Missão: Impossível 2 (Mission: Impossible 2, 2000), John Woo

por Leandro Caraça

John Woo já estava totalmente assimilado por Hollywood quando Missão: Impossível 2 estreou. Também nesta altura, a versão cinematográfica do antigo seriado televisivo havia se transformado numa mera desculpa para o astro Tom Cruise ficar se exibindo para suas fãs. Depois de matar e sujar o nome do velho protagonista (Jim Phelps), o ator/produtor jogou às favas o antigo esquema da série e fez do longa quase que um show particular, estrelado pelo seu enorme ego. Escrito pela dupla Ronald D. Moore e Brannon Braga – responsáveis em parte pelo declínio da franquia Star Trek – e roteirizado por Robert Towne, o filme tenta parecer mais inteligente do que ele realmente é. O que salva o Missão: Impossível 2 é a direção dinâmica de Woo e a providencial ajuda do montador Stuart Baird, que foi chamado às pressas na edição final. Se por um lado chega a irritar o desperdício de atores e personagens (Sir Anthony Hopkins é apenas um chamariz e Thandie Newton deve ser a ladra mais incompetente que já existiu), a mão segura do diretor garante a dose necessária de adrenalina. Os tiroteiros, as piruetas e as lutas são todas encenadas de forma impecável e claro, há espaço para Woo citar diversas obras de Hitchcock, além do clássico musical Amor, Sublime Amor de Robert Wise. Missão: Impossível 2 pode não ter a inteligência e sofisticação do anterior assinado por Brian de Palma. Contudo, não é impessoal e com cara de produto de TV como se mostrou o posterior de J.J. Abrams. Longe de ser a melhor coisa que o John Woo fez em solo americano, esse veículo para Tom Cruise é perfeito para se desperdiçar duas horas comendo pipoca e contando o número de cenas em slow motion.


Missão Impossível 2
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Um Vôo para o Inferno, aka O Vôo do Intruso (Flight of the Intruder, 1991), John Milius

Flight of the Intruder

John Milius entrou na década de noventa com uma aventura sobre pilotos da Marinha americana do Vietnam. A moda sobre filmes a respeito do conflito, que começara com Platoon, já havia perdido sua força inicial. Isso não impediu Milius de mais uma vez retratar esse capítulo da história tão caro a ele. O Vôo do Intruso pode ser definido como um filme de guerra estilo antigo. Como é de praxe de Milius, ele não ataca a guerra em si, mas os loucos mecanismos presentes na guerra. Brad Johnson (Além da Eternidade) é o piloto de bombardeiro forçado a arriscar sua vida atacando alvos de nenhuma importância estratégica. Tudo porque negociações de paz estão em andamento em Paris. Por isso a marinha está proibida de atacar bases inimigas reais. Entra em cena Willem Dafoe, um oficial pouco disposto a seguir ordens e que se mostra perfeito para missão perigosas e suicidas. Um bom exemplo de filmes para machos, pois a única mulher da história (Rosana Arquette) cumpre sua função romântica e logo mais sai de cena. O elenco de cuecas incluí também Danny Glover, Tom Sizemore (aqui com uns dez quilos a menos mas com a costumeira cara de louco), Ving Rhames e David Schwimmer num de seus primeiros papéis. Fazendo um arroz-com-feijão bem temperado, John Milius segura a peteca, principalmente nas cenas de batalha aérea que nunca viram um video-game gratuito. A menção triste é que esse foi o último filme que o diretor fez para cinema, pelo menos até o momento.

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Leandro Caraça