Bravos Guerreiros (Rough Riders, 1997), John Milius

rough_riders_1997

por Leandro Caraça

John Milius tentou, sem sucesso, que seu roteiro para King Conan ganhasse sinal verde para ser realizado. Entretanto, a reeleição de Arnold Schwarzenneger para o posto de governador da Califórnia colocou um ponto final em suas pretensões. Sem dirigir um filme há 12 anos, é bem provável que Bravos Guerreiros, uma produção do canal TNT, seja mesmo o testamento fílmico desse polêmico e sempre interessante cineasta.

Desta vez ele volta a atenção para um conflito que encerrou o século XIX e definiu a conduta americana até hoje. A guerra entre EUA e Espanha marcou o início das intervenções militares por parte dos ianques. Serviu ainda para unir o país, ainda sentindo as marcas da Guerra Civil, e erguer a moral de toda a nação. Tom Berenger, naquele que possa ser o grande papel de sua carreira, é o Coronel Theodore Roosevelt que antes mesmo de se tornar um dos mais famosos presidentes americanos da história, já era conhecido pela sua personalidade forte. Brian Keith que havia interpretado Roosevelt em O Vento e o Leão, faz aqui a parte do presidente William McKinley. Outros nomes presentes são de Brad Johnson, Sam Elliott, Geoffrey Lewis, Gary Busey, R. Lee Ermey e George Hamilton como o magnata da imprensa William Randolph Hearst – “Você arranja as imagens e eu arranjo a guerra.”.

John Milius não tem medo de ser feliz e constrói o cenário perfeito para mostrar a glória dos Rough Riders, o regimento de recrutas voluntários (brancos, negros, índios, mexicanos) que foi essencial na campanha em território cubano. Com o fim do conflito, o Império Espanhol entrou em declínio irreversível e os Estados Unidos anexaram os antigos territórios, sendo que Porto Rico e Guantánamo continuam em seu poder até os os dias atuais. Passado mais de uma década após Bravos Guerreiros, Milius ainda se mantém ativo em Hollywood (foi produtor e consultor do seriado Roma) e esperemos que o restante de sua história ainda seja contada no futuro.

Amargo Reencontro (Big Wednesday, 1978), John Milius

Big Wednesday 2

Quando vi o poster de Big Wednesday pela primeira vez eu desconfiei erroneamente: “Putz! O Milius fez um filme de surf!”. Ok, realmente os protagonistas são todos praticantes do esporte, e as sequências de surf são de encher os olhos, até mesmo para um sujeito que nunca tentou subir em uma prancha.

No entanto, o que Milius realiza aqui não tem nada a ver com o que poderia ser chamado de filme de surf. É, antes de tudo, um estudo sobre pessoas comuns em transições pela vida num período marcado pela guerra do Vietnã; o surf é a ontologia que os une e serve de metáfora para várias questões. Depois de tratar de uma figura histórica (Dillinger) e de uma aventura épica (O Vento e o Leão), este seu terceiro filme como diretor é o mais divergente da carreira de John Milius, principalmente por explorar um universo tão palpável e lidar com a guerra como pano de fundo ao invés de mostrá-la de fato. O elenco está bem afiado com William Katt, Gary Busey e Jan-Michael Vincent fazendo o trio de amigos surfistas. Ainda temos uma ponta do Robert Englund, o eterno Freddy Krueger (que empresta também a sua voz para a narração em off). Melancólico e romântico, um filme de beleza sem fim.

4Ronald Perrone