Berlin ’39 – Sexo, Poder e Traição (Berlino ’39, 1994), Sergio Sollima

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por Leandro Caraça

Esta última produção de Sergio Sollima para cinema não esta à altura dos seus grandes trabalhos do passado. Berlin 39 – Sexo, Poder e Traição é marcado por uma certa falta de vitalidade do então septuagenário diretor, e além do mais, o cinema italiano já havia entrado na descendente em que se encontra até hoje. A trama corriqueira de romance, espionagem e nazismo só consegue atenção graças a algumas caras conhecidas como Burt Young e John Savage.
No período pré-guerra da Alemanha de Hitler, o oficial Hans Lossberg (Ken Marshall, o herói de Krull) se casa com a filha de um velho general, ao mesmo tempo em que se envolve com a irmã de uma falecida membro da resistência. O filme segue em ritmo de novela das oito e a maior parte das cenas que trazem nudez ou lesbianismo não chegam a empolgar – a dança das caveiras é o único momento de maior inspiração. Levando em conta tudo aquilo que o cinema italiano já aprontou a respeito, acaba sendo muito pouco.

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Requiem per un Agente Segreto (1967), Sergio Sollima

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O cinema popular italiano trabalhava a todo vapor nas décadas de 60 e 70, com seus estúdios despejando filmes de todos os gêneros possíveis. Os produtores não podiam descobrir um novo filão que o trabalhavam a exaustão. Com as obras de espionagem não foi diferente, ainda mais depois do sucesso de 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), de Terence Young.

Filmes deste gênero começaram a ser produzidos em grande escala na Europa, e por possuírem características próprias, acabaram recebendo o apelido de eurospy movies. E assim como nos pepla e westerns all’italiana, muitos atores americanos estrelavam nos papéis principais. Sergio Sollima também deu sua contribuição para o gênero com três obras: Agente 3S3: Passaporto per L’inferno (1965), Agente 3S3, Massacro al Sole (1966) e Requiem per un Agente Segreto (1967), todos com trilha sonora de Piero Umiliani.

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Requiem per un Agente Segreto é um thriller obscuro, cuja trama envolve uma perigosa quadrilha homicida, comandada por um ex-criminoso nazista que atua em Marrocos. Não tendo sucesso em sua missão, que resultou em dois espiões mortos, o FBI junta forças com uma organização norueguesa para tentar desmantelar a organização. O chefe de inteligência americano, cansado de trabalhar com espiões certinhos, contrata o free-lancer John “Bingo” Merrill (Stewart Granger), um sujeito que não possui escrúpulos. Para ele o que importa é concluir a missão, não se preocupando com os meios para isso. Diferente do agente norueguês, chamado Erick Olafsson (Giulio Bosetti), que acaba desaprovando os métodos utilizados por seu novo parceiro.

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O filme possui bonitas locações, cenas contendo boas doses de suspense, pequenas e certeiras tiradas cômicas, diálogos nas horas certas e belas mulheres. Estas, utilizadas como objetos; podemos ver um certo toque de misoginia, mas tudo tem um porque. Elas estão lá para mostrar um pouco mais do caráter de nosso herói.

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O mestre Sergio Sollima consegue colocar sua identidade no filme, trabalhando com dois protagonistas que possuem virtudes diferentes, mas acabam se respeitando e aprendendo um com o outro. Mas a principal marca é fugir do estereótipo correto e perfeito dos espiões da época. John “Bingo” Merrill está mais para um mercenário, uma pessoa corrupta que não trabalha por um ideal coletivo. Então o filme acaba trabalhando com um tema moral sobre o ser humano, que só pensa em dinheiro e no seu bem estar. Isso já fica bem claro na cena em que Bingo é contratado.

Requiem per un Agente Segreto pode não ser uma obra-prima como La resa dei conti e Faccia a faccia, mas merece ser assistido por apresentar uma visão diferente do mundo da espionagem, além de conter muitas cenas que influenciaram filmes posteriores.

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por Otávio Pereira

Alta Espionagem (Agente 3S3: Passaporto per l’inferno, 1965), Sergio Sollima

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Com uma carreira já estabelecida como escritor e roteirista, onde explorou predominantemente o prolífico ciclo dos pepla italianos, Sergio Sollima assumiu a cadeira de diretor em 1965 para ajudar a cunhar um novo filão que os italianos explorariam até a última gota por pelo menos dois anos: os filmes de espionagem (mais popularmente conhecidos como eurospy) e seus agentes com codinomes cujas intermináveis combinações de números e letras sempre remetiam ao famoso colega a serviço da Coroa Britânica.

Agente 3S3: Passaporto per l’inferno possui todas as idiossincrasias do gênero – as locações cosmopolitas, a (então parcial) nudez gratuita de belas mulheres, armas inusitadas e, é claro, uma trama repleta de intrigas internacionais – apimentados pela considerável dose de cinismo que distinguia às produções italianas das demais.

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O enredo de Agente 3S3: Passaporto per l’inferno tem início quando a CIA, após ter uma de suas agentes assassinadas em circunstâncias misteriosas, decide, com o aval soviético, enviar seu principal homem à Áustria para investigar o paradeiro de Henry Dvorak, um ex-espião durante a Segunda Guerra, e que os americanos acreditam ser o cérebro de uma organização responsável pelo crime. A perigosa missão fica a cargo de Walter Ross (impecavelmente interpretado por Giorgio Ardisson), o agente 3S3, que deverá localizar e se envolver com a filha de Dvorak, e, assim, descobrir os reais motivos do grupo criminoso.

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Um pecado o fato de que que a cópia utilizada para a resenha tenha sido o VHS holandês, que embora aparentemente sem cortes, seja enormemente prejudicada por um pan&scan em tela cheia que destrói as composições originalmente elaboradas por Sollima, e uma qualidade de imagem que nem de longe faz jus ao trabalho de fotografia do genial Carlo Carlini. Tecnicidades à parte, Agente 3S3: Passaporto per l’inferno é diversão pura e um dos clássicos do gênero, além de prova irrefutável do talento de Sollima, que seria mais tarde mundialmente reconhecido.

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Uma curiosidade: Dois anos após seu lançamento, Agente 3S3: Passaporto per l’inferno ganhou uma refilmagem dirigida por Takumi Furukawa (lançada pelos estúdios Shaw Brothers com o título Hei ying), que recria com uma fidelidade praticamente “cena a cena” o filme de Sollima.

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por Rogério Ferraz