THE WARRIORS – OS SELVAGENS DA NOITE (1979)

por Ronald Perrone, a partir de um post escrito originalmente no blog Dementia 13 em abril de 2012.

Nem sempre foi tão fácil assistir a THE WARRIORS. Nunca chegou a ser uma raridade, ou nada disso, especialmente aqui no Brasil foi bastante reprisado na TV e o acesso a ele nunca gerou algum tipo de complicação. Mas na época do lançamento, o filme conseguiu fama de polêmico após confusões e quebra-quebra em alguns cinemas onde o era projetado. Em alguns países, como a Suécia, por exemplo, chegou a ser proibido. Mas, vejam bem, THE WARRIORS faz um retrato perfeito sobre a onda devastadora das gangues nos anos 70, baseado no livro de Sol Yurick, lançado ainda na década de 60, tem um cartaz fodão mostrando uma multidão de delinquentes com caras de poucos amigos, armados com bastões e dizeres insinuantes. Então imaginem vocês assistindo a projeção na época do lançamento, dividindo o local com uma horda de membros de gangues animados com um filme que fala sobre… eles!

Em THE WARRIORS, Walter Hill constrói sua fábula a partir de uma ideia bem simples: Os Warriors são uma gangue do sul de Manhattan que comparecem ao Bronx para participar de uma reunião com quase todas as gangues de Nova York cujo objetivo é enjambrar uma união entre as tribos e dominar a cidade. “You’re standing right now with nine delegates from 100 gangs. And there’s over a hundred more. That’s 20,000 hardcore members. Forty-thousand, counting affiliates, and twenty-thousand more, not organized, but ready to fight: 60,000 soldiers! Now, there ain’t but 20,000 police in the whole town. Can you dig it?” São as palavras de Cyrus, o líder da mais poderosa gangue da cidade e o cabeça da “rebelião”.

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No entanto, Cyrus é assassinado à tiros enquanto ainda fazia o seu discurso no palanque. A culpa cai, injustamente, sobre os pobres Warriors. O resto do filme é a odisseia do grupo de volta ao seu território, tentando cruzar uma Nova York sombria e cheia de contratempos, esgueirando-se pelos becos e metrôs, correndo pelas ruas driblando policiais e trocando sopapos com os mais diversos membros de gangues. E Hill não gasta muito tempo com discursos morais, mensagens políticas ou temas complexos. É claro que o filme é um reflexo do seu tempo, com todas as questões morais que esse retrato evoca, mas THE WARRIORS também se conforma por ser apenas uma aventurazinha superficial, o que é mais que suficiente para que um diretor do calibre de Walter Hill transforme isso aqui num pequeno clássico!

Não é, exatamente, um filme de ação. Na verdade, é até bem anticlimax… A sequência final, na praia, por exemplo, pode ser frustrante para o espectador mais urgente. O fato é que, apesar de Walter Hill ter um gosto especial por sequências de ação, ter se especializado nesse tipo de cena, ele não faz cinema para “brincar esmagar de esmagar bonequinhos”. A violência e a morte tem um peso nos filmes de Hill e a ação nunca é vulgar. Em THE WARRIORS isso fica ainda mais evidente, toda a narrativa possui uma carga de tensão muito forte que já compensa a ação, que acaba se concentrando no olhar dos personagens, nos seus atos, no mais simples diálogo… tudo se torna “ação” no contexto dramático construído em THE WARRIORS. É evidente que temos algumas belas sequências de pancadaria, não poderia faltar… A cena no banheiro é uma delas, além de ser uma prova da maestria de Walter Hill, uma aula de montagem e cinema físico.

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Também é curiosa a caracterização das mais variadas gangues. Cada uma possui seu estilo próprio, seu vestuário, sua essência. É tudo tão bem definido nesse universo que algumas tribos urbanas poderiam ganhar filmes próprios! Eu seria o primeiro da fila para conferir um exemplar estrelado pelos The Baseball Furies, por exemplo…

Obviamente, Na vida real seriam ridicularizados. Ser atormentado numa ruela escura à noite por umas figuras de carinha pintada? Certamente eu iria perder a carteira, mas não ia conseguir ficar sem tirar um sarro. Se bem que eu correria sério risco de levar uma paulada na nuca. Mas aqui é apenas um filme… Mesmo assim, é engraçado ver estampado uma seriedade absurda na cara dos persoangens enquanto vestem modelitos esquisitos.

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Os Warriors inicialmente seriam formado apenas por negros, mas os produtores não aceitaram. Daí colocaram algumas figuras, como Michael Beck e James Remar… Em termos visuais, até que os Warriors são bem discretos, o uniforme é apenas um colete básico. E vale comentar que na sequêcia da reunião logo no início, várias gangues reais estavam presentes, vestidos à carater com seus uniformes, o que gerou até uma certa tensão a mais nas filmagens.

Aliás, não vou nem entrar nos méritos das filmagens, que mereceria um post à parte. É notória a série de problemas que Hill e sua equipe tiveram para realizar THE WARRIORS. Mas é assim que nascem os clássicos, não? O filme deu início a uma série de exemplares sobre grupos de delinquentes, cheios de mensagens sociais e morai, mas também influenciou outras obras que se assumiram como boa diversão de aventura/ação, como os clássicos italianos GUERREIROS DO BRONX e FUGA DO BRONX, ambos de Enzo G. Castellari.

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One thought on “THE WARRIORS – OS SELVAGENS DA NOITE (1979)

  1. Classico ! Reprisado varias vezes na TV Globo ,porem a sua ultima exibição na TV Aberta foi no Canal 21 na sessão intitulado ” Sessão Dez ” sessão que essas que era exibido grandes filmes no horario das 22:00.. isso foi lá par o ano 2000 ,poe aí depois o filme não foi mais reprisado por TV nenhuma,oque é uma pena .

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