BALADA DO AMOR E DO ÓDIO (2010), Álex De La Iglesia

por Ronald Perrone

A rivalidade entre dois palhaços de circo que disputam o amor da mesma mulher é o típico universo ideal para o retorno do espanhol Álex De La Iglesia ao seu cinema de referências particulares. Diferente do filme anterior, ENIGMAS DE UM CRIME, BALADA DO AMOR E DO ÓDIO tem afinidade pelo grotesco, é extremamente ácido no seu senso de humor, possui uma galeria de figuras bizarras e marginais em situações que parecem retiradas do teatro grand-guignol, além do aspecto visual, um magnífico espetáculo de puro prazer aos olhos.

Por outro lado, toda a extravagância inerente ao estilo de Iglesia acaba desperdiçada num material muito mal elaborado, com uma trama equivocadamente pretensiosa e sem foco, sem contar o desfecho pra lá de piegas e soluções clichês que só não levam a obra para o brejo porque Iglesia ainda não perdeu o jeito. No entanto, não fosse o belo trabalho de direção (que rendeu a Iglesia o prêmio de melhor diretor em Veneza), o ótimo elenco e o visual fantástico, BALADA DO AMOR E DO ÓDIO passaria despercebido…

O filme abre com uma sequência que só poderia ter saído da cabeça de Iglesia. Durante a Guerra Civil Espanhola, o exército invade a apresentação de uns palhaços no circo, recrutando a todos para repelir o ataque dos rebeldes. O resultado é uma onírica e violenta batalha protagonizada por um palhaço empunhando um facão, fazendo picadinho de rebeldes!

Anos mais tarde, acompanhamos a trajetória de Javier, filho do famigerado palhaço, que seguiu a mesma profissão do pai. Desempenhando o papel de palhaço triste, o rapaz consegue trabalho num circo comandado por Sérgio, um sujeito violento, alcoolatra, psicopata e, contrastando tudo isso, atua como palhaço alegre. Entre vários personagens interessantes, encontramos a angelical acrobata Natália, mulher de Sergio, que mexe profundamente com o pobre coração de Javier. Instala-se, então, um perigoso triângulo amoroso de consequências absurdamente trágicas.

O problema é que a trama não para por aí e o roteiro, escrito pelo próprio Iglesia, sai atirando para todo lado. E é quando se perde… O que era para ser simples, com os exageros habituais do diretor, tona-se extremamente enfadonho com a narrativa bagunçada que não sabe exatamente o que quer ser. Não são poucas as sequências que perdem seu sentido e soam forçadas e desnecessárias.

De todo modo, embora seja difícil relevar os pontos negativos, BALADA DO AMOR E DO ÓDIO, felizmente, está bem longe de ser ruim e serve ainda como uma ótima experiência visual para os fãs mais ortodoxos do diretor. E quando se trata de um grande artista como Iglesia, um filme menor significa muita coisa.

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