C.A.T. SQUAD (1986) / C.A.T. SQUAD: PYTHON WOLF (1988), William Friedkin

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por Ronald Perrone

Não é difícil se enganar e pensar que logo após uma obra-prima como VIVER E MORRER EM LA, William Friedkin seria capaz de pegar um pequeno projeto feito para a TV e transformar em algo relevante dentro de sua filmografia, especialmente em se tratando de um  thriller policial. Mas não é bem isso que acontece com C.A.T. SQUAD e C.A.T. SQUAD: PYTHON WOLF, duas pequenas obras que, infelizmente, pouco têm a acrescentar no currículo do diretor.

Até que a trama de espionagem/policial permite que Friedkin explore alguns elementos característicos de seus outros trabalhos e evoca, guardando as devidas proporções, instantes de OPERAÇÃO FRANÇA e VIVER E MORRER EM LA, demonstrando idiossincrasias de seu cinema, especialmente ao criar tensão e elaborar sequências de ação (ajuda muito a trilha do grande Ennio Morriconi para criar um clima). São momentos de frescor em trabalhos cujo formato não lhe permite sair de um estilo simplista, com personagens e situações rasas que na maior parte do tempo não remete ao grande diretor que é.

CAT_SQUAD_08No primeiro filme, a trama apresenta a tal equipe C.A.T. (Counter Assault Technical), um grupo de experientes agentes do governo que utiliza métodos nada ortodoxos para resolver alguns problemas ligados a terrorismo que os homens da lei comuns não conseguem. Oficialmente, o esquadrão C.A.T. nem sequer existe e isso permite que entrem em ação sem muitas interferências burocráticas. A missão aqui é parar um assassino profissional contratado para eliminar cientistas ao redor do mundo antes de uma importante conferência.

Grande parte da força de C.A.T. SQUAD se perde por conta da escolha do elenco e por Friedkin não conseguir trabalhar os dilemas e uma pretensa profundidade dos personagens por conta do formato urgente de filme para a televisão. O líder do grupo, John ‘Doc’ Burkholder, vivido por Joe Cortese, por exemplo, não tem carisma algum, da mesma forma que os outros membros da equipe. A única exceção é Bud Raines, encarnado pelo grande Steve James (AMERICAN NINJA), que consegue desempenhar um papel com dignidade. E o jovem Eddie Velez, que faz o assassino, também não convence como um perigoso matador profissional intercontinental, o que incomoda um bocado.

bscap0000Na trama do segundo filme, lançado dois anos depois, C.A.T. SQUAD: PYTHON WOLF, descobre-se que alguns incidentes internacionais aparentemente desconexos fazem parte de atividades de uma organização terrorista na África do Sul, que planeja montar uma arma nuclear poderosíssima. E, claro, apenas o esquadrão C.A.T. poderá detê-los, principalmente quando um de seus membros, John Sommers (Jack Youngblood), é capturado pelos terroristas durante uma missão ultra-secreta na região.

Falar de C.A.T. SQUAD: PYTHON WOLF é basicamente repetir tudo o que disse sobre o primeiro da série. Mas há um pequeno salto qualitativo aqui em termos de diversão, no sentido de que o filme não se leva tão a sério quanto o exemplar anterior e se aceita como um produto menor, cuja intenção é servir de escapismo barato a quem se propõe a assistir zapeando uma TV. Temos uma aventura mais urgente e absurda, mais cenas de tensão, uma leveza narrativa fruto da falta de pretensão e até de um certo desleixo na direção e montagem. Há também uma substituição no elenco que beneficia um bocado a produção. Sai a sem graça Patricia Charbonneau e entra Deborah Van Valkenburgh como membro feminino do grupo, que consegue dar mais dramaticidade à personagem. Há uma pequena participação também do subestimado e meio esquecido Miguel Ferrer.

bscap0008Sequências como a perseguição que ocorre numa estação de metrô, muito bem elaborada visualmente e tensa, ou Steve James aplicando seus métodos para arrancar informação de um suspeito – o fato de termos Steve James mais vezes em ação em comparação ao primeiro – garantem alguns momentos interessantes ao espectador menos exigente. No entanto, nada disso adianta muito. PYTHON WOLF é melhor que o primeiro, mas a parte burocrática do roteiro é conduzida com pressa e mão pesada, o que torna a experiência tão sonolenta quanto o anterior.

Se considerarmos que Friedkin surgiu da televisão, aqui o formato não lhe favorece, apesar de alguns anos mais tarde ter voltado em grande estilo à TV, com a refilmagem de 12 HOMENS E UMA SENTENÇA. As cotações são as seguintes:

C.A.T. SQUAD:  2 cleef

C.A.T. SQUAD: PYTHON WOLF:  2 cleef e meio

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