JADE (1995), William Friedkin

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por Bruno Martino

Jade é, basicamente, um cine privé com alto orçamento. Substitua Linda Fiorentino por Shannon Tweed e David Caruso por Andrew Stevens que teríamos a sessão erótica perfeita pros sábados de madrugada. Isso é ruim? Depende do seu ponto de vista. É decepcionante pelo fato de quem dirige é William Friedkin, talvez não seria se fosse um Jim Winorsky ou Fred Olen Ray. Mesmo assim não deixa de ser um bom filme, claro, aquém de outras obras do diretor.

David Caruso é Corelli, um detetive que se vê numa trama de assassinato onde estão envolvidos o governador (Richard Crenna), uma psicóloga que é um antigo amor do passado (Linda Fiorentino) e o atual marido dela e melhor amigo de Corelli, o advogado Matt (Chazz Palminteri). E aí que traições, chantagem, assassinatos e o pau comem solto (metafórica e biblicamente falando). Lembra tanto o grande sucesso Instinto Selvagem que a história chega a parecer uma reciclagem. Marque aí: Um assassinato sangrento, uma mulher sedutora sendo acusada, tentativas de assassinato ao detetive, etc. Só que no quesito putaria perde feio já que são poucas as cenas quentes do filme. Co-estrelam a bela Angie Everhart (o que dá ainda mais um ar de cine prive à coisa toda), Victor Wong em uma ponta, e o sempre competente Michael Biehn no clássico arquétipo do policial pé-no-saco. David Caruso manda bem como o policial gamado na mulher problema de Linda Fiorentino, chegando a desenvolver certas nuances interessantes do personagem, quem diria que ele acabaria como detetive inexpressivo de CSI:Miami? Aliás foi devido ao fracasso de Jade e de O Beijo da Morte que Caruso voltou pra TV dando um tempo na malfadada incursão no Cinema.

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Escrito por Joe Esterhas o mesmo de Instinto Selvagem, o que explica as várias semelhanças, o roteiro foi tão mudado por Friedkin que o roteirista pensou até em tirar o nome dos créditos. Apesar dos pesares, a história mesmo sendo frouxa consegue prender e o filme conta com vários clichês do cinema de Friedkin. Sim, temos uma boa perseguição de carros que mesmo não sendo tão clássica como a de Operação França ou Viver e Morrer em LA, não faz feio. E é impressionante como Friedkin consegue fazer suspense com uma perseguição de carros em baixa velocidade, quando os mesmos ficam impossibilitados de correr devido a uma parada de Ano Novo no bairro chinês. Vale ressaltar também uma das mais chocantes cenas de atropelamento já filmadas.

Vale a pena dar uma bizoiada em Jade, mesmo não sendo a última bolacha do pacote na filmografia de Friedkin mostra que o homem consegue tirar leite até de pedra.

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SÍNDROME DO MAL (Rampage, 1987), William Friedkin

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por Carlos Thomaz Albornoz

Para discutir este filme, ou mais especificamente as duas versões dele em circulação, precisarei discutir seu final, ou melhor ainda, as mudanças feitas no final do filme entre as duas versões disponíveis dele, que o transformaram praticamente em dois filmes diferentes. Caso o prezado leitor não queira ser surpreendido com informações sobre este ‘pequeno detalhe’ do filme, sugiro que evite a leitura do texto… portanto, este texto vem com um belo dum aviso de ‘spoiler’ antes mesmo de seu começo.

Quando o conceito de ‘versão do diretor ‘ se popularizou, em algum momento dos anos oitenta, passamos a conviver com duas (ou mais, vide Blade Runner) versões diferentes do mesmo filme. Já na era do DVD isso se tornou uma espécie de ‘venda casada’, ou seja, era lançada uma versão cortada do filme nos cinemas, com restrições de censura e limite de tempo dos estúdios, e depois em vídeo era lançada uma versão mais próxima da visão do diretor, com alguns minutos a mais, isso quando as espertas produtoras não lançavam as duas versões com extras diferentes, forçando o pobre fã a comprar o mesmo filme duas vezes. Com tudo isso, normalmente se faz a crítica apenas de uma das versões, e o filme é tratado como sendo apenas um (mesmo que seja um O Senhor dos Anéis, cujas versões extendidas tenham mais de uma hora a mais que as versões ‘originais’). Isso não é possível com Rampage. Pior, não há nem o benefício de haverem distinções entre as duas versões que circulam. E, tecnicamente, as duas são ‘versões do diretor’, ambas refletem a visão do diretor, ou pelo menos refletiam no momento que ele as completou. Distorções do mercado de video…

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Tentando explicar o tamanho da bagunça: o filme estreou nos cinemas em 1987, em lançamento limitado nos cinemas americanos (em festivais e num circuito limitado), indo para vídeo (e laserdisc) logo depois (na Europa e no resto do mundo foi lançado normalmente). Acompanhava a perseguição a um serial killer que se banhava no sangue de suas vítimas e seu julgamento. Na época desta versão era apenas um ambíguo filme de tribunal sobre a necessidade da pena de morte e o sistema americano de justiça. O assassino era capturado, ameaçava ser solto pelos seus advogados e voltar a matar e logo após se suicidava na prisão, criando um ‘final feliz’.

Rampage era uma produção da DEG (Delaurentis Entertainment Group), que faliu mais ou menos na época de seu lançamento em vídeo, que foi feito às pressas, sem Rampage ter entrado em circuito. Quando o enrosco se resolveu e o filme voltou a circular (pela Miramax), havendo finalmente um lançamento cinematográfico em larga escala, em 1992, tratava-se de uma obra bem diferente da que havia sido exibida anteriormente. Por algum motivo nunca muito bem explicado (as entrevistas sobre o tema são inconclusivas) William Friedkin sentiu a necessidade de reeditar sua obra. Agora se tornava uma paulada a favor da pena de morte, e contra as imperfeições do sistema judicial americano. No final do filme, logo após o discurso sobre sair da prisão, não há mais o suicídio do personagem central, e sim uma carta mandada à família de um dos mortos, convidando-os a aparecer para uma visita, e um letreiro informando o espectador que o tal serial killer poderá sair da cadeia em seis meses, caso seja liberado pelos psiquiatras.

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Trata-se de um belo dum filme, independente de que versão seja assistida… mas o original é mais sutil, mais inteligente. Por mais que a mensagem da segunda versão seja válida, e já esteja, nas entrelinhas, presente no original, ela é dita de forma pouco discreta, quase aos gritos. Em alguns momentos parece que estamos vendo um panfletão, ao estilo Michael Moore, o roteiro fica horas batendo na mesma tecla.

Caso o caro leitor queira ver essa produção vai ter dificuldade para achá-la. Procurando na (loja virtual) Amazon, encontra-se apenas a velha versão em VHS à venda, provavelmente contemporânea do lançamento brasileiro (Síndrome do Mal, VTI Video, 1987, encontrável nos Mercado Livres da vida com relativa facilidade). Procurando nos sites especializados (como ebay) descobrimos que Rampage só foi lançado em DVD na improvável Polônia, há alguns anos, já estando fora de catálogo, pelo menos oficialmente. E cuidado com outros dois filmes, inspirados por um videogame homônimo, que confundem o interessado. Quem quiser achar uma cópia do filme provavelmente vai ter que achá-lo na selva dos torrents, provavelmente tendo que adivinhar qual versão está baixando, já que não houve nenhuma indicação no relançamento que se tratava de uma versão ‘alternativa’. Boa sorte.

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O Segredo do Abismo (The Abyss, 1989), James Cameron

por Ronald Perrone

O quarto filme de James Cameron foi esta grandiosa ficção científica de orçamento estrondoso sobre um grupo de garimpeiros de petróleo subaquáticos contratados para procurar um submarino nuclear perdido. Acaba tendo um contato com seres extraterrestres engajados ecologicamente. No elenco um time de primeira com Ed Harris, Mary Elizabeth Mastrantonio, Michael Biehn colaborando com o diretor pela terceira vez, Todd Graff, John Bedford Lloyd, e vários outros.

Naquela altura, James Cameron já buscava maneiras de transcender os limites tecnológicos do cinema. As filmagens de O Segredo do Abismo, por exemplo, foram extremamente difíceis, grande parte debaixo d’água, com som direto, etc. Mas nada interferia no processo criativo do diretor em conduzir seu projeto e o resultado, tecnicamente, reforça o talento do sujeito em relação ao seu olhar visionário para com a tecnologia de efeitos especiais, computação gráfica, algo realmente impressionante para a época, um verdadeiro avanço.

Mas Cameron vai muito além de um exercício técnico, extraindo de cada situação a essência de diversos gêneros e subgêneros inseridos à narrativa (terror aquático, fantasia mística, aventura, ação, romance). O problema é que essa mistura toda não agradou o público da época. Talvez por uma falta de coerência, acabou indo mal nas bilheterias, injustamente, mesmo com várias sequências de suspense e ação bem eficazes. Alguns anos mais tarde, Cameron resolveu lançar sua “versão do diretor” com 27 minutos a mais que o original. O que já era bom ficou ainda melhor.

Aliens – O Resgate (Aliens, 1986), James Cameron

por Ronald Perrone

James Cameron é fã de carteirinha de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott, e precisou colocar em prova sua capacidade e talento, que não eram claros naquele período, para ter seu nome escrito na cadeira de diretor desta continuação. Ainda estamos em 1980, passado apenas um ano do lançamento do original, os produtores já começam a viabilizar a idéia de uma sequência. O problema maior é encontrar um script que justificasse mais um filme.

Os produtores David Giler e Walter Hill chegaram ao pobre Cameron através do roteiro de O Exterminador do Futuro (que ainda não havia sido realizado) e resolveram marcar um encontro para trocar idéias. Lá pelas tantas, depois de algumas doses de whisky, comentaram o desejo de realizar a continuação de Alien e Cameron se interessou subitamente. Após vários roteiros recusados, James Cameron, que mal havia dirigido Piranhas 2 e trabalhou apenas na parte técnica de algumas produções de ficção, conseguiu colocar na mesa dos executivos uma estória que finalmente chamou-lhes a atenção. O roteiro ainda não estava pronto (e muita coisa foi mudada junto com outras pessoas), mas já era meio caminho andado; a base desse script eram idéias que o diretor estava desenvolvendo para um filme chamado Mother.

No entanto, era um risco colocar nas mãos de James Cameron a direção de um filme que exigia muito investimento, muita estrutura, muita coisa que aquele sujeitinho ainda não havia trabalhado. Ninguém podia assegurar se ele era realmente capaz de administrar todo o aparato que seria colocado em suas mãos. A prova de fogo foi o filme que Cameron estava realizando, ainda em fase de pré-produção. Se conseguisse ser bem sucedido, teria o emprego na continuação de Alien. Mas todos nós sabemos que O Exterminador do Futuro foi um sucesso, então…

Aliens recebeu este título (e não Alien 2) porque em 1980, um italiano chamado Ciro Ippolito produziu, escreveu e dirigiu uma “sequência picareta” de Alien chamado Alien 2, com a trama se passando na terra. Mas Aliens é um nome que se encaixa perfeitamente ao filme de Cameron, pois uma das principais diferenças do original é que desta vez Ripley (Sigourney Weaver) terá de enfrentar um exército de aliens ao invés de um único como no primeiro filme.

Sendo assim, o diretor de Avatar tomou um caminho diferente ao de Ridley Scott. O primeiro filme da série era um exercício de claustrofobia, atmosférico ao extremo e trabalha muito bem o suspense. Sem dúvidas é um dos filmes contemporâneos mais eficazes nesse sentido. Já o filme de James Cameron segue uma proposta que impõe um ritmo mais frenético à narrativa, com bastante ação, tiroteios, explosões, correrias, muita carnificina, etc (Cameron estava trabalhando também no roteiro de Rambo 2 antes de começar este aqui, talvez estivesse muito focado nesses elementos…). O mais impressionante disso é que o respeito de Cameron pelo original é fundamental para balancear o tom entre os dois filmes. Aliens possui atmosfera suficiente para permanecer ao lado de Alien e possui ação de tirar o fôlego suficiente para garantir a proposta de Cameron.

A trama de Aliens se passa 57 anos após os acontecimentos do primeiro filme. Ripley desperta do seu sono criogênico depois de ter sua nave encontrada pela companhia pela qual trabalhava; toma conhecimento de que toda sua família morreu; mal se recupera e já é persuadida para retornar ao planeta alienígena numa missão para averiguar a situação dos colonos que habitam o planeta, já que a comunicação com eles fora interrompida. Ela se faz de difícil, etc, mas acaba aceitando e desta vez terá ajuda de um grupo de fuzileiros navais carregando um grande poder de fogo.

O que se segue a partir daí é suspense intenso da melhor qualidade com altas doses de ação em cenários de ficção científica e atmosfera dark muito bem elaborados, inspirados nas artes de H. R. Giger e intensificados pela ótima trilha sonora de James Horner; a contagem de corpos é altíssima, muitos fuzileiros matando aliens, sendo mortos também pra dar uma balanceada, embora o número de aliens seja bem maior, até chegar a um ponto em que Sigourney Weaver questiona James Cameron sobre o filme estar muito violento, ter muitas armas, e essas baboseiras, mas a resposta do diretor já demonstrava um sujeito que não se deixa levar por frescuras de ator: “então vamos fazer uma cena que um Alien lhe ataca e você tenta bater um papinho com ele”, algo nesse sentido…

Além de Weaver, que recebeu uma indicação ao Oscar pela sua atuação, o restante do elenco merece uma atenção à parte. Temos Michael Biehn voltando a trabalhar com o diretor, Lance Henriksen fazendo um andróide para o desespero de Ripley (quem não se lembra de Ian Holm no primeiro filme?), Bill Paxton como alívio cômico involuntário, Paul Reiser, William Hope, Jenette Goldstein e outras feras que compõem um excelente time. E é curioso como grande parte deles são subestimados atualmente.

A versão que revi e recomendo fortemente é a estendida, na qual James Cameron realiza um estudo humano muito interessante com a personagem de Sigourney Weaver e ajuda bastante na compreensão de seus atos, no instinto materno com o qual ela acolhe e protege a garotinha, única sobrevivente dos colonos, enxergando a oportunidade de ter uma família novamente. O confronto final entre Ripley e a alien rainha toma proporções épicas visto dessa forma. A protagonista tentando proteger sua “filha” e a criatura também com um instinto de proteção pelos seus ovos.

Get away from her, you bitch!

Sobre a rainha e seu aspecto visual impressionante, vale destacar os incríveis efeitos especiais da equipe comandada pelo genial Stan Winston. É um troço realmente assustador! Não só ela, mas todos os aliens aparentam bem mais flexibilidade, agilidade e realismo em relação ao alien solitário do primeiro filme, embora o conceito de Giger ainda permaneça intacto. É a prova de que o talento manual de um verdadeiro gênio dos efeitos especiais sempre vai superar o resultado de um CGI.

Aliens é um filme inovador nos quesitos técnicos, afirmativa que pode ser reaproveitada em qualquer texto sobre os filmes dirigido pelo Cameron. Todas as suas obras seguintes revolucionaram o cinemão americano comercial de alguma maneira, seja nos efeitos especiais, no uso do som ou até mesmo na forma como trabalha suas narrativas, transformando seus trabalhos em experiências únicas para o público. Este aqui não foge à regra. É um espetáculo em todos os sentidos.

O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), James Cameron

por Leopoldo Tauffenbach

A História do cinema prova que nem sempre a análise dos fatos gera um resultado previsível. Se assim fosse, o único resultado possível da combinação de baixo orçamento, ficção científica, diretor inexperiente e ator inexpressivo seria o fracasso total. Apesar de possuir todos esses requisitos, O Exterminador do Futuro conseguiu o seu lugar nos anais do cinema de ficção.

A clássica cena do "I'll be back": a não-interpretação é a alma do negócio.

A idéia é tão simples que chega a ser irritante. Em um futuro dominado por máquinas, os humanos formam uma resistência para acabar de vez com a tirania metálica. Sentindo a derrota se aproximar, as máquinas mandam um robô exterminador ao passado para assassinar a mãe do futuro líder da resistência, John Connor, e assim alterar as vantagens futuras. Mas a resistência descobre o plano das máquinas e envia um soldado ao passado para proteger a mãe de Connor antes que o exterminador a alcance.

Até então James Cameron era um diretor sem muita experiência. Antes de Exterminador, dirigira somente dois filmes. Mas um fator determinante para o seu sucesso é a sua sagacidade. Cameron é uma daquelas pessoas extremamente inteligentes e criativas, a quem meia palavra basta. Sua participação nos filmes Galáxia do Terror e Mercenários das Galáxias ensinou tudo o que ele queria saber sobre o cinema de ficção científica e o milagre da multiplicação orçamentária – afinal, estamos falando de duas produções de Roger Corman –, enquanto Xenogenesis e Piranhas II o ensaiaram para a difícil arte da direção.

Michael Biehn e Linda Hamilton como Reese, o homem protetor do futuro, e Sarah Connor, a mãe daquele que salvará o futuro. Adivinhe quem é o pai?

Já Arnold Schwarzenegger não era o que poderíamos bem chamar de “ator” até aquele momento. Suas incursões anteriores eram imitações do próprio personagem “Mister Universo”. E quando Arnold inventava de interpretar, o resultado não era lá essas coisas, como em Cactus Jack, o Vilão. A sabedoria de Cameron, e consequentemente o êxito de Schwarzenegger, residiu em explorar aquilo que ele não era: um ator. Seu trabalho era não interpretar, ser uma criatura dura movida por seu impressionante físico. Era disso que se tratava um exterminador. Aliás, John Millius já tinha entendido isso quando fez Conan, o Bárbaro, e Richard Fleischer resolveu ignorar o mesmo fato com Conan, o Destruidor, tentando dar ao musculoso austríaco mais responsabilidade cênica do que ele poderia aguentar. Como resultado, temos uma obra de arte em Conan, o Bárbaro e um filmeco esquecível em Conan, o Destruidor.

O exterminador mostra sua verdadeira face e a excelencia das equipes de maquiagem e efeitos especiais. Enquanto isso a platéia vai ao delírio.

Não à toa, é possível enxergar alguns traços estilísticos da escola de Corman em Exterminador. Mas James Cameron foi além, e imprimiu um ar sujo e fatalista ao filme. A direção de arte de George Costello – que não fez nada muito notável antes e depois de Exterminador – e a neurótica trilha sonora de Brad Fiedel foram essenciais na construção do clima do filme. E nem vamos falar dos efeitos especiais e de maquiagem do filme, esta deixada a cargo do mestre Stan Winston. O que temos em O Exterminador do Futuro é cinema de ficção da mais alta qualidade, e o mais importante aqui é a história magistralmente contada por Cameron. Prova disso é que passados 25 anos desde seu lançamento, continua impávido em sua posição, enquanto outros filmes são lançados com alarde para logo depois serem condenados a camadas de poeira em uma prateleira baixa nas locadoras.