KILLER JOE – MATADOR DE ALUGUEL (Killer Joe, 2011), William Friedkin

tumblr_inline_nah122uEW91sk0n7opor Otavio Pereira

Cinco anos se passaram desde o último longa-metragem de William Friedkin, intitulado Possuídos, de 2006. Neste intervalo, o diretor realizou três trabalhos, dois no ano de 2007, são eles: The Painter’s Voice, curta documentário em vídeo, e o episódio nove da oitava temporada de CSI: Investigação Criminal intitulado Cockroaches. Em 2009 voltaria a dirigir um episódio de CSI, desta vez para nona temporada, sendo o episódio dezoito que se chamou Máscara. Retornando a parceria com Tracy Letts, onde trabalharam no subestimado Possuídos, Friedkin adapta de forma magistral o que originalmente seria uma peça de teatro. Possuindo grande força narrativa Killer Joe, seu último trabalho e que chegou aos cinemas do Brasil em 2013, é um suspense policial tenso, com início cativante e final desconcertante.

tumblr_n73lbh8jQn1qa7aslo1_500

Na trama temos Chris Smith (Emile Hirsch), um verdadeiro perdedor que, no desespero de arranjar dinheiro para pagar suas dívidas, convence seu pai, Ansel Smith (Thomas Haden Church), a contratar um assassino profissional para dar um fim em sua mãe e assim abocanhar o dinheiro do seguro. Só que para executar o trabalho, o assassino Killer Joe Cooper (Matthew McConaughey) precisa receber o pagamento adiantando. Como não possui um centavo sequer, acaba dando como garantia sua jovem irmã, Dottie Smith (Juno Temple).

A partir desta premissa já vemos o que o dinheiro é capaz de fazer com o ser humano. Com o decorrer do filme, que mescla boas doses de humor negro e violência, as situações criadas para desenvolver a trama e as personagens, com destaque para Killer Joe Cooper, culminam em uma catarse impactante de violência psicológica e humilhação, com boas doses de sadismo e psicopatia. Tudo sendo mostrado de forma impressionante e, para muitos, indigestas. A cena da coxinha de frango, por exemplo, já se tornou digna de antologia.

Além da excelente direção, temos ótimas atuações de todo o elenco, com destaque para Matthew McConaughey que assusta quando entra em cena. Mas não dá para esquecer da fotografia, que possui detalhes saturados em certos planos e destaques fortes em ambientes fechados.

Em resumo, mais um excelente trabalho de William Friedkin que sempre nos deixa pensativos ao final de seus filmes.

4-cleef-e-meio

CAÇADO (The Hunted, 2003), William Friedkin

tumblr_inline_n91weq5xMf1sk0n7opor Leandro Caraça

Em Caçado, de 2003, Aaron Hallam (Benicio Del Toro) é uma máquina de matar descontrolada, um militar super-treinado que surta durante uma operação na Guerra da Bósnia e desaparece. Semanas depois, na fronteira dos EUA com o Canadá ele mata dois homens que estavam caçando na floresta. Para capturar Aaron, o FBI pede ajuda a L.T. Bonham (Tommy Lee Jones), aposentado instrutor militar que ensinou a Aaron tudo o que ele sabe. O que se seguirá a partir de então, é um vigoroso jogo de caça e presa entre dois homens preparados para matar. Quantos cadáveres ficarão pelo caminho até Aaron ser capturado ou morto?

Após Regras do Jogo (2000), Friedkin volta a trabalhar com Tommy Lee Jones e conduz com precisão e sobriedade um dos mais puros filmes de ação do começo do milênio. Pode-se dizer, erroneamente, que Jones está repetindo o mesmo tipo de papel que se acostumou a fazer depois de O Fugitivo (1993) e que tudo não passa de uma cópia de Rambo – Programado Para Matar (1982). Ainda que tais comparações sejam pertinentes, Caçado tem uma identidade própria, coisa que Friedkin consegue imprimir desde o início.

huntedDel Toro é claramente uma ameaça para todos que se aproximam dele e fica claro que somente sua morte colocará um ponto final nisso. Jones por sua vez, é um homem que se ausentou da sociedade, vivendo isolado numa cabana nas florestas do Canadá. Só aceita a missão porque sabe o quão letal é Aaron. Precisa então matar o melhor aluno que já teve. Em certo momento perto do fim, é revelado que Bonham deixou de manter contato com Aaron, o que pode ter ajudado na descida à loucura deste.

Sem muito traquejo e com capacidades de rastreamento dignas de um animal, Jones é retratado como um cruzamento entre Charles Bronson e Wolverine. Seus embates com Del Toro são o ponto máximo de um filme que não perde tempo com amenidades. Não existe, por exemplo, a obrigatória trama amorosa entre Jones e a agente do FBI interpretada por Connie Nielsen. Sem firulas e repleto de ação, Caçado é o melhor filme de Friedkin desde Viver e Morrer em Los Angeles (1985).

4-cleef