido.

Friedkin, mestre supremo do cinema corpo, dos temas fortes e polêmicos, das perseguições de carro, parece simplesmente não saber o que fazer o material que tem aqui. Tem tudo nas mãos, mas Uma Tacada da Pesada acaba sendo um grande nada. Desperdiça o talento de Chevy Chase, Gregory Hines e Sigourney Weaver, que não podem fazer muito para tornar o filme ao menos divertido. São poucas as sequências promissoras, como a que Chase faz uma demonstração de uma arma para rebeldes em plena trocação de tiros com a polícia num país da América Central, ou a que Chase é assaltado e, por possuir um trabuco bem maior, acaba ele mesmo roubando a carteira do bandido. No entanto, são cenas que não tem muita importância para a trama. Ficam soltas, perdidas, enquanto a história, cujo tema central poderia render uma ótima análise,  acaba se tornando uma prova de tolerância para o saco do espectador. Ou será que é má compreendida?

1 cleef

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