JADE (1995), William Friedkin

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por Bruno Martino

Jade é, basicamente, um cine privé com alto orçamento. Substitua Linda Fiorentino por Shannon Tweed e David Caruso por Andrew Stevens que teríamos a sessão erótica perfeita pros sábados de madrugada. Isso é ruim? Depende do seu ponto de vista. É decepcionante pelo fato de quem dirige é William Friedkin, talvez não seria se fosse um Jim Winorsky ou Fred Olen Ray. Mesmo assim não deixa de ser um bom filme, claro, aquém de outras obras do diretor.

David Caruso é Corelli, um detetive que se vê numa trama de assassinato onde estão envolvidos o governador (Richard Crenna), uma psicóloga que é um antigo amor do passado (Linda Fiorentino) e o atual marido dela e melhor amigo de Corelli, o advogado Matt (Chazz Palminteri). E aí que traições, chantagem, assassinatos e o pau comem solto (metafórica e biblicamente falando). Lembra tanto o grande sucesso Instinto Selvagem que a história chega a parecer uma reciclagem. Marque aí: Um assassinato sangrento, uma mulher sedutora sendo acusada, tentativas de assassinato ao detetive, etc. Só que no quesito putaria perde feio já que são poucas as cenas quentes do filme. Co-estrelam a bela Angie Everhart (o que dá ainda mais um ar de cine prive à coisa toda), Victor Wong em uma ponta, e o sempre competente Michael Biehn no clássico arquétipo do policial pé-no-saco. David Caruso manda bem como o policial gamado na mulher problema de Linda Fiorentino, chegando a desenvolver certas nuances interessantes do personagem, quem diria que ele acabaria como detetive inexpressivo de CSI:Miami? Aliás foi devido ao fracasso de Jade e de O Beijo da Morte que Caruso voltou pra TV dando um tempo na malfadada incursão no Cinema.

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Escrito por Joe Esterhas o mesmo de Instinto Selvagem, o que explica as várias semelhanças, o roteiro foi tão mudado por Friedkin que o roteirista pensou até em tirar o nome dos créditos. Apesar dos pesares, a história mesmo sendo frouxa consegue prender e o filme conta com vários clichês do cinema de Friedkin. Sim, temos uma boa perseguição de carros que mesmo não sendo tão clássica como a de Operação França ou Viver e Morrer em LA, não faz feio. E é impressionante como Friedkin consegue fazer suspense com uma perseguição de carros em baixa velocidade, quando os mesmos ficam impossibilitados de correr devido a uma parada de Ano Novo no bairro chinês. Vale ressaltar também uma das mais chocantes cenas de atropelamento já filmadas.

Vale a pena dar uma bizoiada em Jade, mesmo não sendo a última bolacha do pacote na filmografia de Friedkin mostra que o homem consegue tirar leite até de pedra.

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A ÁRVORE DA MALDIÇÃO (The Guardian, 1990), William Friedkin

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por Leandro Caraça

William Friedkin confessou ter realizado este filme de terror como um favor para o produtor Joe Wizan. A Árvore da Maldição não tem destaque dentro da rica filmografia do cineasta, e na época no lançamento, conseguiu pouca atenção. Às vezes parece que o diretor está parodiando a si mesmo, pois se em O Exorcista ele fez Linda Blair vomitar uma gosma verde, agora Friedkin mostra uma árvore maligna que esguicha litros e litros de sangue ao ser cortada.

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O drama do casal que, sem desconfiar, acaba contratando uma bruxa druida como babá do seu filho, nunca atinge os patamares dos grandes filmes de Friedkin. Os diálogos são rotineiros e o próprio roteiro parece que foi escrito a toque de caixa, o que vai gerar momentos indignos de alguém do calibre do diretor de Operação França. Se por um lado, a bruxa Camilla – interpretada pela inglesa Jenny Seagrove – se apresenta como uma ótima (e sensual) vilã, por outro temos um Miguel Ferrer desperdiçado como um coadjuvante qualquer. E o comediante Brad Hall, que chegou a fazer parte do programa Saturday Night Live na primeira metade dos anos 80, tem mais tempo em cena do que o recomendável.

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Ainda que Friedkin estivesse em sua fase mais complicada e o filme passe longe de ser uma produção de primeira linha, o diretor consegue manter as coisas nos eixos. Nas cenas de suspense e horror é quando ele se solta mais, dando vazão ao exagero que o filme pedia. Bem dirigidas e montadas, as sequências de maior violência tornam A Árvore da Maldição em um filme acima da média. A criatura título, uma árvore que se alimenta das almas de bebês e que também gosta de destroçar corpos de seres adultos, traz o encanto de uma época em que os monstros animatrônicos estavam em alta. Não deixa de ser um razoável exemplar do gênero, valendo mais pelos momentos em que William Friedkin oferece aquilo que o público mais quer ver. Litros e litros de sangue.

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SÍNDROME DO MAL (Rampage, 1987), William Friedkin

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por Carlos Thomaz Albornoz

Para discutir este filme, ou mais especificamente as duas versões dele em circulação, precisarei discutir seu final, ou melhor ainda, as mudanças feitas no final do filme entre as duas versões disponíveis dele, que o transformaram praticamente em dois filmes diferentes. Caso o prezado leitor não queira ser surpreendido com informações sobre este ‘pequeno detalhe’ do filme, sugiro que evite a leitura do texto… portanto, este texto vem com um belo dum aviso de ‘spoiler’ antes mesmo de seu começo.

Quando o conceito de ‘versão do diretor ‘ se popularizou, em algum momento dos anos oitenta, passamos a conviver com duas (ou mais, vide Blade Runner) versões diferentes do mesmo filme. Já na era do DVD isso se tornou uma espécie de ‘venda casada’, ou seja, era lançada uma versão cortada do filme nos cinemas, com restrições de censura e limite de tempo dos estúdios, e depois em vídeo era lançada uma versão mais próxima da visão do diretor, com alguns minutos a mais, isso quando as espertas produtoras não lançavam as duas versões com extras diferentes, forçando o pobre fã a comprar o mesmo filme duas vezes. Com tudo isso, normalmente se faz a crítica apenas de uma das versões, e o filme é tratado como sendo apenas um (mesmo que seja um O Senhor dos Anéis, cujas versões extendidas tenham mais de uma hora a mais que as versões ‘originais’). Isso não é possível com Rampage. Pior, não há nem o benefício de haverem distinções entre as duas versões que circulam. E, tecnicamente, as duas são ‘versões do diretor’, ambas refletem a visão do diretor, ou pelo menos refletiam no momento que ele as completou. Distorções do mercado de video…

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Tentando explicar o tamanho da bagunça: o filme estreou nos cinemas em 1987, em lançamento limitado nos cinemas americanos (em festivais e num circuito limitado), indo para vídeo (e laserdisc) logo depois (na Europa e no resto do mundo foi lançado normalmente). Acompanhava a perseguição a um serial killer que se banhava no sangue de suas vítimas e seu julgamento. Na época desta versão era apenas um ambíguo filme de tribunal sobre a necessidade da pena de morte e o sistema americano de justiça. O assassino era capturado, ameaçava ser solto pelos seus advogados e voltar a matar e logo após se suicidava na prisão, criando um ‘final feliz’.

Rampage era uma produção da DEG (Delaurentis Entertainment Group), que faliu mais ou menos na época de seu lançamento em vídeo, que foi feito às pressas, sem Rampage ter entrado em circuito. Quando o enrosco se resolveu e o filme voltou a circular (pela Miramax), havendo finalmente um lançamento cinematográfico em larga escala, em 1992, tratava-se de uma obra bem diferente da que havia sido exibida anteriormente. Por algum motivo nunca muito bem explicado (as entrevistas sobre o tema são inconclusivas) William Friedkin sentiu a necessidade de reeditar sua obra. Agora se tornava uma paulada a favor da pena de morte, e contra as imperfeições do sistema judicial americano. No final do filme, logo após o discurso sobre sair da prisão, não há mais o suicídio do personagem central, e sim uma carta mandada à família de um dos mortos, convidando-os a aparecer para uma visita, e um letreiro informando o espectador que o tal serial killer poderá sair da cadeia em seis meses, caso seja liberado pelos psiquiatras.

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Trata-se de um belo dum filme, independente de que versão seja assistida… mas o original é mais sutil, mais inteligente. Por mais que a mensagem da segunda versão seja válida, e já esteja, nas entrelinhas, presente no original, ela é dita de forma pouco discreta, quase aos gritos. Em alguns momentos parece que estamos vendo um panfletão, ao estilo Michael Moore, o roteiro fica horas batendo na mesma tecla.

Caso o caro leitor queira ver essa produção vai ter dificuldade para achá-la. Procurando na (loja virtual) Amazon, encontra-se apenas a velha versão em VHS à venda, provavelmente contemporânea do lançamento brasileiro (Síndrome do Mal, VTI Video, 1987, encontrável nos Mercado Livres da vida com relativa facilidade). Procurando nos sites especializados (como ebay) descobrimos que Rampage só foi lançado em DVD na improvável Polônia, há alguns anos, já estando fora de catálogo, pelo menos oficialmente. E cuidado com outros dois filmes, inspirados por um videogame homônimo, que confundem o interessado. Quem quiser achar uma cópia do filme provavelmente vai ter que achá-lo na selva dos torrents, provavelmente tendo que adivinhar qual versão está baixando, já que não houve nenhuma indicação no relançamento que se tratava de uma versão ‘alternativa’. Boa sorte.

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UMA TACADA DA PESADA (Deal of the Century, 1983), William Friedkin

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por Ronald Perrone

Uma comédia sem graça nenhuma ou uma sátira de humor negro pouco compreendida? O próprio William Friedkin evitou falar de Uma Tacada da Pesada em sua autobiografia, lançada neste ano de 2013. Vai ver não lhe veio nada interessante para falar. Ou talvez fosse tão insignificante para o diretor que achou que não valeria a pena. O fato é que senti a mesma coisa em relação a obra: um filme desinteressante, insignificante. Trata-se de um dos trabalhos mais fracos do Friedkin e talvez seja por isso que eu, também, não tenha muito a dizer.

Mas, respondendo a pergunta do início, prefiro colocar a segunda opção. Uma Tacada da Pesada é uma sátira sobre o comércio de armamento no pós-Vietnã e, por fazer graça de um assunto sério e relevante, o humor é mais reflexivo do que apenas feito para gerar risadas. Neste caso, o título nacional e até mesmo a arte dos cartazes tentam passar uma imagem errada do que é visto na tela. O filme não é essa comédia de Sessão da Tarde, estilo Férias Frustradas, que aparenta ser. No entanto, o fato de Friedkin trabalhar um tipo de humor no qual não é preciso dar gargalhadas não retira a ideia de que é necessário, de alguma maneira, ser engraçado. E aqui não é. Por isso a pergunta do início do texto é pertinente, pois dizer que Uma Tacada da Pesada é uma comédia sem graça também é válido.

Friedkin, mestre supremo do cinema corpo, dos temas fortes e polêmicos, das perseguições de carro, parece simplesmente não saber o que fazer o material que tem aqui. Tem tudo nas mãos, mas Uma Tacada da Pesada acaba sendo um grande nada. Desperdiça o talento de Chevy Chase, Gregory Hines e Sigourney Weaver, que não podem fazer muito para tornar o filme ao menos divertido. São poucas as sequências promissoras, como a que Chase faz uma demonstração de uma arma para rebeldes em plena trocação de tiros com a polícia num país da América Central, ou a que Chase é assaltado e, por possuir um trabuco bem maior, acaba ele mesmo roubando a carteira do bandido. No entanto, são cenas que não tem muita importância para a trama. Ficam soltas, perdidas, enquanto a história, cujo tema central poderia render uma ótima análise,  acaba se tornando uma prova de tolerância para o saco do espectador. Ou será que é má compreendida?

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PARCEIROS DA NOITE (Cruising, 1980), William Friedkin

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por Daniel Vargas

É difícil falar de Parceiros da Noite sem fazer primeiro um parâmetro entre as carreiras de Pacino e Friedkin na época. Friedkin tinha ido do céu ao inferno com sua carreira nos anos 70 com uma velocidade monstruosa: depois de ter enlouquecido com suas obras-primas Operação França e Exorcista, caiu direto no fosso junto com o fiasco de público que foi o seu remake de Salário do Medo, Sorcerer, mostrando que Hollywood já era um lugar cruel e impiedoso até mesmo com seus maiores talentos e meninos de ouro da geração “Easy Riders-Raging Bulls“. Já Pacino ainda era o rei do pedaço com uma carreira semi-perfeita nos anos 70, que, excluindo Bobby Deerfeld, era sucesso estrondoso se não de público, de crítica, e em sua grande maioria, os dois. O homem – que junto com nomes como Robert De Niro, Jack Nicholson, Dustin Hoffman e Gene Hackman – fazia clássicos instantâneos e com menos de 40 anos de idade já parecia ter seu lugar assegurado na galeria dos grandes mitos do cinema.

Um sujeito que não precisava provar mais nada há ninguém, certo? Bem, exceto que aparentemente ele achou que sim. Há quem tenha acusado Al de ter fraquejado depois de ter conhecido seu primeiro e tardio fracasso com o filme do Pollack, que acabou fazendo-o recusar duas propostas de projetos ousados – sendo a primeira do clássico definitivo sobre a guerra do Vietnã do Coppola, Apocalypse Now, e o outro, um épico sobre a mesma guerra no papel do veterano real de combate Ron Kovic no projeto Nascido em 4 de Julho – para aceitar o seguro papel do advogado porta-de-cadeia no ótimo, mas talvez demasiadamente acadêmico, …Justiça Para Todos, de Norman Jewison, que acabou lhe rendendo uma (segura) indicação ao Oscar.

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Com Friedkin na merda, como se nunca tivesse existido e desacreditado, e Pacino querendo se provar com algum projeto ousado, os dois uniram forças e entraram de cabeça em um estranho projeto, que normalmente viraria material para um filme B de William Lustig ou mesmo De Palma, que tinha se interessado em dirigir antes do Friedkin colocar suas mãos nele: o submundo homo-erótico.

É estranho, mas Parceiros da Noite parece ser tudo que seus admiradores e detratores dizem ser. Uma visão do mundo homossexual homofóbica? Um thriller que compara levar no traseiro com uma sentença de morte? Uma metáfora em que todos que se deixam envolver por esse mundo, acabam “contaminados” para sempre por ele? (AIDS?) Em primeira mão, parece que Friedkin pegou o projeto para pagar contas, pois filmes exploitation na época eram populares e chamavam o público. Mas, conhecendo o Friedkin e seu temperamento, nada disso faz sentido. Não só por sua temática arriscada, mas como por seu acabamento.

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A verdade é que poucas vezes Friedkin foi tão ousado quanto nesse filme. Sua obsessão pelo lado obscuro do ser humano, o cheiro do asfalto das ruas imundas das grandes metrópoles, a violência seca e generalizada não são novidade em sua carreira. Nem mesmo o mundo gay, já relatado em Os Rapazes da Banda. O filme é inspirado em uma série de assassinatos homossexuais que aconteceram de fato em Nova York entre 1962 a 1979, e antes mesmo da sua estréia já gerava polêmica e censura dentro e fora das comunidades gays. Friedkin nunca quis parecer arrumar tanta confusão como quando decidiu fazer esse filme. Poucos exemplares mainstream foram tão longe quanto esse, seja em temática, seja em visual. É como se Friedkin estivesse dizendo: “Foda-se, Hollywood. Vocês não me querem porque sou melhor que vocês”. É o sujeito à beira do penhasco, fazendo piruetas.

A históra é o que? Al Pacino faz um policialzinho meia tigela chamado Steve Burns que recebe do seu superior (Paul Sorvino) a arriscada tarefa de se infiltrar no submundo gay à procura de um assassino em série que anda caçando amantes em inferninhos homossexuais – apenas para esquartejá-los depois e jogar seus restos no Hudson River. E suas vítimas parecem ser quase sempre o biotipo do próprio Burns. A promessa de uma promoção e de uma vida melhor o levam a aceitar a tarefa, que a princípio ele parece levar com a tranquilidade de qualquer outro serviço que ele já fez. Isso faz o público temer pela ingenuidade do personagem que parece não ter idéia da enrascada em que está se metendo (ou talvez faça?)

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Steve tem uma namorada (uma bem jovem Karen Allen, lembrando a Alice Braga), que parece, hora sim, hora não, viver com ele no mesmo apartamento. Durante sua missão secreta, porém, ele parece deixá-la totalmente no escuro e tenta vê-la o mínimo possível. Para sua própria segurança, ele diz. Enquanto isso, convive mais, em seu novo apartamento alugado em Greenwich Village, com o seu vizinho gay (Don Scardino) desenvolvendo um relacionamento de amizade ao mesmo tempo que vai descobrindo informações que poderão ajudar a desvendar o caso apenas jogando papo furado com seu novo amigo.

Mas são as cenas que Pacino precisa encarar os clubes-gays-hardcore os pontos altos do filme. As cenas eróticas nesses lugares são tão sensuais quanto os personagens do John Waters. Seria mesmo uma visão do inferno pertubada de um heterossexual ou realmente existem lugares assim? É o que o filme parece se questionar o tempo todo, ao chocar o público mostrando o todo poderoso Michael Corleone passando entre homens de colantes pretos com apetrechos sadomasoquistas, bundas peludas de fora e boquetes sendo praticados em bastões e cassetetes.

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A sensação é que Pacino nunca esteve tão em perigo, nem mesmo sentado na mesa do restaurante junto com Sollozzo e Mccluskey em O Poderoso Chefão, ou dentro do banco rodeado de policiais em Um Dia de Cão, ou enfrentando sozinho centenas de homens armados do Sosa em Scarface, ou sendo vítima de conspiração por todos seus colegas de distrito junto, em Serpico. Nada parece mais ameaçador quando um sujeito que, ao enxergá-lo parado no clube se aproxima e pergunta “se ele gosta de esportes aqúaticos”, e se enfurece quando ouve uma resposta negativa, o alertando a não usar “um tal lenço” pra fora do bolso se o negócio dele é apenas “olhar”. Aliás, a cena que Pacino pergunta o significado dos lenços para o balconista Powers Boothe é impagável. Mas parece mesmo que nada parece ser mais horripilante que ver um homem esfregando a mão no peito do Pacino ou o mesmo amarrado na cama, prestes a ser esfaqueado (ou enrabado, o filme parece não se decidir, o que parece ser pior)

Nada em Parceiros da Noite é comum ou entediante. Entre a edição dinâmica do Bud Smith, ou na trilha atmosférica do Jack Nitzsche, tem sempre alguma coisa acontecendo e se alterando. Seja o rumo do caso, a personalidade do Pacino (que vai ficando cada vez mais e mais ambígua) e até mesmo a identidade do assassino, cuja sensação é de que está sendo interpretado por atores diferentes a cada cena! É como se o Friedkin quisesse confundir ou nos dizer que QUEM é o assassino é o que menos importa. O que importa é como pode existir aqueles mundos paralelos tão grotescos e imorais?

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No entanto, o filme também parece mostrar que aqueles homens estão lá porque querem. Eles gostam do que fazem e para a maioria nem é um assunto delicado da vida deles. O personagem principal parece também não ser nem um pouco homofóbico, tanto por aceitar o caso, quanto por sua relação com seu amigo homossexual que parecem desenvolver um relacionamento amigável e até íntimo. O personagem não parece julgar, em qualquer momento do filme a natureza do caso em que está ou dos personagens que ele precisa cruzar, apenas se preocupa com sua segurança com o possível encontro com o assassino. Por isso mesmo é difícil saber se existe uma razão definitiva sobre quem o acusa de ser homofóbico ou não. Até que ponto é homofobia ou pura realidade documentada?

O que fica de fato é a ousadia, não só do Pacino, um astro já consagrado, se envolver em um projeto tão polêmico, que nas costas de alguém menos talentoso, iria destruir sua carreira, como do Friedkin – que realiza aqui, na minha opinião, sem dúvida nenhuma um dos seus melhores trabalhos (lado a lado a títulos como Operação França e Viver e Morrer em L.A) injustamente taxado de “maldito” e lamentavelmente fracassando novamente nas bilheterias. Mas, no fundo, era o único destino que ele poderia ter de fato.

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Afinal de contas, é um perfeito caso de filme que estuda “a procura da identidade” e ele mesmo não parece ter uma. Se vende como um thriller policial? Mas é só isso mesmo? Certamente não é um “quem matou?”. É um neo-noir psicológico? É um drama existencialista? O que Friedkin quer dizer com a última cena do Pacino se olhando para o espelho e por fim, olhando para a câmera-público? Será que nós sabemos quem somos de verdade para julgarmos os outros? Será que sabemos de fato o que somos capazes de fazer ou não? Quais são nossos limites morais? A homofobia está nos olhos dos outros? São perguntas que fazem o público se questionar e talvez até mesmo se irritar porque não obtém uma resposta fácil. Mas resposta fácil é tudo que Parceiros da Noite nunca prometeu em nenhum momento.

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PS: Interessante ver o sempre marcante Joe Spinell no começo do filme como o patrulheiro asqueroso, homossexual enrustido, que reclama para seu parceiro (Mike Starr) da sua mulher tê-lo deixado e levado sua filha junto para a Flórida. Na vida real, era exatamente o que tinha acontecido com ele semanas antes das filmagens. Seu personagem que extorque travestis em troca de favores sexuais parece um rascunho do seu talvez mais célebre personagem em O Maníaco, do já citado William Lustig. Outra coisa interessante em Parceiros é sua trilha sonora, que ficou bem caracterizada no filme. Músicas como “Lump” do Mutiny, “It’s So Easy” do Willy DeVille, “Shakedown” do Rough Trade são marca registrada do filme.

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UM GOLPE MUITO LOUCO (The Brink’s Job, 1978), William Friedkin

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por Ronald Perrone

Após o fracasso comercial de O Comboio do Medo, a reputação de Friedkin não estava tão abalada quanto se imagina. Pelo menos é o que ele conta em sua autobiografia. Algumas reuniões aconteceram na época com um produtor e um jovem roteirista que queriam ele para dirigir uma obra grandiosa, de temas relevantes, guerra do Vietnã, e que teria Al Pacino como protagonista. O tipo de material que Friedkin não estava interessado no momento e que antes de Apocalypse Now e O Franco Atirador não era certeza de que renderia público.

Acabou não rolando, o filme só foi acontecer uma década depois e quem  dirigiu foi o tal jovem roteirista, Oliver Stone, e o filme, Nascido em 4 de Julho. Friedkin não queria se arriscar em seu próximo projeto e acabou escolhendo Um Golpe Muito Louco (título nacional horrível de filme de Sessão da Tarde), que lhe foi oferecido por Dino De Laurentiis. Uma produção discreta, sem grandes pretensões, cuja história girava em torno do roubo de uma empresa de transporte de dinheiro que de fato acontecera nos anos 50. Na época o grande chefão do FBI J. Edgar Hoover chamou a ação dos ladrões de “o crime do século”, mas o filme não passa mesmo de uma leve comédia sem muita inspiração narrativa.

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Vale muito pelo elenco que conseguiram reunir por aqui: Peter Falk, Peter Boyle, Paul Sorvino, Gena Rowlands e um Warren Oates em estado de graça! Há uma cena em que este último realiza um monólogo de arrepiar. Dá a impressão de que os editores não conseguiram fazer o habitual plano e contraplano e deixaram lá a imagem do ator falando e falando… Desses momentos fascinantes que comprovam porque Oates foi um dos grandes.

Talvez o ponto alto de Um Golpe Muito Louco em termos de direção seja a tal sequência do roubo, que demonstra a habilidade de Friedkin em trabalhar os nervos do espectador com uma carga de tensão elevada ao limite. Um fato interessante é que a sequência foi toda filmada exatamente no local onde o verdadeiro roubo aconteceu trinta anos antes. Aliás, para não dizer que o filme é tão discreto assim, o trabalho de reconstrução de época é um primor. Mas não adiantou muito, Um Golpe Muito Louco foi o segundo fracasso comercial de Friedkin seguido. E é uma pena, pois apesar de não estar no nível de um Operação França ou O Comboio do Medo, não deixa de ser um filme simpático.

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O COMBOIO DO MEDO (Sorcerer, 1977) William Friedkin

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por Osvaldo Neto

É preciso muita coragem e determinação para sair do conforto de sua vida no meio urbano, viajar para a França, México, Israel e se jogar no meio do mato da República Dominicana por meses para fazer um filme. E foi isso que William Friedkin e boa parte de sua equipe fizeram nas filmagens de Sorcerer, de 1977 – sua versão para O Salário do Medo de Georges Annaud, um clássico da literatura francesa que também gerou a obra-prima de mesmo título para os cinemas, dirigida por Henri-Georges Clouzot.

O filme é um verdadeiro espetáculo de cinema que teve o azar de ter sido lançado simultaneamente com o arrasa quarteirões de 1977: Guerra nas Estrelas. Graças a tamanho equívoco por parte da Paramount, o filme de Friedkin – que então vinha do sucesso de Operação França e O Exorcista – arrecadou o montante de 12 dos 22 milhões de dólares de seu orçamento. Como se não bastasse o fracasso de público, a crítica também não foi muito gentil com o filme no período e, por pouco, isso não custou a carreira de Friedkin. Seus dois próximos longas seriam Um Golpe Muito Louco (The Brink’s Job) e Uma Tacada da Pesada (Deal of the Century), comédias de boa reputação, mas que talvez representem uma queda no que o realizador poderia nos oferecer se o fracasso de Sorcerer não tivesse acontecido. Foi com o lançamento de Parceiros da Noite (Cruising) e Viver e Morrer em Los Angeles (To Live and Die in LA) que ele voltaria a impressionar espectadores ao redor do mundo.

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Sorcerer tem o seu foco em quatro personagens. Nilo (Francisco Rabal) é um matador profissional. O terrorista Kassem (Amidou) viu os seus amigos serem presos e mortos pela polícia após explodirem um banco em Jerusalém. Victor Manzon (Bruno Cremer) é um banqueiro francês que deixou o seu país para escapar de uma acusação de fraude. O ladrão Jackie Scanlon (Roy Scheider) foge da máfia depois de um assalto que deu errado. Nilo, Kassem, Victor e Jackie se encontrarão de exílio num vilarejo ferradíssimo de um fictício país da América Latina, um lugar onde eles não possuem a menor chance de sair. Trata-se do verdadeiro Inferno na Terra: a corrupção toma conta do poder público, a miséria é algo rotineiro e os policiais mais se assemelham a bandidos que homens da lei, sem falar dos frequentes ataques de guerrilheiros populares. Com exceção dos revolucionários… até parece que estamos falando de um país que nós conhecemos muito bem. Enfim, é impossível não se perguntar como um ser humano pode viver naquele local, a não ser, claro, que ele tenha a intenção de se esconder do mundo.

A vila inteira depende economicamente de uma petrolífera americana. Um de seus poços explode e o fogo violento que emana dele apenas poderá ser apagado com a explosão de uma carga de dinamites. O porém é que essa carga foi armazenada de forma tão inadequada que está vazando nitroglicerina das bananas de dinamite e elas podem explodir a qualquer choque ou impacto. A empresa promete $10.000 para cada um dos quatro motoristas que irão transportar as dinamites em dois caminhões por um trajeto repleto de obstáculos nas selvas do país. Até mesmo o vento forte pode fazer com que as cargas se explodam. E serão os nossos protagonistas que não perderão essa chance de ir embora daquele lugar, mesmo que ela praticamente seja uma maneira imbecil de cometer suicídio.

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As duas horas de duração do longa são muito bem utilizadas pelo diretor. Em nenhum momento temos um filme desinteressante, apesar de Friedkin contar essa história sem a menor pressa. Parte dos primeiros 30 minutos do longa são dedicados apenas para apresentar os quatro personagens principais. Um detalhe interessante é que Friedkin deixa por último a história que causaria mais identificação com o público americano, a de Jackie. Também é a única onde os personagens falam em inglês e as legendas não surgem em cena. A meia hora seguinte é focada no encontro entre eles e os preparativos para a insólita jornada. Os próximos 60 minutos serão marcados por um nível tão extremo de tensão que não seria surpreendente se o espectador acabasse roendo todas as unhas da mão (e dos pés também). O grupo Tangerine Dream – em sua estreia no cinema – apenas reforça o suspense alcançado por Friedkin com sua inesquecível trilha sonora nas impressionantes cenas que dominam a metade do filme. A cena da travessia da ponte é de deixar neguinho com o c* na mão.

Outro aspecto que complicou bastante o lançamento comercial de Sorcerer é o título: ele simplesmente não deixa claro sobre o que raios o filme deve ser. Como uma história sobre quatro homens que estão fugindo de seu passado em um país ferradíssimo do Terceiro Mundo e aceitam participar de um trabalho que pode custar as suas vidas tem este nome? É apenas no decorrer do longa que o espectador de olhar mais atento pode notar que o título pega emprestado o nome de um dos dois caminhões que levam os explosivos. Mas não deixe que esse título ruim atrapalhe a sua curiosidade em assistir ao melhor filme deste grande contador de histórias chamado William Friedkin. Sim, este seu modesto escriba acredita que o cinema poucas vezes atingiu a excelência de Sorcerer e ele tem certeza que você se juntará a ele no coro dos defensores deste grande filme que ainda não recebeu o devido reconhecimento. Sem falar que ele também apresenta um dos maiores desempenhos do genial Roy Scheider. Não são poucos os momentos em que Jackie parece ser o desespero personificado no corpo de um homem.

O DVD oficial da Warner é apresentado em fullscreen (4:3), não respeitando os enquadramentos da fotografia original. Infelizmente, esta é a única cópia de Sorcerer em circulação.

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O COMBOIO DO MEDO (Sorcerer, 1977), William Friedkin

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por Marcelo Miranda

Não se sai incólume de uma experiência tão forte (tanto dentro quanto fora da tela) como a de O Exorcista (1973). Nem mesmo William Friedkin, seu realizador. Do alto de um pedestal que incluía o imenso sucesso de bilheteria de seu longa de horror e a premiação com vários Oscars por seu trabalho anterior (Operação França, 1971), o cineasta se dispôs a ir para o meio de uma selva sul-americana refilmar um dos trabalhos mais cultuados do cinema europeu – o suspense O Salário do Medo, lançado em 1953 pelo francês Henri Georges-Clouzot. A experiência de Friedkin e equipe se tornou um mergulho no inferno, quase no mesmo nível do que Apocalypse Now representaria pessoalmente para Francis Ford Coppola menos de dois anos depois.

O trabalho extenuante que gerou O Comboio do Medo (tradução brasileira para o título original – e bem mais enigmático – Sorcerer) parece se expandir para o resultado daquilo a que assistimos na tela. O filme consegue o difícil equilíbrio de se distanciar de seus personagens a ponto de praticamente nada sabermos deles além das aparências iniciais – e, consequentemente, nos importamos muito pouco com o que pode lhes acontecer – ao mesmo tempo em que trabalha de maneira brilhante a tensão da situação central do roteiro. Para isso, Friedkin, de forma mais radical do que Clouzot fizera a partir do romance de Georges Arnaud, gasta mais de uma hora de filme antes de enfim chegar ao âmago do enredo: a travessia de dois caminhões lotados de nitroglicerina pelas estradas esburacadas e matas fechadas de um canto qualquer de um país latino-americano apresentado pelo filme como uma espécie de latrina do mundo.

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Friedkin está pouco preocupado com a “história”. Por mais que ele adie o momento em que finalmente os caminhões seguirão rumo a uma expedição desde sempre condenada à tragédia (e com boa parte da trajetória ao som de Tangerine Dream), O Comboio do Medo é todo construído para que, em aproximadamente 50 minutos, os quatro personagens sejam submetidos a uma série de desafios aparentemente intransponíveis. O diretor filma cada passagem com precisão única, tensionando ao máximo o fio narrativo e criando arte a partir dos limites físicos e estruturais aos quais aqueles homens se submetem. No livro Easy Riders, Raging Bulls (lançado no Brasil sob o título Como a Geração Sexo, Drogas e Rock’n’Roll Salvou Hollywood), o jornalista Peter Biskind usa um dos adjetivos mais certeiros a definirem o trabalho de Friedkin: O Comboio do Medo é um filme implacável. De várias formas, implacável é ainda todo o cinema de William Friedkin.

Isolados na tal latrina do mundo pelos motivos mais diversos (atos terroristas, assaltos malfadados, negociações erradas, assassinatos encomendados), os quatro homens querem simplesmente sair daquele lugar. Seduzidos pela proposta financeira de uma grande petrolífera, aceitam transportar a carga explosiva mata adentro. É falsa a ideia corrente em torno do filme de que o quarteto nada tem a perder. Sim, eles têm muito a perder, a começar pela própria liberdade. Nenhum deles embarca na saga suicida por niilismo, capricho, orgulho ou qualquer sentimento que não seja a ambição de escaparem do pesadelo onde foram colocados por ações cometidas no passado. A viagem com a nitroglicerina é, aos olhos deles, o teste de redenção: se sobreviverem, ganham uma segunda chance. Trata-se, porém, de uma ilusão, como o espectador vai descobrir nos segundos finais de filme, novamente com a concisão cruel de Friedkin.

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A certa altura, o desejo de ir embora se torna obsessão para o personagem vivido por Roy Scheider. Entre visões e delírios, ele vai insistir em completar a viagem menos pelo motivo financeiro inicial do que por simplesmente não considerar qualquer outra alternativa que não seja a de sobreviver e atingir o destino combinado. Neste ponto, O Comboio do Medo é reforçado como um trabalho de assinatura típica de Friedkin, ele próprio um obcecado por personagens limítrofes naquilo a que se dispõem a fazer. A ação é mais do que o objetivo; a consequência será, quase sempre, a ultrapassagem da linha que separa a sanidade da loucura, o risco calculado do risco a todo e qualquer custo. A dança que Scheider pede à mulher acaba por ser a percepção de que, mesmo tendo vivido um martírio sem paralelos, a ele lhe resta bem pouco – e, na verdade, nunca houve, de fato, muito mais do que esse pouco. Então, para que adiar a dança?

Lançado um mês depois do primeiro Star Wars, de George Lucas, O Comboio do Medo, pessimista e sombrio, não teve chances. Fracassou fragorosamente nas bilheterias. Malvisto também pela crítica, tornou-se um dos títulos a sepultarem a chamada Nova Hollywood – outros citados podem ser Apocalypse Now e especialmente O Portal do Paraíso (1980), de Michael Cimino. Considerados malditos por décadas, esses filmes vêm ganhando reconhecimento nos últimos anos, apesar de O Comboio do Medo continuar quase incógnito devido a problemas jurídicos entre Friedkin e os estúdios Paramount e Universal ao longo de mais de três décadas. Aparentemente resolvida, a pendenga judicial vai dar espaço, em breve, ao ressurgimento do longa-metragem em cópia restaurada e recolorizada a partir do negativo original. Será um retorno mais do que bem-vindo.

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