GALO DE BRIGA (Cockfighter, 1974), Monte Hellman

por Cesar Alcázar

O genial diretor Monte Hellman e o não menos fantástico ator Warren Oates realizaram quatro filmes juntos. Embora pouco assistidos em seu tempo (The Shooting – 1967 – sequer foi exibido no circuito comercial americano), hoje eles possuem uma legião de admiradores que se encarregaram de imortalizar a obra desta dupla lendária. Hellman foi um dos poucos diretores a enxergar Oates como um herói, oferecendo a ele grandes papéis. Cockfighter, de 1974, é provavelmente o seu trabalho mais conhecido, ao lado de Corrida sem fim (Two-Lane Blacktop – 1971).

Em Cockfighter, Oates interpreta Frank Mansfield, um treinador de galos de briga. Ele é tão explosivo e violento quanto os animais que treina. Mas esta sua impulsividade o faz entrar em uma aposta contra Jack Burke (Stanton). Resultado: seu melhor galo é morto na noite anterior a disputa de “Galo de Briga do Ano”. Burke adverte Mansfield: “Você tem dois grandes problemas: você bebe demais e FALA demais!”. Devido ao seu comportamento obsessivo, Frank faz um voto de silêncio e mergulha em uma nova jornada rumo ao seu objetivo: ser o treinador de galos do ano. Mesmo que isto lhe custe todas as suas posses, sua família e a mulher que o ama (Patricia Pearcy).

Com produção de Roger Corman (que relançou o filme com o título mais “comercial”, Born to kill!) e belo trabalho de edição e trilha sonora, Cockfighter é um filme belíssimo. Warren Oates, mais uma vez, tem atuação inspirada, mesmo que seu personagem só tenha diálogos em duas cenas (sem contar algumas narrações em off)! A expressividade do ator é tão envolvente que fica impossível para o espectador não se identificar com o personagem.

As brigas de galo são apenas o pano de fundo para a jornada de Frank Mansfield, mas Hellman não deixa de explorar (e denunciar) a brutalidade do esporte. Algumas cenas são bastante sangrentas e revoltantes. O diretor inclusive, recusou-se a filmar algumas delas, deixando o serviço sujo para o editor Lewis Teague. Entretanto, o mais impressionante é a parte humana do “espetáculo”. Monte Hellman captura o frenesi homicida dos espectadores das lutas em toda sua selvageria, uma sede de sangue que contrasta com a frieza dos treinadores.

O DVD americano, lançado pela empresa Anchor Bay, contém um ótimo documentário sobre Warren Oates, um dos melhores atores de sua geração que infelizmente é pouco lembrado pela mídia. Cockfighter foi lançado em DVD no Brasil pela Platina Filmes com o título Galo de Briga, em uma edição simples, sem extras.

CAVALGADA NO VENTO (Ride in the Whirlwind, 1965), Monte Hellman

por Osvaldo Neto

É impossível assistir A Pequena Loja dos Horrores (Roger Corman, 1960) sem notar um jovem chamado Jack Nicholson roubando a cena em sua rápida participação como o paciente masoquista de um dentista. Junto a The Cry Baby Killer (Jus Adiss, 1958), outra produção do Papa dos Filmes B, aquela seria uma das primeiras colaborações de Nicholson com Corman. Três anos depois, ele seria visto em um dos longas de maior sucesso da American International Pictures, O Corvo (Corman, 1963), onde contracena com que Boris Karloff, Vincent Price e Peter Lorre, monstros sagrados do cinema de horror, em um filme leve e bem humorado, vagamente baseado no poema de Edgar Allan Poe.

Nicholson conheceu Monte Hellman nos bastidores de The Wild Ride (Harvey Berman, 1960), mais outra produção feita com o toque de Corman. E foi por conta dos bastidores de O Corvo que Nicholson e Monte Hellman se reencontraram e ficaram animados para trabalharem juntos novamente. Em poucas linhas, Corman terminou as filmagens de O Corvo em tempo recorde e teve a mirabolante idéia de aproveitar a sobra da película juntamente com cenários dele e de O Castelo Assombrado (Corman, 1963) para rodar outro longa com Boris Karloff usando o astro por 4 dias, Terror no Castelo (1964). O resultado final desta aventura, creditada a Corman como diretor, mas também filmada por Monte Hellman, Francis Ford Coppola, Dennis Jakob, Jack Hill e até mesmo o próprio Jack Nicholson ao longo de nove meses, é um apaixonado exemplo de cinema independente de gênero, apesar do roteiro – obviamente – não fazer muito sentido.

Depois de realizar Guerreiros do Pacífico e Flight to Fury simultaneamente nas Filipinas, Nicholson e Hellman produziram dois belíssimos faroestes de baixo orçamento em 35 dias no deserto de Utah, no Arizona: Cavalgada no Vento e Disparo para Matar. Os longas só teriam o seu devido reconhecimento graças ao lançamento de ambos com boas cópias pela VCI Entertainment, no início da popularidade do DVD. Antes, as duas produções apenas eram assistidas em cópias ‘fullscreen’ na TV americana que acabavam com os enquadramentos originais da fotografia de Gregory Sandor.

Cavalgada no Vento tem início com a gangue liderada por Blind Dick (Harry Dean Stanton) assaltando a uma diligência. Uma cena já assistida em milhares de faroestes e que pode causar a errônea impressão de estarmos diante de mais outro filme convencional feito por um Ford de segundo escalão. A coisa muda de figura quando conhecemos Vern (Cameron Mitchell), Wes (Jack Nicholson) e Otis (Tom Filer), três vaqueiros errantes. Eles estão a caminho da cidade de Waco, no Texas e durante o trajeto, deparam-se com um homem enforcado, momento que gera uma imagem que parece resumir o filme inteiro. Como está perto do anoitecer, eles avistam uma cabana e se dirigem ao local para contar com a boa vontade de seus habitantes, matar a fome com um prato de feijão e arranjar um espaço para dormir. Os homens que decidem acolher os vaqueiros são justamente Dick e seus parceiros de crime. A suspeita dos amigos de que o grupo estaria utilizando o local como esconderijo é concretizada no dia seguinte, com o início de um longo tiroteio entre os criminosos e um grupo de justiceiros fortemente armados. Vern, Wes e Otis são tidos como membros da gangue criminosa e um deles é baleado fatalmente pelos vigilantes, que partem para caçar e condenar os dois sobreviventes à morte por um crime que eles não cometeram.

Ainda que em alguns momentos o seu autor se mostre um tanto “verde” com os diálogos (personagens repetem muito o nome de seus parceiros de cena), é no roteiro de Jack Nicholson que reside grande parte da força de Cavalgada no Vento. Trata-se de um faroeste que poderia muito bem ser produto de diretores como Anthony Mann ou Henry King (no caso deste último, O Matador) nos anos 50, além de ser dono de uma subversão que apenas seria encontrada nas co-produções Itália e Espanha que começavam a fazer sucesso mundialmente, os famosos Spaghetti Westerns. Nenhum personagem do longa sofre julgamentos morais por parte dos realizadores, a divisão Bem e Mal que é sempre tão explícita nas produções do gênero praticamente inexiste aqui. Vale mencionar também que a violência dos filmes europeus sempre foi estilizada, com personagens como Django e o Homem Sem Nome eternizando o que seria “cool” no cinema, enquanto que para Hellman não existe nada de bacana nisso. A maneira como o cineasta filma a violência nos dois faroestes de Utah é arrasadora. Podemos até pensar que a crueza das cenas esteja relacionada com as limitações orçamentárias, mas não se deve negar o sucesso de Hellman na condução delas.

Sobre o elenco, Cameron Mitchell brilha como Vern, a figura paterna do trio de vaqueiros. É um deleite para qualquer fã de atores observar Jack Nicholson se descobrindo como ator e contracenando com Mitchell na maior parte de suas cenas. E obviamente, Harry Dean Stanton já demonstrava o seu habitual profissionalismo em compor personagens marginais. Rupert Crosse interpreta um dos parceiros de Blind Dick e Millie Perkins – que também participa de Disparo para Matar – tem um pequeno papel como a filha de uma humilde família de rancheiros que terá importância fundamental na segunda metade do longa.

Enquanto narra a dolorosa transformação de dois homens inocentes em criminosos, Hellman faz de Cavalgada no Vento o primeiro filme onde podemos reconhecer algumas de suas maiores marcas como autor. Durante uma passagem do filme, Wes (Nicholson) reclama que está andando, andando e andando para não terminar em lugar nenhum. Os solitários personagens dos filmes de Hellman parecem sempre estar fadados a este inevitável destino. Solidão que está presente em todos os núcleos de Cavalgada… (os vaqueiros, os bandidos, os justiceiros e a família), o único que faz parte daquele ambiente é a família e, ainda assim, a sua casa está situada no meio do nada. Esse sentimento de completa desolação dos personagens de Hellman só aumentaria nos filmes seguintes de sua carreira como realizador, com o lírico Disparo para Matar sendo um grande passo na direção de Corrida sem Fim (Two-Lane Blacktop).

Dever de casa para o fim de semana: Assista a uma sessão dupla de Cavalgada no Vento e Disparo para Matar. Garanto como você se impressionará com o quanto dois filmes irmãos podem ser tão diferentes do outro.

PAT GARRET E BILLY THE KID (1973), Sam Peckinpah

por Otávio Pereira

Sam Peckinpah foi um dos melhores diretores americanos de western. Verdadeiro autor, dono de um estilo próprio, procurava retratar o Velho Oeste da forma mais realista possível. Seus filmes possuem características fortes, não só visualmente, mas também pela maneira como conduz seus personagens, colocando-os em conflitos internos gerados pela mudança do ambiente em que vivem.

Pat Garrett e Billy the Kid é um filme triste e de atmosfera quase mística, composto por belas imagens que são complementadas por uma interessante trilha sonora, composta por Bob Dylan. Em minha opinião a trilha dá bastante força ao filme, reforçando os sentimentos expostos. O clássico “Knockin’ On Heaven’s Door” se encaixa como uma luva após uma sequência de matança. Chega a emocionar!

Quem espera que o filme seja um duelo entre Pat Garret e Billy the Kid pode se decepcionar, na verdade o filme é sobre Pat Garret, de como o mesmo está lidando com as mudanças ao seu redor, sua adaptação ao novo mundo, suas escolhas que batem de frente com seu passado. É magnífico ver o trabalho de Peckinpah desenvolvendo o personagem de Garret, de marginal a homem da lei, convocando antigos parceiros de crime para auxiliá-lo e levando-os a morte, com isso enterrando parte de seu passado. E toda a luta de não ter que confrontar seu amigo Billy, criando coragem para isso dando um mergulho a um mundo de álcool, prostitutas e violência.

Pat Garrett e Billy the Kid é repleto de cenas de forte impacto e significado. Como Billy the Kid vendo um de seus parceiros sendo morto por bandidos de forma covarde, forma que talvez o mesmo já tivesse praticado. Mas a cena que mais gostei envolve um antigo bandido que também vira xerife e está construindo um barco para sair daquela região. Pat Garret o chama para auxiliá-lo em uma missão e o mesmo é baleado. Antes de morrer consegue chegar a um córrego para dar seu ultimo suspiro. Esta cena é complementada quando Pat Garret está descansando e vê um homem descendo um rio em uma balsa dando tiros em uma garrafa que é jogada na água, ambos acabam trocando tiros, mas depois trocam apenas olhares.

Além da excelente atuação de James Coburn, Kris Kristofferson não decepciona. O filme é recheado de rostos conhecidos, com destaque para Jason Robards, Jack Elam, Slim Pickens, Harry Dean Stanton, Emilio Fernández, entre outros.

Sem dúvida uma das últimas grandes obras realizadas no gênero western.

Repo Man – A Onda Punk (1984), Alex Cox

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O primeiro longa escrito e dirigido por Alex Cox é o que podemos chamar de um legítimo cult instantâneo. Dos créditos de abertura embalados pela contagiante música-tema de Iggy Pop à sua inacreditável conclusão, esse filme abraça a porralouquice dos anos 80 com gosto. Isso o deixa um pouco datado, é claro, mas não no mau sentido. Repo Man funciona demais, principalmente nos dias de hoje. Emilio Estevez interpreta Otto, um punk que por meio de Bud (Harry Dean Stanton) vira um “Repo Man” (repossessor). Junto com os outros colegas de trabalho, os dois seguem recuperando carros que não foram inteiramente pagos pelos seus donos. Mas Otto, Bud e amigos e todos os outros “Repo Mans” da cidade acabam indo atrás de um velho Chevy Malibu, sem saber que este é dirigido por um cientista maluco que fugiu de uma base militar com algo nada comum em sua mala. Quem a abre, acaba desintegrado.

É através deste conto com diálogos afiadíssimos e situações absurdas que Alex Cox satiriza a constante degradação da sociedade ocidental e capitalista como a conhecemos, particularmente a americana. A produção situa-se num futuro próximo, onde a polícia é incompetente, as ruas estão infestadas de sem-tetos, alimentos e bebidas são monopolizados e falsos religiosos tomam conta da televisão. É… a previsão de Cox está cada vez mais perto de virar realidade.

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Um destaque também deve ser dado ao ótimo elenco que o filme conseguiu reunir. O punk Otto consagrou Emilio Estevez e o fez ser escalado para outro clássico daquela década, nada mais nada menos que Clube dos Cinco (The Breakfast Club), de John Hughes. Fã de bom cinema dos anos 60 e 70 que é, Cox escalou o lendário Harry Dean Stanton para Bud, uma espécie de mentor para o protagonista e Vonetta McGee – inesquecível em O Vingador Silencioso de Sergio Corbucci – no papel de Marlene, a única mulher na firma dos “Repo Mans”. O Miller de Tracey Walter tem alguns dos melhores diálogos da produção, o inacreditável “John Wayne é uma bicha” só poderia vir de um personagem como o dele.

Repo Man é conduzido com inteligência pelo seu autor e consegue a façanha de ser não-convencional, divertido e hilariante ao mesmo tempo. Um filme essencial a qualquer interessado no cinema de Alex Cox, que dois anos depois faria outro filme marcante para os anos 80, Sid & Nancy.

4Osvaldo Neto

Amanhecer Violento (Red Dawn, 1984), John Milius

Red Dawn

Imaginava que um filme como esse só faria sentido no auge da Guerra Fria, até ler na internet que já está em fase de pré-produção um remake, apenas substituindo os cubanos por chineses! A idéia de ver os EUA sendo atacados por forças militares estrangeiras chega a ser cômica, ainda mais que são eles que continuam fazendo história ao invadir outros países… Mas tudo bem, ignorando a parte política Amanhecer Violento pode ser considerado um competente filme de sobrevivência, equilibrando ação e drama em boas doses. As belas locações naturais (montanhas, florestas, neve), capturadas pela fotografia de Ric Waite, formam um espetáculo a parte, e em vários momentos me fez pensar que é uma pena que Milius nunca tenha realizado um faroeste. Surpreendente saber que Amanhecer Violento foi uma produção considerada de baixo orçamento, já que pipocam explosões na tela, tanques de guerra, helicópteros, etc. O elenco é formidável, aliando jovens como Patrick Swayze, C. Thomas Howell e Charlie Sheen com super veteranos como Ben Johnson, Harry Dean Stanton e Powers Boothe. Notável também a simpatia pela qual Milius acaba demonstrando pelo comandante cubano, que há certa altura passa a se identificar com o grupo de jovens rebeldes. É um alívio ver que por alguns breves instantes não é só de patriotada que Amanhecer Violento vive.

3

Heráclito Maia

Dillinger – Inimigo Público nº 1 (Dillinger, 1973)

Dillinger

John Dillinger (1903-1934) é considerado por muitos como o último fora-da-lei romântico. Um verdadeiro Jesse James de metralhadora em punho, ele atravessou os EUA durante a Grande Depressão para se tornar um típico herói/bandido do folclore popular. Como ocorreu com muitos outros bandidos sociais lendários, o cinema abordou diversas vezes a trajetória criminosa de Dillinger. Realizado pela American International Pictures sob a produção de Samuel Z. Arkoff em 1973, Dillinger – Inimigo Público nº 1 ofereceu ao público uma excepcional descrição da vida do infame personagem com um inspiradíssimo Warren Oates à frente do elenco. Este filme também marcou a estréia do celebrado John Milius na direção.

Milius, além de dirigir, foi responsável pelo roteiro que narra os últimos anos da vida de John Dillinger (Warren Oates) e seu bando. Perseguido implacavelmente pelo agente do FBI Melvin Purvis (Ben Johnson), ele percorre o sudoeste dos EUA realizando seus ousados assaltos. Ainda sobra tempo para o bandido engatar um romance com a jovem Billy Frechette (Michelle Phillips) e tentar equilibrar os ânimos do seu grupo, que contava com outros criminosos conhecidos como Homer Van Meter (Harry Dean Stanton), Pretty Boy Floyd (Steve Kanaly) e Baby Face Nelson (Richard Dreyfuss).

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O cinema americano vivia a era dos “anti-heróis”, e obras como Bonnie & Clyde e Meu Ódio Será sua Herança faziam grande sucesso. Portanto não é de se estranhar que John Dillinger tenha sido retratado de forma muito mais positiva neste filme de Milius. Se anteriormente até assassinatos que ele não cometera foram inseridos em filme, aqui Warren Oates cria um personagem altamente cativante, com ares de Robin Hood, que conquista a platéia imediatamente. Enquanto isso, os homens da lei são liderados por um sisudo Ben Johnson.

Para uma produção B da American International Pictures, o elenco reunido nesta produção foi simplesmente soberbo. Oates e Johnson repetem a parceria de Meu Ódio Será sua Herança. Harry Dean Stanton está engraçadíssimo como o bandido meio doido do grupo. Michelle Phillips, do grupo The Mamas and the Papas, atua muito melhor do que se poderia esperar dela. Richard Dreyfuss, antes de Tubarão, interpreta um gângster nervosinho. Completando o elenco, Cloris Leachman, oscarizada junto com Ben Johnson pelo filme A Última Sessão de Cinema, tem pequeno papel como a infame “Dama de Vermelho”.

O verdadeiro Dillinger e o encarnado por Oates.

O verdadeiro Dillinger e o encarnado por Oates.

Dillinger – Inimigo Público nº. 1 é uma obra movimentada e repleta de ótimas seqüências que atestam o talento de John Milius para a ação. O humor bem inserido é uma atração a mais. Um dos poucos defeitos desta película é o fato de Oates e Johnson serem muito mais velhos do que os personagens representados, porém suas performances compensam esta pequena falha. Em breve os inimigos Dillinger e Purvis retornarão às telas na pele de Johnny Depp e Christian Bale no novo filme de Michael Mann. Dillinger – Inimigo Público nº. 1 está disponível em VHS e DVD no Brasil.

4

Cesar Almeida